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Neste recurso da APP, estão reunidas questões sobre gramática recolhidas nos fóruns do GramáTICa.pt, entre 2007 e 2010. As respostas a essas questões encontram a sua principal fundamentação no Dicionário terminológico (DT 2008).Todas as perguntas e respetivas respostas estão organizadas de acordo com os domínios e subdomínios do Dicionário terminológico, que a seguir se indicam.
  • A. Língua, comunidade linguística, variação e mudança
  • B. Linguística Descritiva
    • B.1. Fonética e Fonologia
    • B.2. Morfologia
    • B.3. Classes de palavras
    • B.4. Sintaxe
    • B.5. Lexicologia
    • B.6. Semântica
  • C. Análise do discurso, Retórica, Pragmática e Linguística textual
  • D. Lexicografia
  • E. Representação gráfica
 
Ficha técnica:
  • Texto e conteúdo científico: Filomena Viegas;
  • Análise de dados, construção de sínteses, revisão e publicação: José João Arroz e Luís Filipe Redes;
  • Design: Pinlion.

P

P&R

Domínio: A. Língua, comunidade linguística, variação e mudança.

Subdomínio: A.2. Variação e normalização linguística.

Variedades linguísticas – padrão e dialeto

Os diferentes usos da Língua Portuguesa no espaço e no tempo revelam a existência de variação em diferentes domínios da sua gramática (fonologia, sintaxe…) e léxico, pelo que a variação do sistema linguístico português no espaço português europeu acaba por dar origem a dialetos regionais, a variedades sociais ou a registos individuais. Assim, de entre as variedades dialetais presentes num sistema linguístico uma é geralmente adoptada como padrão. No que se refere ao Português europeu, a chamada variante central, que corresponde, grosso modo, à faixa do litoral centro entre Lisboa e Coimbra, é aquela em relação à qual o ensino explícito da língua mantém uma relação preferencial e institucional, com objectivos socioculturais e comunicativos a atingir. É pois, tendo em conta o padrão que as variantes podem ser contrastadas e posicionadas, sendo múltiplos os fatores sociais de variação (chamados “variáveis extralinguísticas”): classe social, nível de instrução, tipo de educação, idade, sexo, origem étnica, etc… Neste sentido, o dialeto pressupõe o uso regular e sistemático de uma variedade regional da língua, distinta da variedade padrão, por parte de uma dada comunidade de falantes, cobrindo os planos do léxico e da gramática e diferenciando-se do termo regionalismo, porquanto o mesmo refere a utilização pontual de elementos linguísticos (palavras, expressões, estruturas frásicas…) próprios de uma região.

Documentos para consulta:

      • CARDEIRA, Esperança (2006). O Essencial sobre a História do Português. Lisboa: Ed. Caminho (pp.93-95).
      • FARIA, I. H. et al. (1996). Introdução à Linguística Geral e Portuguesa. Lisboa: Ed. Caminho.
      • PERES, J. A e MÓIA, T. (1995). Áreas Críticas da Língua Portuguesa. Lisboa: Ed. Caminho (pp.34-41)

Variedades linguísticas – gíria e calão

Os diferentes usos da Língua Portuguesa no espaço e no tempo revelam a existência de variação em diferentes domínios da sua gramática (fonologia, sintaxe…) e léxico, pelo que a variação do sistema linguístico português no espaço português europeu acaba por dar origem a dialetos regionais, a variedades sociais ou a registos individuais. Assim, de entre as variedades dialetais presentes num sistema linguístico uma é geralmente adoptada como padrão. No que se refere ao Português europeu, a chamada variante central, que corresponde, grosso modo, à faixa do litoral centro entre Lisboa e Coimbra, é aquela em relação à qual o ensino explícito da língua mantém uma relação preferencial e institucional, com objectivos socioculturais e comunicativos a atingir. É pois, tendo em conta o padrão que as variantes podem ser contrastadas e posicionadas, sendo múltiplos os fatores sociais de variação (chamados “variáveis extralinguísticas”): classe social, nível de instrução, tipo de educação, idade, sexo, origem étnica, etc… Neste sentido, a gíria será uma variedade social usada em certos contextos situacionais por falantes que partilham de um mesmo ambiente sócio-económico ou educacional. A gíria anda associada a sectores profissionais ou sociais específicos (caso da gíria jornalística ou da gíria académica). O calão corresponde a utilização pontual de elementos linguísticos (palavras, expressões, estruturas frásicas…) criados em certos contextos situacionais particulares e tornados conhecimento geral.

