Garças, cegonhas e outras aves aquáticas

Em tempos de confinamento, a Antena 2 abriu uma janela para o mundo das aves, símbolo por excelência da liberdade, e fruindo também de obras da tradição musical erudita europeia — num dos casos, com uma peça de Hélio Alves.
Cada programa era dedicado a uma ave ou grupo de aves, que podíamos ver e/ou ouvir nessa altura, mesmo em cidades, através das janelas das nossas casas. A partir desta referência, podemos escutar os sons que produzem, uma representação musical da mesma, ou composições que de algum modo a ela aludem, os respetivos habitats de ocorrência, e assim ficarmos a conhecer melhor as aves.

No contexto da pandemia, a partir da evocação das aves, foi uma forma de contribuir para algum alívio dos efeitos negativos do confinamento; promover uma consciência ecológica, partindo de conhecimento específico sobre as aves; divulgar repertórios musicais porventura menos conhecidos do grande público, selecionados de acordo com o critério da sua ligação simbólica ao universo das aves e da natureza em geral; contribuir para a fruição estética desses repertórios; divulgar, a nível nacional, o trabalho desenvolvido na Universidade de Évora, no âmbito das áreas científicas da Biologia e da Musicologia, bem como no que concerne à interpretação musical.

Os vários programas da série «Da minha janela… Aves e Música em tempos de confinamento» foram produzidos por Ana Telles e João E. Rabaça. 


No episódio 6, intitulado «Garças, cegonhas e outras aves aquáticas», podemos ouvir uma peça de Hélio Alves, cuja entrevista foi publicada na revista Palavras n.º 62/63. É uma feliz coincidência podermos ouvir agora uma peça do seu Concerto em Macau, um dos dois álbuns de originais para piano solo que gravou.

Neste caso, trata-se de uma peça com uma certa ressonância jazzística, que o seu autor, que a interpreta, descreve assim: «Acredito na beleza do momento inesperado. A garça, em meio a pontes e viadutos em frenesi, foi o inesperado mais precioso. Andou por ali, a brincar com a água, em meio ao turbilhão indiferente da cidade. Depois voou para longe — e foi como uma nostalgia infinita de justiça.»


Audição da peça — programa 6 — e fonte da imagem aqui.