Registo de acreditação: CCPFC/ACC-137747/25
Área de Formação: B – Prática pedagógica e didática na docência
Custo da ação: sócia(o)s APP: 40€; não sócia(o)s: 100€
Número máximo de inscritos: 25
Objetivos a atingir
- Aprofundar o conhecimento sobre escritoras relevantes no panorama literário de língua portuguesa, bem como das aprendizagens essenciais das disciplinas de Português e de Literatura Portuguesa.
- Ler e interpretar narrativas de escritoras, publicadas na imprensa e em livro, no contexto histórico do Estado Novo, entre 1940 e 1974.
- Expressar pontos de vista suscitados pelos textos lidos, contribuindo para a troca e aprofundamento de experiências de leitura.
- Explorar diálogos intertextuais com outros temas e textos da Educação Literária, e/ou da História e/ou da Filosofia, e /ou da Cidadania e Desenvolvimento.
- Apresentar um portefólio com recursos didáticos, elaborados em função das estratégias de pesquisa, leitura, escrita e oralidade, sobre os textos e as suas autoras, propostas durante o curso e/ou desenvolvidas de forma autónoma.
Conteúdos da ação
1 – Introdução
- Objetivos do curso, projeto DEP, avaliação e bibliografia.
- Breve apresentação sobre a escrita de autoria feminina nos finais do século XIX: o exemplo de Ana Plácido.
- Os arquivos digitais da imprensa periódica. Escritoras e publicação de contos entre os anos 40 e 70 do século XX. Itinerários de pesquisa.
2 – Contos de Escritoras na Imprensa Periódica (1940-1974)
- A escrita de autoria feminina na imprensa traduz a projeção de novas formas de existência literária da mulher. Destacam-se os seguintes aspetos:
– a imprensa representa um lugar simbólico de afirmação da escritora no espaço público;
– a escritora assume-se como figura textual que reflete sobre si enquanto entidade ficcional;
– as técnicas literárias do realismo crítico e psicológico são processos para representar o conflito entre o passado e o presente;
– as narrativas apresentam figuras ou personagens em tensão, quer no espaço privado, quer no espaço público;
– as experiências afetivas da mulher representadas nos contos, em forma de carta ou de diário, deixam transparecer realidades psicológicas silenciadas ao longo da história;
– os diferentes modos de contar as histórias do quotidiano permitem refletir criticamente sobre múltiplas situações de vida marcadas pelas convenções sociais, culturais, políticas e económicas, estabelecendo pontes com valores de cidadania.
- Portefólio digital individual. Práticas possíveis.
3 – Elas dão Cartas (9 horas) – (4h síncronas + 5h assíncronas).
- A obra Novas Cartas Portuguesas (1972), de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, e de outras obras das «três Marias» é o ponto de partida para gizar as estratégias de leitura. Destacam-se os seguintes aspetos:
– textos heterogéneos: cartas, poemas, ensaios, relatos, relatórios e citações, totalizando cerca de 120 textos;
– problematização das noções de género textual e de autoria;
– vozes diversas que criam um discurso polifónico, desafiando noções de unidade textual da tradição literária;
– temas múltiplos, por exemplo: opressão das mulheres, violência sexual, guerra colonial, e desigualdade social;
– formas literárias inovadoras para expressar o corpo e o desejo feminino;
– metáforas da própria condição feminina, traduzindo o contexto histórico da ditadura militar e do Estado Novo em Portugal (1926–1974);
– antecipação de temáticas da cidadania do século XXI.
Assíncronas – Portefólio digital. Práticas possíveis.
Bibliografia fundamental
- Barreno, Maria Isabel, Horta, Maria Teresa, & Costa, Maria Velho da (2010). Novas Cartas Portuguesas (edição anotada – organização de Ana Luísa Amaral). D. Quixote.
- DGE (2018). Aprendizagens essenciais – Secundário I: Português 10.º, 11.º e 12.º anos de escolaridade. DGE/MECI.
- Klobucka, Anna M. (2020). Cânone 2. In Feijó, António M., Figueiredo, João R., & Tamen, Miguel (Eds). O Cânone (pp.165-171). Fundação Cupertino de Miranda & Edições Tinta-da-China.
- Plácido, Ana [Lopo de Sousa]. [1871] (2019). Herança de Lágrimas. Sibila Publicações / Webgrafia Diário de Lisboa (1921-1990). Fundação Mário Soares / DRR – Documentos Ruella Ramos. Disponível em http://hdl.handle.net. (2025-06-25)
Formadoras: Notas curriculares
ConceiçãoPereira
É leitora do Camões I.P. na Universidade de Newcastle, desde 2016 e foi professora de português dos ensinos básico e secundário (1984-2016). Tem mestrado e doutoramento em Teoria da Literatura (FLUL) e pós-graduações em Educação (UAb) e PLE/PL2 (FLUL). É investigadora integrada no CLEPUL-FLUL, onde desenvolve projetos relacionados com literatura portuguesa e coordena, com Rute Navas, o projeto Descobrir Escritoras em Português da APP. Apresenta comunicações em encontros académicos e publica regularmente artigos em revistas científicas sobre literatura e didática. Tem experiência na formação inicial e contínua de professores.
Paula Lopes
Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, pela FLUL, em 1994, tendo realizado na mesma Faculdade, entre 1994 e 1996, o Ramo de Formação Educacional.
Em 2004, concluiu o mestrado em Literaturas e Culturas Africanas de Expressão Portuguesa na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
É professora de Português dos Ensinos Básico e Secundário desde 1995. Leciona na Escola Artística António Arroio, em Lisboa. Desde 2023, é professora cooperante nos Mestrados em Ensino de Português da FCSH da UNL. Faz parte do grupo «Descobrir Escritoras em Português» constituído por professores de Português e de Teatro que, entre outros objetivos, procura promover uma presença mais significativa de autoras nos documentos curriculares do ensino secundário.
Rute Navas
Licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1981), tendo concluído a pós-graduação na Universidade de Paris IV – Sorbonne, com o Diploma de Estudos Aprofundados. Defendeu a dissertação de mestrado em Estudos Portugueses, Literatura Portuguesa – Época Contemporânea, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Foi orientadora de estágio do Ramo de Formação Educacional e professora cooperante dos mestrados em ensino do Departamento de Línguas e Literaturas Clássicas e Românicas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Atualmente integra a equipa de investigação do projeto Anuário (CLEPUL-FLUL); colabora com o projeto “Escritoras portuguesas no tempo da Ditadura Militar e do Estado Novo” do IELT | Instituto de Estudos de Literatura e Tradição, Universidade Nova de Lisboa. É sócia da Associação de Professores Português e coordena em conjunto com Conceição Pereira o projeto Descobrir Escritoras em Português.

