Umcoletivo é uma Associação Cultural, fundada em 2013, que desenvolve atividades no âmbito da criação artística, tendo como eixos a relação com o território, a exploração plástica da palavra e a convocação do público para o epicentro do objeto artístico – onde transversalmente se encontra uma ideia de reescrita, de tempo real e de voz. Após desenvolver uma forte relação com Elvas, local onde esteve sediada até 2022, a associação foi responsável por muitas das atividades desenvolvidas na cidade, nomeadamente o “ACTO – Festa do Teatro em Elvas” e o “A Salto – Tomada Artística da Cidade de Elvas”, entre muitos outros projetos, de que podemos destacar o Museu Nómada Lungo Drom — a Viagem. Lungo Drom é uma proposta para, através de práticas artísticas interdisciplinares, construir uma estrada longa, em forma de Museu Nómada, que minore as ancestrais clivagens entre sociedade maioritária e comunidade cigana, no Alto Alentejo. Em parceria com a associação cigana Sílaba Dinâmica, com quem trabalharam mais pontualmente ao longo dos últimos 8 anos, e no contexto do trabalho formal com o Agrupamento de Escolas José Régio – Escola dos Assentos, Escola José Régio e Escola de Alegrete, bem como com o Instituto Politécnico de Portalegre – Escola Superior de Educação, e ainda nos contextos informais com a Cooperativa Operária Portalegrense, a associação Umcoletivo tem vindo a concretizar um conjunto de objetos artísticos que integram a coleção de um museu nómada, com vários artistas (Herlandson Duarte, Séfora Vargas, Pavel Tavares, Amargooo, Mariana Bragada, Susana Chico, Sara Afonso, Jorge Moita e Judite Dinis, Diego El Gavi, Natália Serrana e Maria Gil) e alunos dessas escolas. O Museu vai estar em exposição na Casa da Cultura de Elvas, no dia 21 de junho. A peça Pândiga, com Santi Senso, vai estrear em Cáceres, na Plaza de San Jorge, no dia 14 de junho. Pândiga nasceu do encontro com a Farsa das Ciganas, de Gil Vicente, que, em 1521, relatava a chegada do povo cigano a Portugal. Cinco anos depois, com a promulgação das primeiras leis repressivas pelo rei D. João III, tornou-se evidente a importância da peça na construção de um mundo imaginário que alimentava a suspeita, o medo e a exclusão. Hoje, cinco séculos depois, as companhias Umcoletivo, dirigida por Cátia Terrinca (Portugal), e Actos Íntimos, dirigida por Santi Senso (Espanha), voltam ao texto para o interrogar à luz dos 500 anos que nos separam dele: aqueles que vêm de outros lugares continuam a sonhar com esta velha Europa, um lugar de sonhos e possibilidades, mesmo quando muitos dos que aqui vivem já deixaram de acreditar nela. Aqueles que vêm de outros lugares aproximam-se com o desejo radical e simples de compartilhar a sua cultura ancestral, como alguém que corta uma laranja e distribui os gomos sobre a mesa, confiando que há lugar para todos. Pândiga é a celebração tardia e sincera que aprendemos com o povo cigano: uma prática de encontro. A celebração dá-se no gesto de reescrever a farsa, que os encenadores querem transformar em celebração, porque acreditam que, se o teatro outrora serviu para estabelecer fronteiras simbólicas, hoje ele pode tornar-se um espaço de acolhimento, cidadania e reinvenção das comunidades. Mais informações e fonte da imagem aqui. A peça Pândiga vai ter lugar em Portugal, no dia 20 de junho, em Portalegre; 26 de junho, no Vale da Amoreira, na Moita; no dia 10 de julho, em Elvas; no dia 13 de julho, em Reguengos de Monsaraz; no dia 9 de setembro, em Évora; no dia 7 de outubro, de novo em Évora; e nos dias 11 e 12 de outubro, de novo em Portalegre. Mais informações aqui.