Citação da semana – 2.out.26

Citação da semana – Yannick Haenel 
«A figura existencial do professor concentra-se nessa ambivalência. Ninguém jamais poderá verificar se uma aula correu bem. Confirmações milagrosas surgem, às vezes, anos depois, ao encontrarmos no metro um aluno que talvez parecesse um dos piores, mas que se lança nos nossos braços e diz lembrar-se de uma aula que o marcou profundamente. Somos sempre perseguidos pelo que houve de incontrolável nessa troca. Eu chegava com o meu crachá dos Joy Division, a cabeça cheia de Derrida, Mallarmé, Nietzsche e Ramones..., mas, ao entrar na sala de aula, via-me subitamente desarmado pelo facto de se tratar de crianças que mal sabiam escrever. Eu era desarmado por elas e tive de me desfazer de tudo o que sabia. Levei tempo a amar essa fragilidade, de que vocês falam, como uma virtude. Os momentos de emoção — aqueles em que, talvez, a transmissão tenha ocorrido — foram, no fim das contas, aqueles em que deixei cair a máscara, em que me vi desamparado e comecei a sorrir, apesar da proibição. Pois a única recomendação — metafisicamente espantosa [stupéfiante] — da minha orientadora era esta: "Não sorria, senão será devorado".»

«Não sei a que figura mítica associar o professor. Ele é um atopos, diria Roland Barthes: o professor está «sem lugar»; ele não está, como já dissemos, verdadeiramente inscrito na sociedade, ele tanto faz quanto desfaz, procurando manter-se sempre em estado de espanto [étonné] — aquele espanto que é o fundamento da filosofia, da poesia e da literatura. Tenho em mente a figura do príncipe Míchkin, em O Idiota, de Dostoiévski, porque, com a sua estranha bondade, ele desativa as relações de dominação e ridiculariza a autoridade. A sua soberania é a do não-poder. Ela permanece como o meu ideal de vida.»


Yannick Haenel (2026). Rentrée en premières classes: Yannick Haenel face à deux profs de philo [Trad. de João Pedro Aido]. Philosophie Magazine em linha, 1 de outubro de 2026.



Com o romance La solitude des professeurs est infinie (Gallimard, 2026), Yannick Haenel marca a rentrée literária... e o regresso às aulas. Dois jovens professores de filosofia — Lou Galland e Marius Chambrun — leram a obra. Os três encontraram-se antes do reinício das aulas para conversar sobre esta profissão que é, muitas vezes, muito mais do que uma profissão. É essa conversa que a revista Philosophie Magazine transcreve neste texto.




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