Destaques do Ciberdúvidas – 16.1.26

Esta semana destacamos dois «Artigos», a rubrica «Consultório, a rubrica «O Ciberdúvidas Vai às Escolas» e a rubrica «O Ciberdúvidas Responde». No consultório, refletimos sobre o verbo fazer causativo e a elevação do objeto a sujeito, discutimos a conjunção mas e as vírgulas e analisamos o advérbio jamais com valor afirmativo.. Nos artigos, destacamos uma reflexão sobre dois verbos que definem algumas das competências do Presidente da República e uma reflexão sobre os 29 anos de Ciberdúvidas: balanços e desafios ­— a caminho de três décadas dedicadas à qualidade da língua.
Na rubrica Artigos, destacamos dois textos:

i. Um artigo, de Inês Gama, sobre «Promulgar e vetar: duas palavras do poder presidencial» - uma reflexão sobre dois verbos que definem algumas das competências do Presidente da República.
Excerto do artigo, que pode ser lido aqui:
«À medida que, em Portugal, se aproximam as eleições presidenciais, cuja primeira volta está marcada para o domingo, 18 de janeiro, regressam ao debate público alguns verbos que definem o exercício do cargo de Presidente da República. Entre eles destacam‑se promulgar e vetar, dois termos que fazem parte do quotidiano político e que ajudam a perceber o alcance das competências presidenciais. A sua análise etimológica e semântica contribui, por isso, para uma melhor compreensão do papel do Presidente no processo legislativo, revelando, uma vez mais, a forma como a língua acompanha e reflete a organização do Estado e da sociedade.
O verbo promulgar tem, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa, origem no latim promulgare, que significava «tornar público», «anunciar oficialmente». No quadro jurídico português, promulgar é o ato pelo qual o Presidente da República confirma um diploma aprovado pela Assembleia da República, permitindo a sua publicação em Diário da República. Note‑se que só após essa publicação a lei começa a ser aplicada. Assim, no que a este verbo diz respeito, pode afirmar‑se que o seu sentido original se manteve praticamente inalterado até aos dias de hoje.»

ii. Um artigo, de Carla Marques, sobre os «29 anos de Ciberdúvidas: balanços e desafios» ­— a caminho de três décadas dedicadas à qualidade da língua.
Excerto do artigo, que pode ser lido aqui:
«O Ciberdúvidas faz 29 anos e representa um caso de assinalável sobrevivência num mundo digital onde tudo parece efémero. Nascido em 1997 da mão de dois jornalistas, João Carreira Bom e José Mário Costa, que, preocupados com a qualidade da língua escrita, sobretudo em meios jornalísticos, criaram um espaço que pudesse responder às dúvidas de quem escreve e fala português, o Ciberdúvidas foi crescendo e alargando a sua influência a todos os pontos onde se fala a língua portuguesa. E assim se mantém até hoje.
Atualmente, os consulentes e leitores da plataforma vêm não só de Portugal, mas também do Brasil, de Angola, de Moçambique e de muitos outros locais onde se fala, se ensina e se aprende português.»


Na rubrica Consultório, que permite que os consulentes façam perguntas aos especialistas do Ciberdúvidas – mas verificando primeiro se não existe já uma pergunta que tenha sido feita anteriormente e que responda a essa dúvida –, destacamos, esta semana, três questões: 

i. Sobre o verbo fazer causativo e a elevação do objeto a sujeito.
Dúvida colocada: 
«A minha dúvida prende-se com a análise sintática e oracional da seguinte frase: «O amor fez o poeta sofrer.»
Ora, se a frase fosse «O amor fez do poeta infeliz» teríamos um complemento oblíquo («do poeta») e um predicativo do complemento oblíquo («infeliz»). Se a frase fosse «O amor fez o poeta infeliz» teríamos um complemento direto («o poeta») e um predicativo do complemento direto («infeliz»).
Agora neste caso que coloquei inicialmente («O amor fez o poeta sofrer») avanço duas hipóteses.
A primeira é considerar «o poeta sofrer» uma oração substantiva completiva com a função sintática de complemento direto e nesse caso poderia ser toda substituída pelo pronome o: «O amor fê-lo.»
No entanto, esta hipótese não me soa bem e por isso pergunto se é possível dizer «O amor fê-lo sofrer». Se for esta a opção correta, ou seja, assumindo «o poeta» como complemento direto, o constituinte «sofrer», sendo um verbo no infinitivo, continua a ser considerado predicativo do complemento direto?
E se assim for como fazer a análise oracional da frase?»

