Destaques do Ciberdúvidas – 16.10.26

Esta semana destacamos dois «Artigos», a «Montra de Livros», a rubrica «Abertura» e a rubrica «Consultório». No Consultório, refletimos sobre a elipse parcial do predicado, analisamos o advérbio «sequer» no português vicentino (séc. XVI) — e discutimos o género de «Metropolitano de Lisboa». Na Abertura, refletimos sobre os fenómenos de «cosplay» e os «cosplayers». Na Montra de Livros, destacamos o livro «A Natureza da Linguagem», de Alexandra Soares Rodrigues. Nos artigos, destacamos uma reflexão sobre «feminismo», uma palavra muito pesquisada em agosto de 2026, e uma outra sobre a pronúncia de «Nobel» como «Nóbel».
Na rubrica Artigos, destacamos dois textos:

i. Um artigo, de Margarita Correia, «Feminismo», sobre uma palavra muito pesquisada em agosto de 2026.

Excerto do artigo, que pode ser lido aqui:
«Durante o mês de agosto (de 2026), uma das seis palavras mais pesquisadas no Dicionário da Língua Portuguesa da Infopédia foi, pasme-se, feminismo. A palavra terá suscitado este pico de atenção talvez devido a publicações que circularam nos jornais e nas redes sociais relativas à criação de um tal «movimento das mulheres conservadoras», cujas fundadoras se propõem defender os «"valores tradicionais" e lutar contra o feminismo contemporâneo». Dir-se-ia que muitos usuários da Infopédia não conheciam o termo e, por isso, foram levados a pesquisá-lo, como se o feminismo tivesse nascido ontem, mas tal não é o caso.
Muito haveria a dizer sobre o anacronismo e a impertinência do referido movimento num país em que, por exemplo, cresce a violência doméstica e no namoro, e a igualdade salarial continua a ser uma miragem. Mas falemos, antes, da palavra feminismo, que tem cognatos em muitas línguas europeias.»


ii. Um artigo, de João Nogueira da Costa, sobre «A pronúncia de Nobel como “Nóbel”'» — e qual é a culpa do inglês?

Excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra aqui:
«Desde os seus primórdios, o Ciberdúvidas tem publicado vários artigos sobre a pronúncia de Nobel. Num artigo de 1997, intitulado "Fugiu o Nobel, ficou o erro", lê-se:
«"Nóbel", porquê "Nóbel" (como se continua a dizer, erradamente, no audiovisual português) se a pronúncia portuguesa é /No-bél/ (o mais aproximada da pronúncia original)?!»
Em 1998, afirmava-se no Ciberdúvidas: "Nó-bel é pronúncia inglesa."
Se os ingleses pronunciam assim, por que razão se diz que os portugueses pronunciam erradamente, como vemos escrito bastas vezes?...
Em 2022, num artigo intitulado "Outra vez a pronúncia de Nobel", partilhado no Facebook, deixei o seguinte comentário:
«POLEMICANDO:
É verdade que o apelido de Alfred Nobel se pronuncia, em sueco, como uma palavra aguda [nobél].
Por ser uma pronúncia sueca, não vejo por que razão se alude a uma regra portuguesa:
“Se Nobel tivesse a tónica na sílaba "nò", teria de ter acento gráfico na vogal o (repare-se que, por exemplo, túnel tem acento no u).”
Segundo alguns dicionários, o apelido sueco Nobel tem origem no adjetivo latino nobilis [nóbilis] («nobre»). Se isto estiver correto, não vejo por que razão se critica tanto a pronúncia portuguesa consagrada pelo uso: “Nóbel”. Julgo não estar errado, se disser que esta questão da pronúncia de Nobel só começou a ser posta em causa desde que Saramago foi distinguido com o Prémio Nobel, em 1998.»



Na rubrica Montra de Livros, destacamos um texto:

i. Um artigo, de Carla Marques, sobre o livro A Natureza da Linguagem, de Alexandra Soares Rodrigues.