Documentos para consulta:

  • Fóruns temáticos do GramáTICa.pt: http://area.dge.mec.pt/GramaTICa/
  • Almeida, J. J. (2011). Dicionário aberto de calão e expressões idiomáticas (versão em pdf, disponível em http://natura.di.uminho.pt/jjbin/dac )
  • CARDEIRA, Esperança (2006). O Essencial sobre a História do Português. Lisboa: Ed. Caminho (pp.93-95).
  • FARIA, I. H. et al. (1996). Introdução à Linguística Geral e Portuguesa. Lisboa: Ed. Caminho.
  • PERES, J. A e MÓIA, T. (1995). Áreas Críticas da Língua Portuguesa. Lisboa: Ed. Caminho (pp.34-41)

Variedades sociais da língua

Os diferentes usos do Português no espaço e no tempo revelam a existência de variação nos diferentes domínios da sua gramática (léxico, fonologia, sintaxe…) pelo que a variação do sistema linguístico português no espaço português europeu acaba por dar origem a dialectos regionais, a variedades sociais ou a registos individuais. Assim, de entre as variedades dialectais presentes num sistema linguístico uma é geralmente adaptada como padrão. No que se refere ao Português europeu, a variedade de Lisboa é aquela em relação à qual o ensino explícito da língua mantém uma relação preferencial e institucional, com objectivos socioculturais e comunicativos a atingir. É pois, tendo em conta o padrão que as variantes podem ser contrastadas e posicionadas, sendo múltiplos os factores sociais de variação (chamados “variáveis extralinguísticas”): classe social, nível de instrução, tipo de educação, idade, sexo, origem étnica, etc… Neste sentido, o calão será uma variedade social usada em certos contextos situacionais por falantes que partilham de um mesmo ambiente sócio-económico ou educacional. Documentos para consulta
  • Dicionário aberto de calão e expressões idiomáticas, de José João Almeida, 2009.
  • PERES, J. A e MÓIA, T. (1995).  Áreas Críticas da Língua Portuguesa. Lisboa: Ed.  Caminho. 
  • Ver “A.2.1. Variação” em (Dicionário Terminológico)

Variedades sociais da língua

Os diferentes usos do Português no espaço e no tempo revelam a existência de variação nos diferentes domínios da sua gramática (léxico, fonologia, sintaxe…) pelo que a variação do sistema linguístico português no espaço português europeu acaba por dar origem a dialectos regionais, a variedades sociais ou a registos individuais. Assim, de entre as variedades dialectais presentes num sistema linguístico uma é geralmente adaptada como padrão. No que se refere ao Português europeu, a variedade de Lisboa é aquela em relação à qual o ensino explícito da língua mantém uma relação preferencial e institucional, com objectivos socioculturais e comunicativos a atingir. É pois, tendo em conta o padrão que as variantes podem ser contrastadas e posicionadas, sendo múltiplos os factores sociais de variação (chamados “variáveis extralinguísticas”): classe social, nível de instrução, tipo de educação, idade, sexo, origem étnica, etc… Neste sentido, o calão será uma variedade social usada em certos contextos situacionais por falantes que partilham de um mesmo ambiente sócio-económico ou educacional. Documentos para consulta
  • Dicionário aberto de calão e expressões idiomáticas, de José João Almeida, 2009.
  • PERES, J. A e MÓIA, T. (1995).  Áreas Críticas da Língua Portuguesa. Lisboa: Ed.  Caminho.
  • Ver “A.2.1. Variação” em (Dicionário Terminológico)

Estrangeirismos

Contar a história do Português é mostrar as mudanças linguísticas que lhe foram dando forma (…) embora a mudança linguística seja frequentemente vista como uma espécie de decadência por muitos falantes que resistem à inovação, assumindo uma atitude de defesa da “pureza” da língua supostamente ameaçada, seja por um qualquer acordo ortográfico, por um novo dicionário ou pela influência das telenovelas, a verdade é que se o Português não tivesse sofrido mudanças ainda falaríamos como Afonso Henriques” (p.13),
Partindo deste excerto do livro de Esperança Cardeira, O Essencial sobre a História do Português, chegaremos à conclusão de que uma língua que deixe de mudar, acaba por morrer. Assim, não será difícil percebermos que os neologismos poderão ser, na maioria dos casos, um importante factor do seu enriquecimento. Vejamos a variedade brasileira. À partida, a variedade brasileira é mais rica do que a variedade portuguesa, já que ela comporta um maior número de unidades lexicais distintas e, consequentemente, tem capacidade para nomear um maior número de entidades também elas distintas, mas tudo isto porque tem mais falantes, é falada num território dezenas de vezes maior que Portugal, é língua de uma macrocomunidade linguística multiétnica e multicultural, incorporando, por isso mesmo, vocábulos de todas as comunidades que constituem a nação brasileira. Logo, não é uma maior incorporação de palavras estrangeiras que faz a riqueza daquela variedade do português; não são os anglicismos adaptados que proliferam no português do Brasil (como no português de Portugal) que tornam essa variedade linguística rica. Essa riqueza deve-se, sobretudo, à incorporação dos acervos lexicais, marcas das muitas comunidades linguísticas que constituem a sociedade brasileira. Retomemos, no entanto, a questão dos termos estrangeiros permitidos no português europeu. Ora, grande parte dos neologismos ocorrem pela necessidade de denominar novas entidades, novos conceitos, que surgem devido às próprias mudanças da sociedade em que vivemos. Não raras vezes, ocorrem numa língua, neologismos desnecessários, que podem resultar de “modas”, muitas vezes mal construídos, outras vezes puros decalques de palavras estrangeiras, que vêm ocupar o lugar de palavras vernáculas, estáveis, reconhecidas pelos falantes e que apresentam a mesma capacidade denominativa. Como exemplo, no caso concreto do português europeu, o neologismo “externalização” é proposto como equivalente de “outsourcing”. Ora, trata-se de um decalque formal de uma palavra inglesa, que, em nada, vem enriquecer o idioma, já que o mesmo conceito pode ser traduzido por formas mais transparentes (por exemplo “contratação externa”). Por outro lado, muitos dos neologismos que ocorrem são empréstimos externos e, se bem que não constituam um dano per si, podem contribuir para a descaracterização de uma língua e para a quebra da sua vitalidade, ou seja, a capacidade que cada língua tem de gerar no seu interior todas as unidades lexicais de que carece. Assim sendo, devemos ter sempre presente que há neologismos e neologismos! A questão está em saber, perante determinado conceito, se ele pode ser denominado por uma forma mais transparente e vernácula. 
Domínio: B. Linguística Descritiva

