Citação da semana – 28.mar.25

Citação da semana – Guilherme d’Oliveira Martins

A «grande generosidade [de Isabel da Nóbrega] talvez a tenha prejudicado, mas quando a lemos e quando vemos o seu percurso, percebemos que tem uma obra multifacetada, foi uma cronista fantástica, era um valor seguro. Tinha a discrição necessária e não precisava de se autoelogiar. Sobretudo, não marcou a literatura portuguesa por ter vivido com o Gaspar Simões e o Saramago. Tinha luz própria, era solar».

Guilherme d’Oliveira Martins (apud Christiana Martins) (2025). «Isabel da Nóbrega & José Saramago: a história desconhecida do amor que deu um Nobel». Expresso em linha, 28 de março de 2025.

 

Nesse artigo, Guilherme d’Oliveira Martins, administrador da Fundação Gulbenkian e amigo de Isabel da Nóbrega, «destaca a capacidade de olhar para lá das evidências, presente quer em Ana, a personagem principal de Viver com os Outros, quer na sobrenatural Blimunda.»

Sobre esse tópico, Zeferino Coelho é mais cético: “Não concordo que ela [Isabel da Nóbrega] tenha tido um papel tão definitivo na escrita dele [José Saramago], mesmo esta questão do nome da Blimunda, nunca a ouvi dele. Ele sabia muito bem o que tinha escrito. Os textos vinham muito limpos e nem todas as sugestões que fazíamos eram aceites», afirmou o editor que o acompanhou em algumas das suas obras mais célebres, inclusive em Memorial do Convento.

Sobre o Prémio Nobel, Guilherme d’Oliveira Martins, «que chegou a ser vizinho da escritora na Rua da Esperança, tem uma visão cartesiana do que aconteceu: “Isabel da Nóbrega aprimorou a escrita de José Saramago e sem ela não teria havido o Nobel. Mas sem Pilar del Rio também não, ela projetou-o internacionalmente, deu mundo à obra.”»

 

Fonte da imagem aqui.