«Há diferenças regionais que persistem ao longo dos anos. As escolas do Norte, por exemplo, tendem a sair-se melhor do que, por exemplo, as da região de Lisboa, Alentejo e Algarve, onde há precisamente mais falta de professores. O que é que poderia ser feito para “puxar” estas escolas mais a sul?
Uma das grandes discussões da educação em Portugal é que os alunos de famílias semelhantes têm melhores resultados a norte do que têm a sul. O que é que estas escolas estão a fazer diferente? O que há nesse contexto de diferente? Isto deve convocar-nos para duas coisas: além da sinalização das escolas que estão a fazer melhor, acho que, qualquer que seja o responsável governativo, temos de olhar com muita atenção para o que se está a passar no Algarve e no Alentejo em termos de resultados escolares. Dada a consistência destes menores resultados no Sul do país, tem de se pensar mais seriamente se há algo individualizado que faça sentido para estas duas regiões, para perceber as circunstâncias em que estão a trabalhar.
E isso seria o quê? Mais medidas de atracção de professores ou tem de ser um plano mais alargado, mais estrutural?
A questão dos professores é todo um tema que tem a ver com o país. Para estas regiões em particular, defendo que haja incentivos diferenciadores onde haja mais carência [de docentes]. Nestas regiões também temos de perceber o que é que, na triangulação entre direcções de escolas, municípios e Estado central, está a funcionar pior e não está a ser tão eficiente.
No caso do Alentejo — e um pouco por todo o país — temos claramente de pensar que há algumas escolas que tiveram fluxos migratórios muito fortes nos últimos anos — e ainda bem, nada contra —, mas que claramente estão a criar um desafio particular para estas escolas. Costumo dizer que nem tudo se resolve com dinheiro, mas acho que no caso particular da integração dos alunos migrantes e da sua aprendizagem da língua, do apoio aos professores em sala de aula para integrar estes alunos, por muitas voltas que demos, é daqueles domínios em que precisamos de alguns recursos para que corra melhor do que tem corrido.»
Pedro Freitas (2025). Pedro Freitas: é preciso melhorar «o apoio que os alunos têm para a sua decisão no 9.º ano, sobretudo os mais desfavorecidos». Público em linha, 4 de abril de 2025.
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