Na rubrica Artigos, destacamos três textos: i. Um artigo, de Carla Marques, sobre a origem do verbo «queixar-se». Excerto do artigo, que pode ser lido aqui e que mostra que não há relação entre «queixar-se» e «queixo»: «Ao contrário do que poderia parecer plausível, o verbo queixar-se não se formou a partir do nome queixo. Na verdade, do ponto de vista etimológico, as palavras não estão relacionadas. Para José Pedro Machado, queixar-se deriva do latim vulgar quassĭāre (forma considerada hipotética), derivado de quassare, que tem o significado de «sacudir, agitar fortemente; bater, golpear fortemente, danificar» e, em sentido figurado, «enfraquecer; temer».» ii. Um artigo, de João Nogueira da Costa, sobre o nome geográfico «Puto» — uma nota para a história do português em Angola. Excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra aqui: «Conheço a palavra puto com dois significados: aquele que toda a gente conhece [criança pequena] e, pela leitura de obras de escritores angolanos, Puto com o significado de «Portugal», como regista a Infopédia: «HISTÓRIA gíria [com maiúscula] termo usado por militares portugueses destacados em Angola durante a Guerra Colonial para se referirem à metrópole portuguesa, isto é, a Portugal continental.» Hoje, com a ajuda do ChatGPT, encontrei algumas atestações em obras de autores angolanos. Assim, pude saber que Puto aparece como sinónimo de Portugal, sobretudo no registo coloquial / popular angolano. Em A Cidade e a Infância (1957), de José Luandino Vieira, uma frase é exemplo bastante claro: (1) «...quando vai no Puto deixa só negra com os filhos...».» iii. Um artigo, de Fernando Pestana, sobre paralelismo sintático — um princípio para a boa construção frásica. Excerto do artigo, que pode ser lido aqui: «Paralelismo sintático [a partir das lições de autores como Napoleão M. de Almeida, Evanildo Bechara, Maria Helena de Moura Neves e, especialmente, Othon M. Garcia] é um princípio de ordem estilística que colabora para a boa construção das frases, visando à simetria das partes que as compõem. Tal fato linguístico se manifesta sempre na coordenação entre segmentos linguísticos de mesma natureza sintática, como veremos mais abaixo. Portanto, verificar se uma frase teve ou não o paralelismo sintático respeitado pressupõe, sobretudo, o conhecimento do conceito de coordenação entre termos e orações. – O que é coordenação? Coordenação é a relação sintática na qual os elementos de mesma natureza sintática vêm numa sequência; tais elementos são sintaticamente independentes entre si, ou seja, não dependem do outro para figurar com autonomia na frase. Exemplos de termos coordenados entre si: – JOÃO, MARIA, JOSÉ são personagens bíblicos. – Preciso DE SAÚDE, DE PAZ E DE DISPOSIÇÃO. – ANTEONTEM E ONTEM fiquei em casa. Exemplo de orações coordenadas entre si (lembre que toda oração é constituída de verbo): – VIM, VI, VENCI. – ACORDAR CEDO e CAMINHAR UMA HORA faz um bem danado. – Não sei SE A VIDA É BOA ou SE É RUIM.» Na rubrica Montra de Livros, destacamos um texto: i. Um artigo, de Sara Mourato, sobre o livro 365 Dicas para não dar erros — ou como acabar de vez com as dúvidas gramaticais...' Excerto do artigo, que pode ser lido neste linque: «Publicado em agosto de 2026 pela Penguin, 365 Dicas para não dar erros, de Rita Asseiceiro, resulta do percurso da autora à frente do projeto Meia Dúzia de Erros, criado em 2020 nas redes sociais com o propósito de esclarecer dúvidas e curiosidades sobre a língua portuguesa. O livro retoma esse trabalho de divulgação e propõe, como o título indica, uma dica para cada dia do ano, procurando tornar o contacto com a língua mais simples, acessível e próximo do quotidiano. A obra está organizada em 13 capítulos, dedicados a diferentes áreas da língua portuguesa. A ortografia, a pontuação e a acentuação ocupam os primeiros capítulos, seguindo-se o acordo ortográfico e as particularidades do uso dos verbos, incluindo questões de regência. Há ainda espaço para dúvidas que surgem na confluência entre língua e matemática, como a escrita de números ordinais, a indicação das horas ou a diferença entre bilião e billion. Muitos dos exemplos partem de dúvidas ou usos facilmente reconhecíveis: trilogia ou "triologia"?; uma vírgula entre o sujeito e o predicado?; 3.º classificado ou, sem ponto abreviativo, 3º classificado?; bolo-rei ou «bolo rei»? Também questões como o género de diabetes, os plurais de palavras com diferentes terminações ou a regência de adjetivos e verbos encontram neste livro uma explicação acompanhada de exemplos concretos. A organização gráfica, que contrapõe frequentemente a forma incorreta à forma adequada, favorece uma consulta rápida e torna visível a diferença entre as duas possibilidades.» Na rubrica Consultório, que permite que os consulentes façam perguntas aos especialistas do Ciberdúvidas – mas verificando primeiro se não existe já uma pergunta que tenha sido feita anteriormente e que responda a essa dúvida –, destacamos, esta semana, três questões: i. Sobre «afigurar-se» e o predicativo introduzido por «como». A resposta à dúvida colocada – «Ouço e leio cada vez mais a expressão «afigura-se como». Acabo de ler «Isto afigura-se como um desafio complexo». Pergunta: o como está inquestionavelmente a mais, ou é aceitável?» – pode ser lida neste artigo. ii. Sobre «engulhado». A resposta pode ser consultada neste linque e esclarece a seguinte dúvida: «Poderiam dizer-me se esta frase está correta? «À resposta do enfermeiro, a utente respondeu engulhada.» Tendo em conta que nunca ouvi essa palavra, à qual, porém, achei bastante piada, aqui deixo a dúvida. Se estiver certa, aceitaria outros exemplos de como a usar.» iii. Sobre a correlação «quanto mais/menos... tanto mais/menos...». O artigo, que se pode ler aqui, responde à seguinte questão, defendendo que absolutamente nenhuma gramática normativa ou descritiva consultada desabona essa possibilidade de correlação: «São lícitas, sob o ponto de vista da norma culta, construções como as que seguem abaixo? (1) Quanto mais te conheço, tanto menos quero ficar contigo… (2) Quanto menos penso em você, tanto mais me sinto bem…» Fonte da imagem aqui.