Revisão das Aprendizagens Essenciais – 3.ª fase

Esta semana, a APP enviou à DGE dois documentos que prosseguem a revisão das Aprendizagens Essenciais (AE), na sua terceira fase.
Os dois documentos, em nome da APP e da ANPROPORT, retomam e concretizam o pedido feito em julho, relativamente à revisão das Aprendizagens Essenciais (AE) de Português, como referimos nesta notícia, de

i. Completar a revisão do domínio da Oralidade, de todos os ciclos, incluindo uma proposta sobre a «Compreensão da Oralidade» (a proposta que tínhamos feito incidiu apenas na «Expressão Oral»).

ii. Rever, de forma completa, os «Tópicos de Conteúdo» das obras propostas em Educação Literária, no ensino secundário, de forma a serem atualizados por especialistas nas referidas obras.

iii. Integrar, na coluna de «AE: Conhecimentos, Capacidades e Atitudes», no domínio da Educação Literária, em todos os ciclos, um conjunto de competências complexas de leitura, que precisam urgentemente de ser mobilizadas, uma vez que constatamos, pelos resultados da avaliação externa e pelos estudos internacionais, que os alunos manifestam fragilidades na competência leitora e que, ao longo do seu percurso escolar, são desenvolvidas principalmente competências de menor complexidade cognitiva.

 

Os dois documentos enviados agora sintetizam esse pedido anterior em termos de:

i. Um documento com a revisão, a partir 5.º ano, inclusive, dos domínios da Oralidade, da Leitura, da Escrita e da Educação Literária, desenvolvida no sentido de uma maior articulação dos vários domínios e com a integração de competências complexas, em Leitura e Educação Literária, de forma a propiciar um desenvolvimento coerente, coeso e mais aprofundado das aprendizagens dos alunos, explicitando as dimensões ensináveis e integrando tipos de texto não previstos na versão anterior, de forma a ajustar as AE tanto às novas realidades sociodiscursivas presentes na sociedade como à diversidade textual que importa que os alunos conheçam no quadro da escolaridade obrigatória.

Estas orientações poderão, assim, colocar os vários domínios ao serviço de uma «literacia mais compreensiva e inclusiva», por permitirem uma aprendizagem mais robusta e consolidada da parte dos alunos, com níveis cognitivos de nível mais elevado, e uma melhor didatização, por parte dos professores.

Neste contexto, numa articulação entre várias competências – com uma melhor fluência da leitura, um conhecimento mais profundo da consciência linguística, uma melhor compreensão dos discursos e dos textos literários e uma melhor capacidade para elaborar textos de diferentes géneros –, e tornando-se a leitura um hábito diário, neste contexto, como dizíamos, uma aprendizagem mais robusta e consolidada permitirá que o prazer de ler evolua e se desenvolva no prazer de interpretar e de pensar autónoma e criticamente sobre os textos lidos e ouvidos, e que os alunos possam expor as suas ideias, por escrito e em público, com rigor argumentativo, fluência discursiva, diversidade lexical, recursos gramaticais diversificados – e com à-vontade e controlo da voz e do corpo, no caso da expressão oral.

 

Neste sentido, e para tornar a leitura um hábito diário, propomos, nas competências a desenvolver pelos alunos em Educação Literária, um projeto pessoal de leitura autónoma e por prazer, que prevê 30 minutos por dia de leitura, para os alunos do ensino básico, até ao 9º ano, inclusive, e 60 minutos por dia, para os alunos do ensino secundário.

 

ii. Um documento com a atualização das obras de Educação Literária, desde o 6.º ano de escolaridade, inclusive, tendo em conta a proposta feita pelo Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a quem foi pedido um parecer.

 

Apesar deste trabalho mais aprofundado e demorado que, suas múltiplas dimensões, terá, na nossa perspetiva, um impacto positivo na qualidade das aprendizagens dos alunos e do trabalho das escolas, facilitando a didatização dos vários domínios pela explicitação das suas dimensões ensináveis, ainda ficam a faltar duas dimensões de revisão das AE, relativamente à lista de obras de Educação Literária:

a. Alguns tópicos de conteúdo da lista proposta para o secundário.

b. As edições de referência das obras obrigatórias, que não foram indicadas, salvo algumas situações particulares.

 

 

Aproveitámos a mensagem enviada para insistir na disponibilidade de a APP apoiar, no contexto que a DGE vier a definir – ou por contacto direto com a associação (secretaria@app.pt) –, as escolas que estão no projeto piloto de pré-implementação das AE revistas, de modo a respondermos a dúvidas ou questões que provavelmente os professores tenham em relação às alterações introduzidas.

 

 

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