Subdomínio: B.4.2. Funções sintáticas

Complemento e modificador do grupo verbal

1. Os termos complemento e modificador pertencem ao sub-domínio da Sintaxe. Designam funções sintáticas, isto é, «têm a ver com as ligações internas que prendem umas às outras as diversas palavras da frase».

2. Complemento do verbo

2.1. O Complemento do verbo é a função sintática desempenhada por qualquer constituinte do grupo verbal (predicado) seleccionado pelo núcleo desse grupo verbal. Seleccionam complemento os verbos transitivos – diretos, diretos e indiretos, indiretos transitivos predicativos. Os complementos estabelecem com o núcleo verbal do Predicado diferentes tipos de dependência estrutural e lexical. A sua omissão não afecta a gramaticalidade da frase, sempre que a reposição linguística for óbvia, como acontece com o complemento agente da passiva, que pode ser opcional em construções passivas participiais (i).

(i) O carro foi comprado [-] num representante do Porto.

Quando produzimos uma frase, o núcleo verbal com o qual construímos o Predicado, enquanto unidade lexical, traz indissociavelmente associados o número e a natureza dos constituintes que têm de ser sintaticamente realizados. É através do verbo e dos constituintes por ele seleccionados que se realiza a predicação.

Os complementos do verbo podem ter diferentes formas – grupo nominal (i), grupo preposicional (ii), oração subordinada substantiva (iii), grupo adverbial (iv), coordenação de grupos adverbiais, preposicionais, ou adverbial e preposicional (v) – e diferentes valores semânticos- por exemplo, locativo, de modo.

(i) A Maria venceu este ano as olimpíadas de matemática em Londres. (o grupo nominal as olimpíadas de matemática, substituível pelo pronome pessoal acusativo as, é seleccionado pelo verbo V. VENCER, transitivo direto)

(ii) A Teresa levou a carta ao pai. (o grupo preposicional ao pai, substituível pelo pronome pessoal na sua forma dativa lhe, é seleccionado pelo verbo V. LEVAR, transitivo indireto)

(iii) A Joana disse que vinha connosco. (a oração subordinada substantiva que vinha connosco, substituível pelo pronome demonstrativo invariável o, é seleccionada pelo verbo V. DIZER, transitivo direto)

(iv) Vou ali e já venho. (o grupo adverbial ali é seleccionado pelo V. IR, transitivo indireto)

(v) O João vive aqui ou em Lisboa? (o grupo adverbial aqui e o grupo preposicional em Lisboa, são seleccionados, na forma de um estrutura de coordenação, pelo V. VIVER, transitivo indireto)

3. Modificador do grupo verbal

3.1 O Modificador do grupo verbal é a função sintática desempenhada por qualquer constituinte do grupo verbal (predicado) que não seja seleccionado por nenhum elemento desse grupo verbal. Relaciona-se com os outros elementos do grupo verbal e a sua omissão, geralmente, não afecta a gramaticalidade de uma frase.

3.2 Os modificadores do grupo verbal podem ter diferentes formas – grupo preposicional (i), grupo adverbial (ii), oração (iii) – e diferentes valores semânticos- por exemplo, locativo, temporal, de modo. Há modificadores do grupo verbal, aparentemente nominais (iv), que são na realidade modificadores preposicionais.

(i) O Pedro acordou com um pesadelo (o grupo preposicional com um pesadelo não é seleccionado pelo verbo V. ACORDAR, intransitivo);

(ii) Em Dezembro, anoitece muito cedo. (o grupo adverbial muito cedo não é seleccionado pelo verbo V. ANOITECER, intransitivo. Também o grupo preposicional em Dezembro não é seleccionado por este verbo.)

(iii) O pássaro cantou quando lhe bateu o sol (a oração quando lhe bateu o sol não é seleccionada pelo verbo V. CANTAR, intransitivo)

(iv) Sábado, almoçamos em casa. (nesta frase, sábado está a substituir o grupo preposicional no sábado; este nome/grupo preposicional não é seleccionado pelo v. ALMOÇAR, intransitivo)

4. A tradição gramatical habituou-nos a designar algumas das expressões acima sublinhadas como complementos circunstanciais, distinguindo os seus diferentes valores nocionais: lugar, modo, tempo, companhia, matéria, …. O que a tradição gramatical não fazia era a distinção entre os complementos do verbo, que são seleccionados pelo núcleo do grupo verbal e têm uma realização sintática obrigatória, e os modificadores do grupo verbal, que não são seleccionados por nenhum elemento desse grupo verbal e não têm, desse modo, uma realização sintática obrigatória. Em conclusão: todas as realizações linguísticas que ocupem posições não exigidas pelo núcleo do grupo verbal desempenham a função sintática de modificador desse grupo verbal.

