Até aqui, tudo bem

A APP está seriamente preocupada com o (in)cumprimento do calendário da correção das provas de avaliação externa e com o recebimento gradual dos itens que os professores vão corrigir — a situação é tão problemática que nos faz pensar na célebre cena de abertura do filme La Haine, de Mathieu Kassovitz.
Na semana passada, ao falarmos nas intervenções da APP na comunicação social, referimos que a associação está preocupada com o cumprimento do calendário da correção das provas de avaliação externa e com o recebimento gradual dos itens que os professores vão em princípio corrigir. 

O atraso deste processo já comprometeu o calendário inicialmente previsto, que foi adiado para o dia 10 de julho — uma data que entretanto foi adiada para o dia 14. 

Esse facto e a previsível chegada gradual dos itens dificulta a organização e a gestão do trabalho dos professores classificadores, e prejudica também o cumprimento, de forma tranquila e rigorosa, de uma tarefa importantíssima, difícil e exigente.

Por outro lado, neste intervalo de tempo em que os itens ainda não tinham chegado, também não chegou aos professores classificadores, aos supervisores e aos secretariados de exame qualquer informação que explicasse o que se estava a passar e que justificasse o não cumprimento do calendário previsto, o que é um desrespeito pelo trabalho de todos estes professores, o que lamentamos.


Entretanto, a situação degradou-se consideravelmente, com vários professores de Português a reportar a existência de convocatórias erradas, plataformas inacessíveis, falhas críticas no mecanismo de atribuição e de contagem de respostas para classificação, havendo inclusive respostas já classificadas que voltaram a ser atribuídas a outros professores, ou respostas já classificadas que desaparecem da plataforma e são substituídas por novos itens.

Estes problemas comprometem o rigor, a transparência e a qualidade do exigente trabalho dos professores classificadores, lançando uma dúvida persistente sobre a possibilidade de as classificações ficarem concluídas no novo prazo previsto pelo MECI.


É neste contexto que a cena de abertura do filme La Haine / O Ódio, de Mathieu Kassovitz, surge como uma plausível e infeliz alegoria. 

Nessa sequência, uma voz off conta a história de um homem que cai do 50.º andar de um edifício e que, para se tranquilizar, vai repetindo que «Até aqui, tudo bem...» («Jusqu'ici tout va bien...»). Mas essa cena também introduz o inelutável, e que pode ser visto como uma moral da cena e do que se passa, por alegoria, com a classificação dos exames: o mais importante, não é a queda, é a aterragem.




Fonte da imagem: fotograma do trailer do filme de Kassovitz.