Na rubrica Montra de Livros, destacamos um texto: i. Um artigo de Inês Gama, intitulado «Ensino integrado da leitura e escrita (Vol. 1)» — Cadernos de Apoio ao Ensino. Excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra aqui: «Partindo da ideia de que ler e escrever não são competências independentes, mas antes processos que se desenvolvem de forma articulada, a publicação apresenta evidência científica sobre diferentes aspetos dessa relação. Os quatro textos abordam temas como o papel da escrita na aquisição inicial da leitura e do vocabulário, a importância do conhecimento ortográfico no desenvolvimento da leitura, os benefícios pedagógicos do ensino integrado da leitura e da escrita e a influência da nomeação rápida na consolidação do conhecimento ortográfico. De especial interesse para docentes e formadores, uma das principais preocupações desta obra está em refletir os resultados de investigação para contextos concretos de ensino. Os estudos sintetizados mostram, por exemplo, que atividades de escrita como a realização de composições podem favorecer simultaneamente o desenvolvimento da linguagem e da leitura. Também o conhecimento ortográfico pode ser um contributo importante para a fluência e a compreensão da leitura, tal como as abordagens integradas de leitura e escrita podem produzir efeitos positivos em domínios como a qualidade textual, o planeamento, a linguagem oral e a ortografia.» Na rubrica Artigos, destacamos dois textos: i. Um artigo de Carla Marques, intitulado «"Visite a bienal curada por x"?» — curador vs. curar. Excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra aqui: «O termo curador passou a ser comum em contextos relacionados com o meio artístico, museológico ou das indústrias criativas. Encontramo-lo em títulos recentes como «Novo curador de artes visuais da Culturgest, Raphael Fonseca espera "escrever novas páginas"» (jornal Observador) ou «A arte contemporânea e os seus curadores» (jornal Público), entre outros. Neste contexto, o curador é, assim, a pessoa a quem cabe a escolha e a organização dos objetos ou obras de arte, conforme nos explica o dicionário Houaiss. Trata-se de um uso relativamente recente que nem todos os dicionários registam ainda. Os significados mais antigos de curador são de âmbito médico, estando relacionados com a designação daquele ou daquilo que cura determinada doença, ou de natureza jurídica, quando designa o membro do Ministério Público a quem cabe defender a lei. Encontramos as raízes destes valores semânticos no termo latino curator, que tinha o significado de «o que cuida, encarregado de zelar, comissário, tutor, rendeiro, caseiro», próximo, portanto, dos sentidos mais comuns de curador. Curioso é que a expansão dos significados de curador está também a estender-se, de forma estranha, ao verbo curar.» ii. Um artigo de Sara Mourato, intitulado «Por "vias e travessas"» ou «por portas travessas»? — Uma expressão idiomática instável. Excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra aqui: «Num artigo do jornal digital Notícias ao Minuto (03/07/2026), dedicado à alegada tensão entre Georgina Rodríguez e a família Aveiro, lê-se que certas informações terão chegado «por "vias e travessas"». A expressão, tal como ali surge, transcrita do discurso do apresentador do programa televisivo V+ Fama, não corresponde à forma consagrada na língua. Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa, a locução indiscutivelmente correta é «por portas travessas», com o significado de «de modo indireto, ilícito, oculto; recorrendo a terceiros». Neste caso, travessa não é nome, com o significado de «pequena rua estreita que liga transversalmente duas ruas principais» (ibidem), mas, sim, o feminino do adjetivo travesso, entendido como aquilo que«fica ao lado» (ibidem). «Portas travessas» quer, portanto, dizer literalmente «portas laterais». Curiosamente, também é frequente ouvir-se «por portas e travessas», acrescentando uma conjunção copulativa, forma que registam alguns dicionários dicionários de expressões idiomáticas.» No âmbito da intenção de alargamento da ação do Ciberdúvidas nas redes sociais, foi lançado, como os sócios da APP já sabem, O Ciberdúvidas Vai às Escolas. Este novo projeto leva o Ciberdúvidas às escolas onde se ensina a língua portuguesa, em Portugal e no mundo. Aí, de forma presencial ou à distância, um consultor do Ciberdúvidas esclarece, ao vivo e em direto, as dúvidas que os alunos têm relacionadas com questões gramaticais. Estas sessões são gravadas em formato vídeo e serão divulgadas, posteriormente, nas redes sociais do Ciberdúvidas, no formato de vários pequenos vídeos (ou reels), que dão a conhecer o esclarecimento dado a cada uma das dúvidas apresentadas, de modo a que outros alunos e professores possam ter acesso aos conhecimentos envolvidos, para esclarecer dúvidas ou sistematizar conhecimentos. As escolas interessadas em participar neste projeto, recebendo o Ciberdúvidas presencialmente ou à distância, poderão contactar os responsáveis pelo projeto por correio eletrónico: ciberduvidas@iscte-iul.pt Esta semana, destacamos o vídeo n.º 65 com a resposta à dúvida colocada por uma estudante da USALMA — Universidade Sénior de Almada sobre a grafia de «viajem»: Com G ou J ? A resposta, dada pelo consultor Carlos Rocha, pode ser consultada no vídeo disponível aqui e começa por destacar que a palavra «viagem» é um empréstimo, exibindo o sufixo -agem que em origem no francês -age ou no provençal (ou, se quiserem, no occitânico) -atge. Fonte da imagem aqui.