Dicionário Terminológico

Complemento

Função sintática, distinta da função de sujeito, desempenhada por um constituinte seleccionado por um verbo, nome, adjectivo, preposição ou advérbio. Na frase (i), o grupo nominal “o bolo” é complemento do verbo “comeu”. Sabe-se que este constituinte é um complemento do verbo, porque a sua presença na frase depende deste verbo, conforme se atesta em (ii):

(i) O João comeu o bolo.

(ii) *O João tossiu o bolo. (frase agramatical porque “o bolo” não é seleccionado por “tossiu”). O João tossiu.

Na frase (iii), a oração completiva “de comprarmos uma casa” é complemento do nome “ideia”. Sabe-se que este constituinte é um complemento do nome, porque a sua presença na frase depende deste nome, conforme se atesta em (iv):

(iii) A ideia de comprarmos uma casa agrada-me.

(iv) *A camisola de comprarmos uma casa agrada-meA camisola agrada-me.

Na frase (v), o grupo preposicional “do filho” é complemento do adjectivo “orgulhoso”. Sabe-se que este constituinte é um complemento do adjectivo, porque a sua presença na frase depende do adjectivo, conforme se atesta em (vi):

(v) O Pedro está orgulhoso do seu filho.

(vi) *O Pedro está louco do seu filho. O Pedro está louco.

Na frase (vii), o grupo nominal “casa” é complemento da preposição “em”:

(vii) O Pedro está em casa.

O complemento distingue-se do modificador, porque este não é seleccionado. Assim, a ausência de um complemento pode gerar uma frase anómala (i), o que não acontece com um modificador (ii).

(i) a. O João porta-se mal. b. *O João porta-se.

(ii) a. O João cantou mal. b. O João cantou.

Modificador

Função sintática desempenhada por constituintes não seleccionados por nenhum elemento do grupo sintático de que fazem parte. Por não serem seleccionados, a sua omissão geralmente não afecta a gramaticalidade de uma frase (i). Os modificadores podem relacionar-se com frases ou orações (ii), constituintes verbais (iii) ou nominais (iv). Os modificadores podem ter diferentes formas (v) e diferentes valores semânticos (vi).

(i) (a) O camião explodiu [aqui]. (b) O camião explodiu.

(ii) [Felizmente], vou ficar em casa. [Matematicamente], isso está errado.

(iii) A Ana cantou [ontem]. A Ana cantou [mal].

(iv) O rapaz [gordo] chegou. O rapaz [que tu conheces] chegou.

(v) Modificadores com diferentes formas (grupo adverbial, grupo preposicional e oração) e com valor semântico idêntico (temporal): A Ana cantou [ontem]. A Ana cantou [naquele dia]. A Ana cantou [quando tu chegaste de França].

(vi) Modificadores com forma idêntica e diferentes valores semânticos (locativo, temporal e de modo):

  1. A Ana cantou [naquela sala].
  2. A Ana cantou [naquele dia].
  3. A Ana cantou [daquela maneira].[/learn_more]

Orações substantivas completivas

A dúvida surgida a partir da análise sintáctica da frase “Ele estava seguro de que ela viria”, em que se pondera que a frase “que ela viria” pudesse desempenhar a função de complemento direto, leva-nos a analisar a frase, sintacticamente, de acordo com o Dicionário Terminológico e com base nas explicações das páginas 600 e 601 de Mateus, M. H. et allia. (2003). Gramática da Língua Portuguesa e das páginas 162 e 163 de Duarte, I. (2000). Língua Portuguesa. Instrumentos de Análise. Em, (1), a frase (a) pode ser interpretada como (b). (1)
  1. Ele estava seguro de que ela viria.
  2. Ele estava seguro disso.
Na frase (b), disso tem a função de complemento do adjetivo seguro, um adjetivo epistémico. Na frase (a), este adjetivo selecciona uma oração subordinada substantiva completiva. A frase (a) é uma frase complexa, com oração subordinante e oração subordinada encaixada no predicativo do sujeito, o qual acaba por integrar o complemento do adjetivo seguro, “de que ela viria”, uma vez que o elemento subordinante é o próprio adjetivo seguro (Cf. excerto do Dicionário Terminológico em baixo).  De referir também, que os traços semânticos do adjetivo seguro, em (a),  indicam-nos que está  num domínio de predicação, cujo argumento interno  preposicionado  é de que ele viria, logo, desempenhando a função de complemento preposicional do adjetivo  “seguro” da subordinante. Dicionário Terminológico Subordinante – Palavra, constituinte ou frase de que depende uma oração subordinada Atentemos, assim, nas seguintes frases:
  1. O meu pai prometeu que me ia comprar o carro.
  2. A hipótese de te ires embora, agrada-me.
  3. Eu compro um carro, quando tu me deixares.
Na frase (1), o verbo “prometeu” é o elemento subordinante da oração subordinada “que me ia comprar um carro”. Na frase (2), o nome “hipótese” é o elemento subordinante da oração subordinada “de te ires embora”. Na frase (3), a frase “Eu compro um carro” é o elemento subordinante de que depende a oração subordinada “quando tu me deixares”. Complemento direto Complemento seleccionado pelo verbo que pode ter uma das seguintes formas:

– Grupo nominal substituível por um pronome pessoal acusativo (“o”, “a”, “os”, “as”);

– Oração subordinada substantiva substituível pelo pronome demonstrativo átono “o”.

