Destaques do Ciberdúvidas – 6.2.26

Esta semana destacamos a «Montra de Livros», um «Artigo», a rubrica «Consultório, a rubrica «O Ciberdúvidas Vai às Escolas» e a rubrica «O Ciberdúvidas Responde». Na Montra de Livros, destacamos uma obra sobre o digital no ensino do Português. No Consultório, refletimos sobre a mesóclise na oralidade, analisamos a concordância do pronome indefinido todo e examinamos pronomes relativos e ambiguidade quanto ao antecedente. Nos Artigos, destacamos uma reflexão sobre o uso dos clíticos com o verbo querer.
Na rubrica Montra de Livros, destacamos um texto de Inês Gama sobre O digital no ensino do Português — Ensaios didáticos, de Ana Maria Machado.

Esta obra, escreve Inês Gama aqui, é destinada a professores de Português (desde o ensino básico até ao ensino universitário), formadores e estudantes, e «oferece exemplos de atividades, sequências didáticas e projetos que pretendem responder aos desafios atuais do ensino sem perder de vista a centralidade da língua como ferramenta de pensamento, comunicação e cidadania. Do ponto de vista estrutural, esta publicação organiza-se em três grandes partes: uma primeira, composta por oito textos, centrada nas práticas de ensino em contexto de confinamento; uma segunda parte que reúne dois artigos dedicados à escrita digital em sala de aula; e, por fim, uma terceira parte que integra seis ensaios que exploram a relação entre literatura e literacia digital.»

Excerto:
«Ainda no conjunto de textos que integram a publicação, merece igualmente destaque o artigo "Literatura digital e desafios educativos dos novos media: ler Cantiga de Rui Torres", da autoria de Ana Maria Machado. Neste ensaio, a editora explora o potencial pedagógico da poesia digital através da leitura da versão gerativa da Cantiga de Rui Torres (2020), articulando-a com a obra homónima de Salette Tavares (1959–1960). De forma sintética, a autora evidencia como a exploração do esquema combinatório subjacente ao poema, a rede intertextual que convoca a tradição trovadoresca e o uso do software Poemário contribuem para sensibilizar os alunos para a musicalidade, a criatividade e a multiplicidade interpretativa inerentes aos processos de geração textual.»



Na rubrica Artigos, destacamos um texto:

i. Um artigo, de Carla Marques, sobre as «Particularidades do verbo querer» e o uso dos clíticos com o verbo, a partir da seguinte dúvida: «Qual a opção que corresponde à forma correta de substituir os constituintes sublinhados na frase «A Maria quer a fita e tu queres a pasta.»?»

A explicação pode ser lida neste artigo e defende que na frase «A Maria quer a fita e tu queres a pasta.», ambos os constituintes «a fita» e «a pasta» deverão ser substituídos pelo pronome pessoal com a forma -a.
«No entanto, esta substituição não é automática porque o verbo querer tem algumas particularidades que importa recordar.
Na 3.ª pessoa do singular, embora a forma do verbo querer seja quer, terminada em -r, como em «A Maria quer», quando a forma verbal encontra o pronome -o ou -a, assume a forma quere – com e no final. Assim, escrevemos «quere-a», com -e antes do hífen que liga o pronome -a ao verbo.
Quando o verbo se encontra na 2.ª pessoa do singular, com a forma queres, perderá o -s final quando encontra o pronome -o ou -a e este ganha um l- inicial. O segmento de frase «tu queres a pasta» é, deste modo, equivalente a «tu quere-la».
Em síntese, a frase «A Maria quer a fita e tu queres a pasta.» é equivalente à frase «A Maria quere-a e tu quere-la.».»



Na rubrica Consultório, que permite que os consulentes façam perguntas aos especialistas do Ciberdúvidas – mas verificando primeiro se não existe já uma pergunta que tenha sido feita anteriormente e que responda a essa dúvida –, destacamos, esta semana, três questões: 

i. Sobre as «A mesóclise na oralidade em Portugal», a partir da seguinte dúvida: «Gostava de saber se existem estudos sobre o uso e a frequência da mesóclise na fala em português europeu.
Nos debates presidenciais, ouvi, por exemplo, por parte dum candidato: «claro, fá-lo-ia, se...»
Encontro mesóclises na escrita, mas muito raramente na fala.»

