«Os professores classificadores são os agentes de uma máquina — a máquina de classificação. Idealmente, essa máquina devia ser automática, mas, não podendo ainda sê-lo plenamente, o professor que classifica tem de aceitar que está no lugar de um autómato. É assim que o Ministério da Educação e o respectivo ministro o concebem. Enquanto autómato em potência, ele é programado para responder de maneira eficaz ao que podemos chamar “paradigma da avaliação”. O cálculo e a medida são as suas tarefas. Ele apresenta-se, perante os alunos e a opinião pública, em nome da ciência. Não é que ele tenha escolhido desempenhar esse papel, mas para aí foi empurrado pela máquina dos gestionários e funcionários governamentais que governa a escola. A máquina encarrega-se de fazer com que a legitimidade dos professores não aceda à fonte que, em princípio, lhes conferiria mais importância que a dos próprios gestionários. Dito de maneira mais simples: é preciso que os professores não sejam dotados de qualquer espécie de autonomia. A única autoridade é a da administração.» António Guerreiro (2026). Os autómatos classificadores. Público em linha, 24 de julho de 2026. Texto na íntegra aqui. Fonte da imagem — cortesia da editora Sistema Solar — aqui.