Complementos diretos nominais:
  1. O João comeu (o bolo).

O João comeu-(o).

  1. A Margarida perdeu (a mala que a mãe lhe deu).

A Margarida perdeu-(a).

Complementos diretos oracionais
  1. A Margarida disse (que o João comeu o bolo).

A Margarida disse-o.

  1. A Margarida também perguntou (se a tua mãe está melhor).

A Margarida também (o) perguntou.

Pelo exposto, a resposta à pergunta é NÃO, um adjetivo (predicativo do sujeito) não pode seleccionar complemento direto.

Subdomínio: B.4.3. Tipos de frase

Formas de frase: afirmativas e negativas

O facto de nos referirmos ao valor afirmativo ou negativo de um enunciado não torna  incorreta a designação de “frase afirmativa / frase negativa”. Nem mesmo as designações “frase na forma afirmativa” e  “frase na forma negativa” serão erradas. O que acontece é que a tradição de ensino juntou na mesma categoria tipos e formas de frase e reduziu o seu estudo apenas a propriedades sintácticas inerentes às frases simples. Invariavelmente, os alunos estudam material linguístico do mesmo tipo e com o mesmo grau de dificuldade do 1.º ao 3.º ciclo. Ora a negação aparece como um valor que afecta a semântica da estrutura frásica e não uma propriedade inerente à sua forma gramatical, como acontece com a “frase na forma ativa” a “frase na forma passiva”, por exemplo. Daí uma frase  na forma negativa, respeitando as regras da construção gramatical, poder ter uma implicação de valor afirmativo e vice-versa. Posto isto, e face às dúvidas levantadas sobre se as formas de frase na atual terminologia linguística se mantêm inalteradas, há a esclarecer que aquilo que era designado por “formas de frase” está incluído na própria definição de cada tipo de frase, no subdomínio da Sintaxe, onde à designação forma de frase corresponde “valor afirmativo” vs “valor negativo”. Aliás as designações forma negativa e forma afirmativa já não constam do programa em vigor onde se prefere a designação de “frase afirmativa” e “frase negativa”. Como se pode confirmar dos excertos a seguir, retirados da definição de cada tipo de frase, o termo utilizado para exprimir este conceito de “valor afirmativo” vs “valor negativo” é polaridade.
  1. Uma frase declarativa afirmativa distingue-se de uma declarativa negativa pela ausência de um elemento que enuncie polaridade negativa, como por exemplo, o advérbio de negação.
  2. Uma frase exclamativa afirmativa distingue-se de uma exclamativa negativa pela ausência de um elemento que enuncie polaridade negativa, como por exemplo, o advérbio de negação.
  3. Uma frase imperativa afirmativa exprime uma ordem de sentido positivo e distingue-se de uma imperativa negativa pela ausência de um elemento que enuncie polaridade negativa, como por exemplo, o advérbio de negação.
  4. Uma frase interrogativa afirmativa distingue-se de uma interrogativa negativa pela ausência de um elemento que enuncie polaridade negativa, como por exemplo, o advérbio de negação.
Conclui-se, pois que embora não seja incorreta, a referência a forma afirmativa ou negativa não é a mais adequada.

