Destaques do Ciberdúvidas – 2.10.26

Esta semana destacamos três «Artigos» e a rubrica «Consultório». No consultório, refletimos sobre «crónicas sabatinas» ou «sabáticas», analisamos «ser» e «estar» no perfeito e no imperfeito (do indicativo) e discutimos a classe de «um» na construção «um dos que...». Nos artigos, destacamos uma reflexão sobre particularidades da pronominalização, uma reflexão sobre o desafio da inclusão linguística em Angola e uma terceira sobre o fado que dão ao verbo «abalroar», a partir do fado «Canoas do Tejo», que Amália recusou e que acabou por ser um grande sucesso de Carlos do Carmo.
Na rubrica Artigos, destacamos três textos:

i. Um artigo, de Carla Marques, «Tem-no vs. tem-lo», sobre particularidades da pronominalização.

Excerto do artigo, que pode ser lido aqui:
«A forma tem-lo corresponde a uma frase como «Tem o livro» ou antes a «Tens o livro»?
Na verdade, a construção tem-lo, na qual a forma verbal termina com um -m, seguida da forma -lo do pronome átono, corresponde a uma construção como «Tens o livro», na qual a forma verbal termina em -ns. Então, por que razão a forma tens (terminada em -ns) passa a tem (terminada em -m), quando acompanhada de pronome?»


ii. Um artigo, de Fernando Chilumbo, «Quando a língua da criança não é a língua da escola», sobre o desafio da inclusão linguística em Angola.

Excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra aqui:

««A escola pode funcionar predominantemente em português; a sociedade angolana, porém, é linguisticamente mais complexa.»
Há crianças que chegam à escola já sabendo contar histórias, nomear o mundo, distinguir plantas, reconhecer parentescos, interpretar gestos, compreender provérbios e participar em complexas redes de convivência. No entanto, quando entram na sala de aula, tudo parece começar do zero.
Não porque nada saibam, mas porque o conhecimento que trazem de casa nem sempre encontra, na escola, a língua através da qual possa ser plenamente mobilizado. Esta é uma das contradições da educação em Angola: uma criança pode conhecer o mundo e, simultaneamente, parecer não dominar a linguagem através da qual a escola lhe pede que demonstre esse conhecimento. O problema não está no facto de o português ser a língua oficial.»


iii. Um artigo, de Fernando Gomes, «E algum barco te "albarroa"», sobre o fado que dão ao verbo abalroar.

Excerto do artigo, que pode ser lido neste linque:
«"Canoas do Tejo" é uma canção que Frederico de Brito escreveu para Amália e que ela recusou. O Britinho (como era conhecido no meio) acabou por dá-la a Carlos do Carmo, que a transformou num grande sucesso.
O motivo da recusa de Amália está no refrão, numa palavra de que não gostava. Como ela própria afirmou ao seu biógrafo Vítor Pavão dos Santos, «quando há palavras com que embirro, não sou capaz de cantar».

Canoa
Conheces bem
Quando há norte pela proa
Quantas docas tem Lisboa
E as muralhas que ela tem
Canoa
Por onde vais
Se algum barco te abalroa
Nunca mais voltas ao cais
Nunca, nunca, nunca mais

A palavra em causa é abalroa, terceira pessoa do singular do presente do indicativo de abalroar, verbo que começou por significar «atracar com balroas (cabos específicos para atracagem)», originando depois «ir de encontro a algo», «chocar, embater, esbarrar»
Em balroa e palavras derivadas, o som do R é forte, como se estivesse em início de palavra (rato, roer, rolha, rei, Rússia) ou como se fosse duplicado entre vogais (garrafa, carro, terra, birra, forro).»



Na rubrica Consultório, que permite que os consulentes façam perguntas aos especialistas do Ciberdúvidas – mas verificando primeiro se não existe já uma pergunta que tenha sido feita anteriormente e que responda a essa dúvida –, destacamos, esta semana, três questões: 

i. Sobre «crónicas sabatinas» ou «sabáticas».

A resposta à dúvida colocada por um professor – deve dizer-se «"Crónicas sabatinas" ou "sabáticas", para designar que são escritas / publicadas ao sábado?''» – pode ser lida neste artigo.


ii. Sobre ser e estar no perfeito e no imperfeito (do indicativo).

A resposta pode ser consultada neste linque e esclarece a seguinte dúvida de uma estudante:
«À conversa com um amigo estrangeiro, deparei-me com uma questão à qual não posso responder. Quais são as regras do uso de ser e estar no pretérito perfeito e no pretérito imperfeito?
Porque dizemos «a comida estava boa», e não «a comida foi boa», quando se trata de um facto passado já terminado?
E porque dizemos «o fim de semana foi bom», e não «o fim de semana estava bom»?
Como nativa sei qual usar, mas não sei explicar o porquê.»


iii. Sobre a classe de um na construção «um dos que...».
A resposta à dúvida colocada por um professor – «Na frase «O Ceará é um dos principais produtores de lagosta do país», qual a classe gramatical e a função sintática da palavra um? Qual o núcleo do predicativo «um dos principais produtores de lagosta do país»?» – pode ser lida neste artigo.


Fonte da imagem aqui.