Excerto do artigo, que pode ser lido aqui:
«Alexandra Soares Rodrigues lançou A Natureza da Linguagem, da editora Livros Zigurate. Trata-se de uma publicação que aborda questões diversas de natureza linguística sob uma perspetiva diferenciadora: a autora adota um tom dialógico por meio do qual convoca um leitor não especializado, para o conduzir numa viagem à descoberta do que é a linguagem, a língua, a linguística e outros tantos temas relacionados com esta área. 
A obra espanta, desde o seu início, o leitor desprevenido porque Alexandra Soares Rodrigues consegue retirar o tratamento de assuntos da linguística do escopo de uma textualidade séria, técnica e rigorosa, mas fria e distante, trazendo-o para um registo feito de pequenas narrativas, de perguntas e respostas e de incipits totalmente inesperados para uma publicação desta natureza.
Deliciemo-nos com o início do Capítulo 2, intitulado «Linguagem não é…»:
«Falemos de ovos.
Um homem vai a um mercado e compra ovos. Chega a casa e bate os ovos com açúcar, adiciona farinha e leva ao forno. Pergunta 1: O homem terá comprado mesmo ovos? Pergunta 2: Mas afinal este livro é sobre linguagem ou sobre ovos? Comecemos por responder à segunda pergunta: O livro é sobre linguagem; contudo, para que esta seja compreendida, é necessário esclarecermos o próprio uso da palavra linguagem e para isso vamos usar ovos.» (p. 32)»



Na rubrica Abertura, destacamos um texto:

i. Um artigo, da equipa do Ciberdúvidas, intitulado «Os fenómenos de cosplay e os cosplayers».

Excerto do artigo, que pode ser lido aqui:
«O IberAnime teve lugar nos espaços da Exponor, em Matosinhos, nos dias 9 a 11 de outubro de 2026. Trata-se de um evento que reúne adeptos da cultura japonesa, no decurso do qual se podem realizar atividades muito diversificadas: festival de J-Pop (música pop japonesa), concursos, mostras da cultura tradicional japonesa e cosplay (entre muitas outras possibilidades).
O fenómeno cosplay é relativamente recente em Portugal. O termo usado para o referir descreve a atividade de se vestir como uma personagem que se admira (de anime, de banda desenhada, dos videojogos, do cinema ou até da vida real), usando todos os seus adereços típicos. Este fenómeno passa além da indumentária porque também envolve um processo de "encarnação" de personagem, que implica assumir os seus trejeitos, poses, forma de andar e de falar e outros comportamentos típicos. Os cosplayers são tipicamente adolescentes e jovens que copiam as roupas e as maneiras dos seus heróis favoritos e que se reúnem em eventos públicos onde podem exibir o trabalho desenvolvido para se assemelharem à personagem que idolatram, podendo também participar em competições neste âmbito.»



Na rubrica Consultório, que permite que os consulentes façam perguntas aos especialistas do Ciberdúvidas – mas verificando primeiro se não existe já uma pergunta que tenha sido feita anteriormente e que responda a essa dúvida –, destacamos, esta semana, três questões: 

i. Sobre a «Elipse parcial do predicado».

A resposta, que defende que a frase em questão pode ser problemática do ponto de vista sintático, pode ser lida aqui e responde a esta dúvida colocada por um técnico superior:
«Na recente campanha do Metropolitano de Lisboa, para reforçar a vigilância dos passageiros sobre a sua segurança e os seus bens, lê-se a seguinte mensagem:
«Se algo não lhe parecer seguro, pode não ser. Na dúvida, recolha o máximo de elementos e avise um funcionário Metropolitano.»
Não há qualquer coisa de forçado na primeira frase: «Se algo não lhe parecer seguro, pode não ser.»?
Percebe-se que «pode não ser» se refere a «algo», mas afigura-se mais natural uma frase como «algo que não lhe pareça seguro pode não ser realmente»?
Porque acontece isto?»


ii. Sobre «O advérbio sequer no português vicentino (séc. XVI)».

A resposta pode ser consultada neste linque e esclarece a seguinte dúvida de uma professora: 
«Gostaria de saber como se deve interpretar a afirmação da Ama em Auto da Índia:
«Mostra-me essa roca cá:/ siquer fiarei um fio.
Trata-se de uma expressão de aceitação da tarefa de fiar ou de uma rejeição?»


iii. Sobre «O género de Metropolitano de Lisboa, E. P. E.».

A resposta à dúvida colocada por um consulente – «Venho colocar uma dúvida sobre o uso do feminino ou do masculino relativamente ao substantivo da empresa Metropolitano de Lisboa, E. P. E. De acordo com as vossas respostas a outras dúvidas relacionadas com os nomes de empresas ou marcas [...], tem sido demonstrado que o uso correto é a precedência do artigo definido feminino (a/as), por subentender-se o nome «empresa» ou «marca». Contudo, a empresa Metropolitano de Lisboa, E. P. E., é mencionada, no diploma que a rege, por «o Metropolitano de Lisboa, E. P. E.» (veja-se: Decreto-Lei n.º 148-A/2009, de 26 de junho). Questiono se nesta situação há um entendimento que permita o uso indiferenciado dos artigos definidos masculino e feminino.» – pode ser lida neste artigo.




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