Ativa e passiva

Ao fazer-se referência a tipos de frase, ativa e passiva, está-se a optar por uma abordagem sintática e semântica do ensino da transformação passiva e não apenas por uma abordagem morfológica. Na verdade, quando se identifica este fenómeno como voz ativa e voz passiva, estamos a considerá-lo em termos morfológicos que dizem respeito à conjugação verbal – ativa ou passiva – de certos verbos. Só verbos transitivos directos, transitivos directos e indirectos ou transitivos predicativos podem integrar estruturas passivas, porque todos seleccionam complemento directo. Ora, para se saber se se trata de um verbo pertencente a uma dessas classes, temos de operar na estrutura frásica. Testa-se não só uma transformação na conjugação do verbo, da voz ativa para a voz passiva, mas igualmente a passagem do constituinte com a função sintática de complemento directo da frase ativa para sujeito da frase passiva e, ainda, a passagem do constituinte com a função sintática de sujeito da frase ativa para complemento agente da passiva, mesmo que neste caso o preenchimento seja facultativo. Só se estas operações derem origem a uma frase aceitável em português padrão, se pode concluir que houve transformação da frase ativa em frase passiva. Por outro lado, independentemente da transformação concretizada, a frase, ativa ou passiva, continua a poder exprimir atitudes proposicionais do falante. Isto é, frases ativas e frases passivas podem exprimir asserções (frases de tipo declarativo), pedidos de informação ou de acção (frases de tipo interrogativo), atitudes avaliativas, positivas, ou negativas (frases de tipo exclamativo). A única excepção diz respeito à expressão de uma ordem ou desejo (frases de tipo imperativo). A formulação de uma frase imperativa só pode ser enunciada por uma frase na forma ativa. Convém, entretanto, chamar a atenção para que, no que  respeita a frase ativa e a frase passiva (dispomos, na gramática, dos termos construção ativa/construção passiva, forma ativa/forma passiva), o DT as integrar na definição dos tipos de frases declarativas, exclamativas e interrogativas que podem ser ativas ou passivas, de acordo com a forma verbal do verbo principal (ver também “auxiliar da passiva”), o que, aliás, ao consultar os programas, em vigor,  do 2º e 3º ciclo bem como o Currículo Nacional e o novo Programa de Português  se concluir que os termos usados por todos eles estão em sintonia com os termos do DT. Nos atuais programas de Português para o Ensino Básico (2015), classificam-se as frases ativa e passiva sem recurso à designação de “tipo”, expressão reservada para os quatro tipos de frase, numa opção coerente com a entrada do DT sobre este assunto. Finalmente, e já que a questão da frase passiva e do complemento agente da passiva tem levantado tantas dúvidas, é de alertar para o facto de ter sido elaborado um breve resumo sobre a frase passiva que é objecto de estudo num dos capítulos da Gramática da Língua Portuguesa de Mateus, M. H. M et alli. O texto está disponível na Biblioteca do GramáTICa.pt, podendo ser consultado directamente aqui. Documentos para consulta
  • Dicionário Terminológico (http://dt.dge.mec.pt/), B4.3 Tipos de frase. Frase ativa e frase passiva
  • Cintra, L. & Cunha, C. (1984). Nova Gramática do Português Contemporâneo. Lisboa: Sá da Costa, p. 402 e sq.
  • Peres, J. A. e T. Móia, (1995). Áreas Críticas da Língua Portuguesa. Ed. Caminho: Lisboa, p. 207 e sq.
  • Duarte, I. (2000). Língua Portuguesa. Instrumentos de Análise. Lisboa: Universidade Aberta., p. 157 e sq.
  • Mateus, M. H. et allia. (2003). Gramática da Língua Portuguesa. Lisboa: Caminho, p. 521 e sq. 

Subdomínio: B.4.4. Articulação entre constituintes e entre frases

Oração subordinada e oração subordinante

Subordinante – Palavra, constituinte ou frase de que depende uma oração subordinada. Atentemos, assim, nas seguintes frases:  (1) O meu pai prometeu que me ia comprar o carro. (2) A hipótese de te ires embora, agrada-me. (3) Eu compro um carro, quando tu me deixares. Na frase (1), o verbo “prometeu” é o elemento subordinante da oração subordinada “que me ia comprar um carro”.  Na frase (2), o nome “hipótese” é o elemento subordinante da oração subordinada “de te ires embora”.  Na frase (3), a frase “Eu compro um carro” é o constituinte subordinante de que depende a oração subordinada “quando tu me deixares”.  Atentemos, agora, na frase complexa 

Ele estava seguro de que ela viria.”

Trata-se de uma frase com oração subordinante e com oração subordinada encaixada no predicativo do sujeito, em que o elemento subordinante é o próprio adjectivo “seguro” que, por sua vez, integra o complemento do adjectivo (seguro),  de que ela viria.   Daqui se infere que não podemos determinar o ponto em que acaba a subordinante e começa a subordinada, pois esta integra-se naquela. O que interessa é identificar o elemento ou constituinte subordinante, como fizemos nos três exemplos acima. 

Frases finitas e não finitas

Começando por relembrar a definição de “oração finita” e “oração não finita”, temos que a designação “oração finita” se aplica a orações em que podem ocorrer todas as formas verbais à excepção das do infinitivo, gerúndio e particípio. “As formas verbais finitas, tipicamente, podem ocorrer como forma verbal única numa frase simples e admitem variação máxima nas categorias tempo, pessoa e número” (Cf. Dicionário Terminológico (DT)). A designação “oração não finita” aplica-se a orações em que podem ocorrer formas verbais do infinitivo, gerúndio e particípio. “As formas verbais não finitas, tipicamente, não ocorrem como forma verbal única numa frase simples e não variam em tempo” (Cf. Dicionário Terminológico (DT). Posto isto, e na sequência da dúvida levantada, tomemos como exemplo as frases:
  1. “Tendo terminado o jogo, a multidão dispersou.”
  2. “Ouvia-se um pássaro cantando.”
Quanto à 1ª frase – «Tendo terminado o jogo, a multidão dispersou.» – a análise que fazemos da oração sublinhada é idêntica: não finita, subordinada temporal. Quanto à 2.ª frase – «Ouvia-se um pássaro cantando.» – se a abordarmos de uma perspectiva semântica, encontramos duas predicações:

(i) X (Su: indeterminado) [ouvir] Y (Complemento: um pássaro)

