«A inocência interroga o admirável do mundo. A inocência tem a ver com estar disposto a ser afetado, estar disposto a receber aquilo que há, admirar-se com aquilo que há. Mas, ao mesmo tempo, já há esse elemento crítico a surgir, a que [Fernando Gil] chama «sem ingenuidade», porque é interrogante essa admiração, essa interrogação traz uma admiração. Num outro texto, fala dessa pergunta muito metafísica, porquê o ser em vez do nada?, que pelo menos de Leibniz a Heidegger se fez, talvez antes, mas não desta forma. E que ele, nas Viagens do Olhar, rejeita sem um sensacionalismo: é que, a partir de certa altura, e cada vez mais, [Fernando Gil] interessa-se por perguntas que tenham a ver com ser perecível, com aceitar que há a morte. Porquê o ser em vez do nada é irrespondível, mas a razão, como Kant mostrou, está sempre a fazer perguntas para as quais não tem resposta.» Filomena Molder (2026). A Ronda da Noite (episódio 49, 17.mar.26, entre os minutos 0:21:20 e 0:22:45). Antena 2. Conversa na íntegra aqui, com Filomena Molder, Diogo Pires Aurélio e Luís Caetano, sobre Fernando Gil: a inteligibilidade do inexprimível no olhar sobre a música e a poesia, a ação fundadora e um olhar à filosofia, hoje. Fonte da imagem aqui.