Destaques do Ciberdúvidas – 12.6.26

Esta semana destacamos a rubrica «Artigos», a rubrica «Montra de Livros», a rubrica «Consultório», a rubrica «O Ciberdúvidas Vai às Escolas» e a rubrica «O Ciberdúvidas Responde». No Consultório, examinamos a vírgula antes de «que» consecutivo, refletimos sobre o valor comparativo vs. orações comparativas e analisamos a função sintática da oração subordinada adverbial consecutiva. Nos Artigos, destacamos um texto, de Fernando Gomes, sobre futebolices — a propósito do Mundial de Futebol de 2026 — e, na Montra de Livros, destacamos um artigo de Inês Gama sobre o livro «Modalidade e modo em português europeu», de Rui Marques.
Na rubrica Artigos, destacamos um texto:

i. Um artigo de Fernando Gomes sobre futebolices — a propósito do Mundial de Futebol de 2026.

Um excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra neste linque:
«Desde o fim da Idade Média que se foram desenvolvendo nas Ilhas Britânicas diversos jogos de equipa. Na segunda metade do século XVII, ocorreram algumas unificações entre vários jogos de diferentes tipos, que culminaram num desporto que daria origem ao futebol actual, ao râguebi, ao futebol americano, ao futebol australiano, etc.
Em 1863, criou-se a entidade The Football Association, que definiu as regras que são a base do futebol moderno. O desporto foi então baptizado de association football, distinguindo-se assim do rugby football e do gaelic football. Football Association são as palavras correspondentes às duas últimas letras do conhecido acrónimo FIFA, a organização que dirige mundialmente o futebol, o futsal e o futebol de praia e que é responsável por organizar os campeonatos mundiais destes desportos.
Note-se que o râguebi (rugby football) e o futebol gaélico (gaelic football), que se jogam essencialmente com as mãos, têm ambos a palavra football na sua génese. Porquê? Porque foot («pé») era usado para indicar um desporto praticado a pé, em oposição aos desportos a cavalo, que eram uma marca cultural e aristocrática no Reino Unido: a equitação, o polo, o turfe…»



Na rubrica Montra de Livros, destacamos um texto:

i. Um artigo de Inês Gama sobre o livro Modalidade e modo em português europeu, de Rui Marques.

Um excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra neste linque:
«Segundo o Dicionário Terminológico, a modalidade é uma categoria gramatical, da área da semântica, que descreve a atitude do falante perante a validade do conteúdo fixado no enunciado, representando valores como, por exemplo, os de probabilidade ou certeza (modalidade epistémica), ou de permissão e obrigação (modalidade deôntica). Já o modo é uma categoria morfológica que permite, no caso do português, distinguir a flexão verbal nas formas do indicativo, conjuntivo, imperativo e condicional. Portanto, embora sejam categorias distintas, muitos ainda as confundem como uma só. De modo a esclarecer esta questão, Rui Marques, professor associado na Universidade de Macau, elaborou a obra Modalidade e modo em português europeu, que, como o próprio indica no capítulo de apresentação, pretende, entre outros aspetos, esclarecer a relação entre modo e modalidade.»



Na rubrica Consultório, que permite que os consulentes façam perguntas aos especialistas do Ciberdúvidas – mas verificando primeiro se não existe já uma pergunta que tenha sido feita anteriormente e que responda a essa dúvida –, destacamos, esta semana, três questões: 

i. Sobre a vírgula antes de «que» consecutivo.

O artigo, que pode ser consultado aqui, responde à seguinte dúvida de um tradutor:
«Tenho encontrado informação um pouco contraditória em relação a esta questão de virgulação (na construção «tão […] que»):
«Foi um barulho tão forte que tive de tapar os ouvidos.»
ou
«Foi um barulho tão forte, que tive de tapar os ouvidos.»
A vírgula é obrigatória, opcional ou não deverá ter vírgula sequer? Existem fontes que abordem este assunto em particular?»


ii. Sobre valor comparativo vs. orações comparativas.

O artigo, que pode ser consultado aqui, responde à seguinte dúvida de um professor:
«No estudo das orações subordinadas, verifica-se que, regra geral, as adverbiais comparativas se posicionam à direita da subordinante. No entanto, admitindo que construções como «em relação ao seu irmão, o Pedro é mais inteligente» e «comparado ao seu irmão, o Pedro é mais inteligente» estejam correctas, o que justifica a anteposição da subordinada em relação à subordinante? Quanto à função sintáctica, serão modificadores da frase ou outra? Por outro lado, em comparativas como «sou mais inteligente do que o meu amigo» e «falo mais do que o meu pai», que funções sintácticas desempenham ambas?»


iii. Sobre a função sintática da oração subordinada adverbial consecutiva.

O artigo, que pode ser lido aqui, responde à seguinte dúvida de uma professora:
«Qual a função sintática da oração subordinada adverbial consecutiva «que já estou a pensar no próximo», na frase «Gostei tanto deste episódio que já estou a pensar no próximo.»?»



No âmbito da intenção de alargamento da ação do Ciberdúvidas nas redes sociais, foi lançado, como os sócios da APP já sabem, O Ciberdúvidas Vai às Escolas.

Este novo projeto leva o Ciberdúvidas às escolas onde se ensina a língua portuguesa, em Portugal e no mundo. Aí, de forma presencial ou à distância, um consultor do Ciberdúvidas esclarece, ao vivo e em direto, as dúvidas que os alunos têm relacionadas com questões gramaticais.
Estas sessões são gravadas em formato vídeo e serão divulgadas, posteriormente, nas redes sociais do Ciberdúvidas, no formato de vários pequenos vídeos (ou reels), que dão a conhecer o esclarecimento dado a cada uma das dúvidas apresentadas, de modo a que outros alunos e professores possam ter acesso aos conhecimentos envolvidos, para esclarecer dúvidas ou sistematizar conhecimentos.
As escolas interessadas em participar neste projeto, recebendo o Ciberdúvidas presencialmente ou à distância, poderão contactar os responsáveis pelo projeto por correio eletrónico: ciberduvidas@iscte-iul.pt

Esta semana, destacamos o vídeo n.º 35 com a resposta à dúvida colocada por um estudante do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte, Mação: 
O uso de “Houveram” está sempre errado?

A resposta, dada pela consultora Carla Marques, pode ser consultada no vídeo disponível aqui e começa por referir que, quando o verbo haver tem o sentido de existir, é errado usar a forma houveram, por ser, com este sentido, um verbo impessoal.




A rubrica Ciberdúvidas Responde, no episódio 75, fala sobre algumas diferenças entre o português europeu e o português do Brasil.

Assista a este vídeo para saber a resposta, dada pelo consultor Fernando Pestana, que começa por referir as diferenças no vocabulário futebolístico, ou não estivesse agora a começar o Campeonato do Mundo — ou a Copa do Mundo...




Fonte da imagem aqui.