(ii) X (Su: um pássaro) [cantar] Assim, consideramos (ii) uma oração completiva gerundiva (vd. Mateus, p.624). Em Português europeu, a forma de gerúndio seria sempre comutável, em frases do tipo das analisadas acima, pela forma de infinitivo antecedido da preposição “a”: … «um pássaro a cantar». Isto acontece sempre que o núcleo do predicado principal é um verbo perceptivo (ouvir; ver; sentir…):
  • Eles sentiram a terra a tremer (tremendo);
  • Ela ouviu as crianças a chorar (chorando);
  • Nós vimos o avião a aterrar (aterrando).
Em suma, do ponto de vista didáctico, não nos parece que a forma de gerúndio determine, por si só, a sintaxe de uma frase complexa. O uso do gerúndio ou, como é mais comum na variedade europeia, o uso da locução “a”+ infinitivo indica um processo durativo, simultâneo com o processo referenciado pelo predicado da oração principal. Parece-nos que é este o ponto fundamental a ser «ensinado/aprendido» pelos alunos.

Subdomínio: B.6. Semântica

Polaridade afirmativa e negativa

O facto de nos referirmos ao valor afirmativo ou negativo de um enunciado não torna incorreta a designação de “frase afirmativa” / “frase negativa”. Nem mesmo as designações “frase na forma afirmativa” e “frase na forma negativa” serão erradas. Temos de ter presente que a negação é um valor que afecta a semântica da estrutura frásica e não uma propriedade inerente à sua forma gramatical. Daí, uma frase na forma negativa, respeitando as regras da construção gramatical, poder ter valor afirmativo e vice-versa. E é esta a razão por que a designação “formas de frase”, não é utilizada no Dicionário Terminológico (DT), sendo o valor afirmativo ou negativo dos enunciados, das frases, dos constituintes das frases e das palavras estudado no subdomínio da Semântica e identificado pelo termo polaridade – afirmativa ou negativa. No Dicionário Terminológico, termo polaridade é “Valor afirmativo ou negativo de um enunciado, sendo que a polaridade negativa pode ser expressa através do advérbio de negação (1) ou de outras palavras ou expressões com valor negativo” (2-5).
  1. O João não voltou.
  2. Ninguém veio.
  3. Nada se decidiu.
  4. Eles nunca foram ao teatro.
  5. Cansado como estou, eu quero lá ir ao cinema hoje!
Como se pode verificar, o enunciado (5), composto por uma frase complexa de tipo exclamativo, tem polaridade negativa, ainda que a forma das duas frases que o compõem seja afirmativa. Acontece que, nos diferentes ciclos do Ensino Básico, programas anteriores aos atuais tinham adoptado o termo “formas de frase” para se subclassificarem as frases dos diferentes tipos em afirmativas ou negativas. Isso quer dizer que se estudava a estrutura sintáctica das frases, classificando-as em forma negativa ou forma afirmativa, em função da presença ou ausência do advérbio de negação não, ou de outros advérbios ou palavras de negação, como é o caso de nunca, jamais, nenhum, ninguém. Do ponto de vista sintáctico, esta negação oracional pode ser explicada através da regra da anteposição do advérbio não ao verbo da frase:
  1. Vou sair       
  2. Não vou sair.
No entanto, o melhor teste para averiguar se uma frase tem polaridade negativa é verificar se a interrogativa tag que a pode seguir tem a forma “pois não?”(b´). Quanto às frases com polaridade afirmativa, a interrogativa adequada é “não é?” (a´). a‘) Vou sair, não é? b‘) Não vou sair, pois não? Contudo, há enunciados com polaridade negativa, constituídos por frases de tipo exclamativo e interrogativo que apresentam forma afirmativa. São enunciados afirmativos com implicações negativas. Muitas vezes, trata-se de frases ou expressões fixas. Dependem do contexto situacional e da intenção do locutor que ativa, através da ironia, por exemplo, a polaridade negativa do enunciado que produz (2). Do mesmo modo, frases negativas podem ativar o valor afirmativo do enunciado produzido. O enunciado é entendido como afirmativo e a frase, na forma negativa, pode estar a funcionar apenas como negação retórica (3). 2)
  1. Mas qual é a dúvida?! (Não há qualquer dúvida.)
  2. O que sabes tu disso?! (Tu não sabes nada disso.)
  3. Qualquer pessoa entende isto! (Tu não entendes, mas é tão fácil que qualquer pessoa entende.)
3)            a) Eu não te avisei?            b) A gente que por aqui já não passou! A polaridade afirmativa e negativa, em enunciados com frases complexas, permite observar como e onde se manifestam os valores de afirmação e de negação. Há várias possibilidades de resposta, quando se transforma uma frase complexa afirmativa numa frase complexa negativa. Por exemplo, a transformação de um enunciado afirmativo composto por uma frase complexa, de tipo interrogativo, envolvendo uma relação de subordinação entre as orações, num enunciado de tipo declarativo dá origem não a um, mas a três possíveis enunciados com polaridade negativa, cada um deles com uma diferente interpretação (4). A frase em (4a), de tipo interrogativo com polaridade afirmativa, foi transformada numa frase de tipo declarativo com igual polaridade, em (4b). Em (4c), (4d) e (4e), operou-se uma transformação da polaridade nas orações da frase complexa, com efeitos imediatos na semântica da frase. 4)
