«A divulgação dos resultados dos exames nacionais do 3.º ciclo e do secundário é uma oportunidade de ouro para captar sinais sobre o trabalho das escolas e identificar padrões regionais que revelem a diversidade territorial. Desta vez, a coincidência com a publicação dos resultados do PISA 2025 e o recente afluxo de população estrangeira trazem-me novos ângulos de leitura. (...) Há muito que sublinho a importância de articular as médias dos exames com o contexto da escola e dos alunos. O Público também reconhece essa importância e destaca as escolas no topo do Ranking de Superação — aquelas cujas médias mais excedem o resultado de escolas em contextos semelhantes. Mas a realidade portuguesa mudou bruscamente e tem exigido um grande esforço de adaptação por parte das escolas: o peso da população estrangeira aumentou muito nos últimos cinco anos. Os dados disponíveis são municipais, mas o cruzamento com os rankings já aponta para a necessidade de incluir, como nova variável de contexto, a proporção de alunos estrangeiros em cada escola. As escolas situadas nos municípios com maior peso de população estrangeira concentram-se claramente na metade inferior das tabelas, tanto no 9.º ano como no secundário. No secundário, as escolas dos municípios onde mais cresceu o peso da população estrangeira foram também as que mais desceram no ranking entre 2023 e 2025: cerca de 120 posições, sobretudo por troca com escolas de municípios onde esse aumento foi menor. Não se demonstra causalidade, mas há um sinal forte de que o contexto de população migrante deve integrar a leitura dos rankings.» Luísa Loura (2026). Escolas e alunos estrangeiros — a variável que falta nos rankings. Público em linha, 30 de outubro de 2026. Texto na íntegra aqui. Fonte da imagem aqui — página da Universidade de Lisboa.