43.º Festival de Teatro de Almada

O Festival de Teatro de Almada (FTA) está de regresso, nas datas habituais: entre 4 e 18 de julho, sobem à cena doze criações internacionais e sete espetáculos portugueses, em oito palcos de Almada e Lisboa.
Desta 43.ª edição fazem parte alguns dos mais destacados criadores do mundo do teatro e da dança, como o alemão Peter Stein, os suíços Christoph Marthaler e Milo Rau, a belga Anne Teresa De Keersmaeker, o sérvio Josef Nadj, o espanhol Israel Gálvan ou o francês Mohamed El Khatib.

É um programa centrado na literatura, disse Rodrigo Francisco, o Diretor Artístico do Festival, na apresentação do programa, no dia 12, daí a presença maior de Tchekov — nas peças Ansioliticamente Falando, Platónov, Só mais uma gaivota, La Mouete, e indiretamente em La Lettre, que conta a obsessão de um ator em encenar A Gaivota —, mas também, entre outros, Ionesco (Saudações), Beckett (Happy Days), Ray Bradbury (e o seu Fahrenheit 451 na peça Burn, Burn, Burn), Jacques Brel (na coreografia Brel da conhecida Anne Teresa De Keersmaeker), Nelson Rodrigues (na peça O beijo no asfalto, com encenação de Tónan Quito), ou Quevedo, Lope da Vega e Calderón de la Barca na peça El Rey de la Farândula.


Três destaques do programa:

i. O Teatro Delusio, pelo grupo alemão Familie Flöz, é uma comédia magistral e uma obra-prima do teatro dentro do teatro, com apenas três atores a representarem dezenas de personagens que constroem os bastidores de uma peça de teatro. Foi a peça mais votada pelo público no ano passado e, por isso, repetem este ano (o FTA faz sempre isso com a escolha do público). Uma encenação a não perder, se puderem assistir.

ii. Platónov, por ser uma encenação de Tchekov por Peter Stein, o mestre alemão do teatro e da ópera que continua a voltar ao FTA apesar dos seus quase 89 anos. Uma dupla razão para não perderem a peça…

iii. La Lettre, do encenador suíço Milo Rau, de quem já pudemos ver três peças recentemente — no ano passado, O Julgamento Pelicot, no Panteão Nacional, Antígona na Amazónia, na Culturgest, em 2023, e, no FTA, também em 2023, a brilhante peça Everywoman, numa recriação de Jedermann, de Hugo von Hofmannsthal.


Para além dos espetáculos, os «Actos Complementares» do Festival incluem um programa quotidiano de encontros com artistas, exposições e formação teatral.

A personalidade homenageada em 2026 é o ator e encenador Fernando Gomes — e Miguel Seabra vai dirigir o curso O Sentido dos Mestres.

Em todos os finais de tarde haverá concertos de entrada livre na Esplanada da Escola D. António da Costa, em Almada.



Programa do Festival e fonte da imagem aqui e aqui.