  1. Tu disseste [afirmativa] que vinhas jantar [afirmativa]?  
  2. Tu disseste [afirmativa] que vinhas jantar [afirmativa].  
  3. Tu disseste [afirmativa] que não vinhas jantar [negativa].  
  4. Tu não disseste [negativa] que vinhas jantar [afirmativa].  
  5. Tu não disseste [negativa] que não vinhas jantar [negativa]
Também a polaridade afirmativa e negativa, em enunciados com frases complexas, envolvendo coordenação de orações, atua de forma diferente, se a conjunção for neutra, como é o caso da coordenativa copulativa e (5), ou negativa, como acontece com as conjunções coordenativas correlativas nem… nem (6). Com a conjunção e, de polaridade neutra, as orações coordenadas podem ser, indiferentemente, afirmativas ou negativas. Quando a coordenação ocorre com as conjunções nem… nem, cada um dos elementos coordenados é precedido de nem e o segundo segmento coordenado corresponde a um grau mais elevado na hierarquia da exclusão. 5)
  1. Ela sai de casa todas as manhãs [afirmativa] e compra o jornal [afirmativa].
  2. Encontrou uma antiga colega [afirmativa] e não a cumprimentou [negativa].
  3. Não saiu de casa [negativa] e ficou a arrumar as gavetas [afirmativa].
  4. Não foi à festa [negativa] e não avisou antes [negativa].
6)
  1. Nem foi à festa [negativa] nem avisou antes [negativa].
Com estes exemplos tentou demonstrar-se que a frase, enquanto unidade sintáctica e semântica, pode ser classificada em diferentes tipos, mas pode ser redutor considerar que a polaridade é um processo que se circunscreve à simples subclassificação de cada um desses tipos de frase, simples ou complexa, numa “forma negativa” ou numa “forma afirmativa”. Corroborando o que atrás foi dito,
  • em  Gramática de Usos do Português (2000), de Maria Helena de Moura Neves,  a autora dedica um extenso capítulo ao estudo da negação, intitulando-o de “Apêndice do Advérbio”, nele fazendo  uma descrição sobre a natureza deste processo, sobre os modos como a negação se exprime, em que níveis da frase se manifesta e quais os contextos particulares de expressão da polaridade (afirmativa/negativa).
  • Também a Gramática da Língua Portuguesa (2003), de Mateus, M. H. et al., dedica o capítulo 19 ao estudo da polaridade negativa. Neste capítulo, intitulado “Aspectos sintácticos da negação”, abordam-se as unidades negativas e os constituintes negados, a posição canónica das unidades que expressam a negação e a concordância negativa no domínio da frase e dos constituintes da frase.
Dito isto, do ponto vista didáctico, será produtivo que os alunos do 2.º ciclo realizem exercícios de transformação de frases simples dos diferentes tipos da  forma afirmativa para a negativa  e vice-versa. Poderão também explorar a polaridade afirmativa e negativa em frases com estruturas de coordenação e de subordinação. De facto, o estudo da polaridade abre um vasto campo de observação dos fenómenos da língua. As questões a seguir são apenas exemplos do tipo de problemas que poderiam ser resolvidos com os alunos em actividades de aprendizagem pela descoberta:
  • 2.º ciclo: «Como posso negar um enunciado, sem utilizar o advérbio não?»
  • 3.º ciclo: «Como posso negar um enunciado utilizando apenas palavras com valor afirmativo?»
A partir de conjuntos de dados fornecidos pelo professor e pesquisados pelos alunos pode ser desenvolvido um trabalho com as características do laboratório gramatical que permite levar os alunos a percorrer as principais etapas que caracterizam o pensamento científico:
  • observar a situação-problema;
  • procurar dados (exemplos de enunciados e frases onde se identifique o padrão comum da negação);
  • manipular os dados para formular hipóteses, a partir das intuições sobre a língua e da observação já realizada;
  • testar as hipóteses formuladas para seleccionar a hipótese com maior grau de adequação e generalização ao problema colocado;
  • validar a hipótese, pela observação de novos dados (exemplos de enunciados e frases) de forma a chegar à generalização gramatical, com o registo dos exemplos e da(s) regra(s)(Cf. Inês Duarte (2008. O Conhecimento da Língua: Desenvolver a Consciência Linguística – PNEP. Lisboa: DGIDC-ME, pp. 17-19 )
Domínio: E. Representação gráfica

Subdomínio: E.5. Relações entre palavras escritas e entre grafia e fonia.

Homonímia

Um dos critérios mais robustos, do ponto de vista didático para identificar palavras homónimas é o da verificação de que as palavras que têm som e grafia iguais (por isso as dizemos e escrevemos do mesmo modo) pertencem a classes de palavras distintas. Por exemplo: Canto /canto A regra mais produtiva para “fabricar” palavras homónimas é o processo de derivação por conversão. Ex: O comer (sinónimo de comida) dos animais não chega para uma semana. A comer assim, vais engordar muito. O andar do gato pode ser de uma extrema leveza. Quando andar na rua, preste atenção aos sinais de trânsito.

 

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