Destaques do Ciberdúvidas – 30.1.26

Esta semana destacamos dois «Artigos», a rubrica «Consultório, a rubrica «O Ciberdúvidas Vai às Escolas» e a rubrica «O Ciberdúvidas Responde». No consultório, refletimos sobre «o que» e «aquele que» referidos a pessoas, discutimos a classe de palavras de «um» e analisamos o termo adequado para descrever uma pessoa que tem entre quarenta e quarenta e nove anos de idade. Nos artigos, destacamos uma reflexão sobre moda e língua, a partir da análise do termo outfit, e sobre a diferença entre os adjetivos «flamenco» e «flamengo».
Na rubrica Artigos, destacamos dois textos:

i. Um artigo, de Sara Mourato, sobre «moda e língua» — uma análise do termo outfit.
Excerto do artigo, que pode ser lido aqui:
«Etimologicamente, outfit surge no inglês em 1769 com o sentido de «equipar, aparelhar (um navio, etc.) para uma expedição» (Etymonline). A ideia de «artigos e equipamentos necessários para uma expedição» foi registada a partir de 1787, em inglês norte-americano, o que levou a significados mais amplos. A aceção de «roupas/conjuntos de roupa de uma pessoa» apareceu em 1852 e, ainda, um outro sentido foi documentado em 1883: a de «grupo de pessoas» (ibidem). A partir daí, difundiu-se internacionalmente, em grande parte por influência da cultura de moda e dos meios de comunicação.
Em português, outfit começou por circular em contextos ligados à moda, ao estilo de vida (lifestyle, outro anglicismo muito difundido) e ao marketing (mais outro) digital. Tornou-se comum em frases como «O meu outfit hoje» ou «Inspire-se nos nossos outfits da temporada». A frequência e aparente brevidade da palavra em ambientes virtuais contribuíram para que muitos falantes a adotem sem reflexão.»

ii. Um artigo de Inês Gama, «Guitarra flamenca», sobre a diferença entre os adjetivos flamenco e flamengo.
Excerto do artigo, que pode ser lido aqui:
«Quando nos referimos ao instrumento associado ao flamenco, o género musical e coreográfico tradicional da Andaluzia, marcado pelo canto, pela dança e pelo acompanhamento de guitarra, o adjetivo adequado é flamenco. Os dicionários registam flamenco tanto como nome como também como adjetivo, o que permite a formação regular do feminino flamenca. Já flamengo / flamenga tem um significado distinto e geograficamente marcado, pelo que «guitarra flamenga» seria interpretada como «guitarra da Flandres», algo totalmente alheio ao sentido pretendido.»


Na rubrica Consultório, que permite que os consulentes façam perguntas aos especialistas do Ciberdúvidas – mas verificando primeiro se não existe já uma pergunta que tenha sido feita anteriormente e que responda a essa dúvida –, destacamos, esta semana, três questões: 

i. Sobre «O que» e «aquele que» referidos a pessoas, a partir da seguinte dúvida:
«Na frase «Santo é o que procura a verdade», a utilização de «o que» para referir uma pessoa está correta? Se utilizar «aquele que» estará mais correto? Ou posso usar as ambas as formas?»
A resposta a essa dúvida sustenta que, «na construção em análise, «o que procura a verdade» equivale semanticamente a «aquele que procura a verdade». A substituição por «aquele que» não torna a frase mais correta, mas apenas mais explícita e enfática, uma vez que ambas as formas são normativas e reconhecidas pela gramática. A diferença entre elas é sobretudo estilística.»
A explicação pode ser lida neste artigo.

ii. Sobre a classe de palavras de um: «Um filho estuda Direito, o outro Medicina».
A resposta pode ser consultada neste linque e esclarece a seguinte dúvida: «...na frase «Um filho estuda Direito, o outro Medicina», o vocábulo um é artigo, numeral ou pronome indefinido? Por quê?
Caso seja pronome indefinido, pode ser substituído por qual pronome equivalente? Há um verbo implícito antes da palavra Medicina?»

iii. Sobre «Cinquentenário, quarentenário», em resposta à seguinte dúvida: 
«Cinquentenário está para 50. E qual é a palavra que está para 40?»
O artigo, que se pode ler aqui, defende que, «para descrever uma pessoa que tem entre quarenta e quarenta e nove anos de idade, usa-se o termo quadragenário.»


No âmbito da intenção de alargamento da ação do Ciberdúvidas nas redes sociais, foi lançado, como os sócios da APP já sabem, O Ciberdúvidas Vai às Escolas.

Este novo projeto leva o Ciberdúvidas às escolas onde se ensina a língua portuguesa, em Portugal e no mundo. Aí, de forma presencial ou à distância, um consultor do Ciberdúvidas esclarece, ao vivo e em direto, as dúvidas que os alunos têm relacionadas com questões gramaticais.
Estas sessões são gravadas em formato vídeo e serão divulgadas, posteriormente, nas redes sociais do Ciberdúvidas, no formato de vários pequenos vídeos (ou reels), que dão a conhecer o esclarecimento dado a cada uma das dúvidas apresentadas, de modo a que outros alunos e professores possam ter acesso aos conhecimentos envolvidos, para esclarecer dúvidas ou sistematizar conhecimentos.
As escolas interessadas em participar neste projeto, recebendo o Ciberdúvidas presencialmente ou à distância, poderão contactar os responsáveis pelo projeto por correio eletrónico: ciberduvidas@iscte-iul.pt

Esta semana, destacamos o vídeo 53 com a resposta à dúvida colocada por um estudante do AE Albufeira Poente, em Albufeira: 
O que é correto: "É que eu disponibilizei-me..." ou "É que eu me disponibilizei..."? Onde se deve colocar o pronome?

A resposta, dada pela consultora Carla Marques, pode ser consultada no vídeo disponível aqui e explica que, em português europeu, a colocação normal do pronome é depois do verbo, mas que a estrutura «é que», que deve ser evitada no registo escrito e formal, desencadeia uma próclise.


Na rubrica Ciberdúvidas Responde, no episódio 57, a consultora Inês Gama aborda o feminino dos nomes.
Assista a este vídeo para saber a resposta, que analisa vários exemplos, incluindo aqueles que, como maestra / maestrina, denotam escolhas linguísticas, mas também identitárias e simbólicas, que refletem a luta por igualdade em meios historicamente masculinos.


Fonte da imagem aqui.