A explicação pode ser lida neste artigo e defende que «existem estudos sobre o uso e a frequência da mesóclise na fala em português europeu.»
Excerto:
«A construção «fá-lo-ia» – com o pronome pessoal (-lo-), colocado no meio1 do radical do verbo (far-) e do sufixo de pessoa-número (-ia) –, ouvida pelo consulente da parte de um dos candidatos a Presidente da República, está correta, revela um conhecimento linguístico que nem todos os falantes dominam (ou conhecem) e, muitas vezes, substituem-na por um complexo verbal, com valor temporal «de futuro próximo»: ia ou iria fazê-lo (verbo auxiliar ir, flexionado no pretérito imperfeito do indicativo ou no condicional + verbo principal fazer, flexionado no infinitivo). A complexidade da estrutura mesoclítica faz com que muitos falantes encontrem outras soluções linguísticas (algumas erradas, outras perfeitamente aceitáveis, corretas).»

ii. Sobre o «Pronome indefinido todo e concordância».
A resposta pode ser consultada neste linque e esclarece a seguinte dúvida: «Na frase «Sandrinha era toda sorriso e simpatia», a palavra toda é pronome indefinido nesta frase? Ou qual classe gramatical?
Por que [razão a] palavra toda concorda com sorriso, e não com Sandrinha? A palavra toda exerce a função sintática de predicativo do sujeito? Ou adjunto adnominal?»

iii. Sobre «Pronome relativo e ambiguidade quanto ao antecedente», em resposta à seguinte dúvida: 
«Na frase «Consegui retornar ao colégio do bairro que marcou minha vida», há ambiguidade.
Que pronome relativo devo colocar no lugar do que para indicar que foi o bairro que marcou minha vida?Mas, se quero afirmar que foi o colégio que marcou minha vida, que pronome relativo devo colocar?»

Excerto da explicação, que pode ser lida aqui:
«Com a estrutura que apresenta, a frase será sempre ambígua, a não ser que exista contexto anterior que a clarifique. Neste caso, como refere o consulente, o pronome relativo poderá assumir como antecedente tanto o nome bairro como o sintagma nominal «colégio do bairro». Por esta razão, a interpretação ficará comprometida uma vez que o interlocutor não conseguirá determinar a que realidade o locutor se refere.»



No âmbito da intenção de alargamento da ação do Ciberdúvidas nas redes sociais, foi lançado, como os sócios da APP já sabem, O Ciberdúvidas Vai às Escolas.

Este novo projeto leva o Ciberdúvidas às escolas onde se ensina a língua portuguesa, em Portugal e no mundo. Aí, de forma presencial ou à distância, um consultor do Ciberdúvidas esclarece, ao vivo e em direto, as dúvidas que os alunos têm relacionadas com questões gramaticais.
Estas sessões são gravadas em formato vídeo e serão divulgadas, posteriormente, nas redes sociais do Ciberdúvidas, no formato de vários pequenos vídeos (ou reels), que dão a conhecer o esclarecimento dado a cada uma das dúvidas apresentadas, de modo a que outros alunos e professores possam ter acesso aos conhecimentos envolvidos, para esclarecer dúvidas ou sistematizar conhecimentos.
As escolas interessadas em participar neste projeto, recebendo o Ciberdúvidas presencialmente ou à distância, poderão contactar os responsáveis pelo projeto por correio eletrónico: ciberduvidas@iscte-iul.pt

Esta semana, destacamos o vídeo 53 com a resposta à dúvida colocada por um estudante do AE Albufeira Poente, em Albufeira: 
Por que razão “cor-de-rosa” leva hífen e “fim de semana” não leva?

A resposta, dada pela consultora Carla Marques, pode ser consultada no vídeo disponível aqui e começa por explicar que uma locução é um conjunto de palavras que formam um único sentido, como é o caso de «fim de semana», uma locução substantiva, e recorda que o AO de 90 determinou que um conjunto de locuções passava a ser escrito sem hífen — mas há algumas exceções, relacionadas com a tradição, como é o caso de «água-de-colónia», «mais-que-perfeito», «pé-de-meia», entre outras, como «cor-de-rosa».



Na rubrica Ciberdúvidas Responde, no episódio 58, a consultora Sara Mourato aborda a representação fonética das vozes dos animais — com onomatopeias ou verbos específicos.

Assista a este vídeo para saber a resposta, que começa por analisar algumas onomatopeias — palavras que imitam sons da realidade —, e alguns verbos, muitos dos quais têm origem onomatopaica.



Fonte da imagem aqui.