A resposta a essa dúvida sustenta que, no caso em apreço, estamos perante uma frase complexa composta por uma oração subordinante e por uma oração subordinada completiva infinitiva.
A explicação pode ser lida neste artigo.

ii. Sobre a conjunção mas e as vírgulas.
A resposta pode ser consultada neste linque e esclarece a seguinte dúvida: «Em relação à colocação da vírgula antes da conjunção mas, pergunto se a mesma é obrigatória ou se, por razões estilísticas, a mesma seja dispensável.
A frase que apresento pertence a um texto de Afonso Reis Cabral e não sei se não terá sido descuido / omissão da editora:
«Ele explica-lhe que era o mesmo MAS não morrera na temporada anterior.»
Neste caso, a vírgula deveria constar?»

iii. Sobre o advérbio jamais com valor afirmativo.
O artigo, que se pode ler aqui e que defende que o advérbio não exprime neste caso negação, mas antes um valor superlativo plenamente reconhecido pela tradição lexicográfica, responde à seguinte questão: 
«Estava lendo um álbum de figurinhas sobre dinossauros (do início da década de 90), eis que me deparei com o seguinte período: "Tyrannosaurus-Rex, cujo nome significa "Rei tirano dos lagartos", era o dinossauro carnívoro maior que jamais existiu e um dos últimos a aparecer na terra."
A meu ver o uso de "jamais" deve estar equivocado, porque parece que estão afirmando que este referido réptil nunca existiu, ou estou equivocado.
Há uma acepção para o vocábulo que ignoro e não encontrei no dicionário que consultei?»


No âmbito da intenção de alargamento da ação do Ciberdúvidas nas redes sociais, foi lançado, como os sócios da APP já sabem, O Ciberdúvidas Vai às Escolas.
Este novo projeto leva o Ciberdúvidas às escolas onde se ensina a língua portuguesa, em Portugal e no mundo. Aí, de forma presencial ou à distância, um consultor do Ciberdúvidas esclarece, ao vivo e em direto, as dúvidas que os alunos têm relacionadas com questões gramaticais.
Estas sessões são gravadas em formato vídeo e serão divulgadas, posteriormente, nas redes sociais do Ciberdúvidas, no formato de vários pequenos vídeos (ou reels), que dão a conhecer o esclarecimento dado a cada uma das dúvidas apresentadas, de modo a que outros alunos e professores possam ter acesso aos conhecimentos envolvidos, para esclarecer dúvidas ou sistematizar conhecimentos.
As escolas interessadas em participar neste projeto, recebendo o Ciberdúvidas presencialmente ou à distância, poderão contactar os responsáveis pelo projeto por correio eletrónico: ciberduvidas@iscte-iul.pt

Esta semana, destacamos o vídeo 51 com a resposta à dúvida colocada por um estudante do AE Engenheiro Dionísio A. Cunha, em Canas de Senhorim: 
Quais são as diferentes funções do se?

A resposta, dada pela consultora Carla Marques, pode ser consultada no vídeo disponível aqui e começa por reconhecer que o se, em português, pode pertencer a várias classes de palavras, o que é explicitado a seguir com múltiplos exemplos.


Na rubrica Ciberdúvidas Responde, destacamos, no episódio 55, o uso da vírgula.
Assista a este vídeo para saber a resposta, dada pela consultora Carla Marques.


Fonte da imagem aqui.