«A literatura actual foi reduzida a entretenimento, boas intenções e mediocridade. Não sei as causas. Talvez seja devido ao desaparecimento dos grandes escritores. (…) Mas o mesmo aconteceu com a música, as artes plásticas, o cinema. Morreram todos. Já não há e é muito provável que nunca mais haja um Picasso, um Stravinski ou um Joyce. Nem mesmo William Burroughs ou Andy Warhol. Morreram todos.»
César Aira (2025). César Aira: “A literatura actual foi reduzida a entretenimento, boas intenções e mediocridade”. Público em linha, 1 de agosto de 2025.
Sobre ele, no texto publicado, escreve Isabel Lucas:
«Excêntrico na escrita, recusa modelos clássicos de consagração. Quando passam 50 anos da publicação do seu primeiro livro (Moreira, 1975) olha-se a sua obra e percebe-se que construiu uma espécie de fortaleza doméstica contra a solenidade do autor. Com a recusa do romance tradicional e a adopção da chamada “fuga para a frente” como método de escrita — expressão que resume o seu processo: avançar sem olhar para trás, nunca reler, nunca corrigir —, Aira assina uma das obras mais insólitas, coerentes e dissonantes da literatura actual. O que começou como marginalidade estética tornou-se, sem ele o querer ou talvez porque nunca o quis, um centro irónico do sistema literário latino-americano, um sistema de que sempre foi crítico. Para ele, a literatura é o campo por excelência da liberdade extrema. No tom desafiador que lhe é característico chegou a dizer que o seu ideal de história é o conto de fadas, embora os seus livros sejam muitas vezes ensaios sobre a arte num estilo muito pouco convencional.»
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