Na rubrica Artigos, destacamos dois textos: i. Um artigo, de Inês Gama, sobre «Promulgar e vetar: duas palavras do poder presidencial» - uma reflexão sobre dois verbos que definem algumas das competências do Presidente da República. Excerto do artigo, que pode ser lido aqui: «À medida que, em Portugal, se aproximam as eleições presidenciais, cuja primeira volta está marcada para o domingo, 18 de janeiro, regressam ao debate público alguns verbos que definem o exercício do cargo de Presidente da República. Entre eles destacam‑se promulgar e vetar, dois termos que fazem parte do quotidiano político e que ajudam a perceber o alcance das competências presidenciais. A sua análise etimológica e semântica contribui, por isso, para uma melhor compreensão do papel do Presidente no processo legislativo, revelando, uma vez mais, a forma como a língua acompanha e reflete a organização do Estado e da sociedade. O verbo promulgar tem, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa, origem no latim promulgare, que significava «tornar público», «anunciar oficialmente». No quadro jurídico português, promulgar é o ato pelo qual o Presidente da República confirma um diploma aprovado pela Assembleia da República, permitindo a sua publicação em Diário da República. Note‑se que só após essa publicação a lei começa a ser aplicada. Assim, no que a este verbo diz respeito, pode afirmar‑se que o seu sentido original se manteve praticamente inalterado até aos dias de hoje.» ii. Um artigo, de Carla Marques, sobre os «29 anos de Ciberdúvidas: balanços e desafios» — a caminho de três décadas dedicadas à qualidade da língua. Excerto do artigo, que pode ser lido aqui: «O Ciberdúvidas faz 29 anos e representa um caso de assinalável sobrevivência num mundo digital onde tudo parece efémero. Nascido em 1997 da mão de dois jornalistas, João Carreira Bom e José Mário Costa, que, preocupados com a qualidade da língua escrita, sobretudo em meios jornalísticos, criaram um espaço que pudesse responder às dúvidas de quem escreve e fala português, o Ciberdúvidas foi crescendo e alargando a sua influência a todos os pontos onde se fala a língua portuguesa. E assim se mantém até hoje. Atualmente, os consulentes e leitores da plataforma vêm não só de Portugal, mas também do Brasil, de Angola, de Moçambique e de muitos outros locais onde se fala, se ensina e se aprende português.» Na rubrica Consultório, que permite que os consulentes façam perguntas aos especialistas do Ciberdúvidas – mas verificando primeiro se não existe já uma pergunta que tenha sido feita anteriormente e que responda a essa dúvida –, destacamos, esta semana, três questões: i. Sobre o verbo fazer causativo e a elevação do objeto a sujeito. Dúvida colocada: «A minha dúvida prende-se com a análise sintática e oracional da seguinte frase: «O amor fez o poeta sofrer.» Ora, se a frase fosse «O amor fez do poeta infeliz» teríamos um complemento oblíquo («do poeta») e um predicativo do complemento oblíquo («infeliz»). Se a frase fosse «O amor fez o poeta infeliz» teríamos um complemento direto («o poeta») e um predicativo do complemento direto («infeliz»). Agora neste caso que coloquei inicialmente («O amor fez o poeta sofrer») avanço duas hipóteses. A primeira é considerar «o poeta sofrer» uma oração substantiva completiva com a função sintática de complemento direto e nesse caso poderia ser toda substituída pelo pronome o: «O amor fê-lo.» No entanto, esta hipótese não me soa bem e por isso pergunto se é possível dizer «O amor fê-lo sofrer». Se for esta a opção correta, ou seja, assumindo «o poeta» como complemento direto, o constituinte «sofrer», sendo um verbo no infinitivo, continua a ser considerado predicativo do complemento direto? E se assim for como fazer a análise oracional da frase?» A resposta a essa dúvida sustenta que, no caso em apreço, estamos perante uma frase complexa composta por uma oração subordinante e por uma oração subordinada completiva infinitiva. A explicação pode ser lida neste artigo. ii. Sobre a conjunção mas e as vírgulas. A resposta pode ser consultada neste linque e esclarece a seguinte dúvida: «Em relação à colocação da vírgula antes da conjunção mas, pergunto se a mesma é obrigatória ou se, por razões estilísticas, a mesma seja dispensável. A frase que apresento pertence a um texto de Afonso Reis Cabral e não sei se não terá sido descuido / omissão da editora: «Ele explica-lhe que era o mesmo MAS não morrera na temporada anterior.» Neste caso, a vírgula deveria constar?» iii. Sobre o advérbio jamais com valor afirmativo. O artigo, que se pode ler aqui e que defende que o advérbio não exprime neste caso negação, mas antes um valor superlativo plenamente reconhecido pela tradição lexicográfica, responde à seguinte questão: «Estava lendo um álbum de figurinhas sobre dinossauros (do início da década de 90), eis que me deparei com o seguinte período: "Tyrannosaurus-Rex, cujo nome significa "Rei tirano dos lagartos", era o dinossauro carnívoro maior que jamais existiu e um dos últimos a aparecer na terra." A meu ver o uso de "jamais" deve estar equivocado, porque parece que estão afirmando que este referido réptil nunca existiu, ou estou equivocado. Há uma acepção para o vocábulo que ignoro e não encontrei no dicionário que consultei?» No âmbito da intenção de alargamento da ação do Ciberdúvidas nas redes sociais, foi lançado, como os sócios da APP já sabem, O Ciberdúvidas Vai às Escolas. Este novo projeto leva o Ciberdúvidas às escolas onde se ensina a língua portuguesa, em Portugal e no mundo. Aí, de forma presencial ou à distância, um consultor do Ciberdúvidas esclarece, ao vivo e em direto, as dúvidas que os alunos têm relacionadas com questões gramaticais. Estas sessões são gravadas em formato vídeo e serão divulgadas, posteriormente, nas redes sociais do Ciberdúvidas, no formato de vários pequenos vídeos (ou reels), que dão a conhecer o esclarecimento dado a cada uma das dúvidas apresentadas, de modo a que outros alunos e professores possam ter acesso aos conhecimentos envolvidos, para esclarecer dúvidas ou sistematizar conhecimentos. As escolas interessadas em participar neste projeto, recebendo o Ciberdúvidas presencialmente ou à distância, poderão contactar os responsáveis pelo projeto por correio eletrónico: ciberduvidas@iscte-iul.pt Esta semana, destacamos o vídeo 51 com a resposta à dúvida colocada por um estudante do AE Engenheiro Dionísio A. Cunha, em Canas de Senhorim: Quais são as diferentes funções do se? A resposta, dada pela consultora Carla Marques, pode ser consultada no vídeo disponível aqui e começa por reconhecer que o se, em português, pode pertencer a várias classes de palavras, o que é explicitado a seguir com múltiplos exemplos. Na rubrica Ciberdúvidas Responde, destacamos, no episódio 55, o uso da vírgula. Assista a este vídeo para saber a resposta, dada pela consultora Carla Marques. Fonte da imagem aqui.