Destaques do Ciberdúvidas – 1.5.26

Esta semana destacamos a «Montra de Livros», a rubrica «Artigos, a rubrica «Consultório, a rubrica «O Ciberdúvidas Vai às Escolas» e a rubrica «O Ciberdúvidas Responde». No Consultório, discutimos sobre «oxalá» e a colocação dos pronomes átonos, refletimos o japonesismo «otaku» e analisamos o advérbio «já» e o contraste entre coordenadas. Na Montra de Livros, destacamos o livro «Proto: Uma história da linguagem». Nos Artigos, destacamos dois textos: um artigo sobre a troca gradual da palavra «trabalhador» por «colaborador» e outro sobre a locução «vão de escada».
Na Montra de Livros, destacamos um artigo, de Sara Mourato, sobre o livro Proto: Uma história da linguagem.

Excerto do artigo, que pode ser lido aqui:
«Proto: Uma história da linguagem, de Laura Spinney, é uma obra da escritora e jornalista britânica, publicada em Portugal pela editora Temas e Debates, em 2026.
Nesta obra, a autora apresenta uma análise sobre a origem e a difusão das línguas indo-europeias, acompanhando o percurso de uma língua ancestral nunca registada por escrito. O livro articula contributos da linguística histórica, da arqueologia e da genética, relacionando a expansão linguística com os movimentos humanos ao longo do tempo.
A organização segue um critério simultaneamente cronológico e geográfico. Na introdução, Ariomania, a autora aborda o enquadramento histórico do estudo do protoindo-europeu, incluindo as interpretações ideológicas que, durante algum tempo, marcaram esta área de investigação. Este ponto de partida contribui para situar o leitor no plano científico e histórico da obra.»



Na rubrica Artigos, destacamos dois textos:

i. Um artigo de Inês Gama, intitulado «O uso de eufemismos no mundo empresarial», sobre a troca gradual da palavra trabalhador por colaborador.

Excerto do artigo, que pode ser lido aqui:
«Esta sexta-feira, dia 1 de maio, é dia de sair à rua. Sair para celebrar a dignidade de quem vive do seu trabalho. É dia de celebrar o trabalhador. No entanto, começam a surgir sinais preocupantes de que a realidade laboral se vai afastando progressivamente do respeito por quem trabalha e vive do seu esforço. Um dos sinais mais subtis, mas também dos mais eficazes nessa transformação, está na linguagem usada no mundo empresarial. Convém reparar que as palavras que usamos, incluindo no contexto laboral, não são inocentes. Servem para moldar perceções, diluir conflitos e tornar aceitável aquilo que, dito de forma direta, provocaria incómodo ou resistência.
Um dos exemplos mais evidentes é a gradual substituição da palavra trabalhador por colaborador. À primeira vista, colaborador soa mais simpático, mais moderno, evocando cooperação e espírito de equipa. Contudo, a escolha deste termo em detrimento de trabalhador está longe de ser neutra. Chamar colaborador a quem vende a sua força de trabalho em troca de um salário contribui para disfarçar a relação de dependência económica e hierárquica que continua a existir. Mas será que colaborador pode, de facto, ser um sinónimo de trabalhador?»


ii. Um artigo de Carla Marques, intitulado «Vão de escada», sobre significado desta locução.

Excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra aqui: 
«Qual o significado da locução «vão de escada» em expressões como «conversas de vão de escada» ou «empresa de vão de escada»?
A locução «vão de escada» significa, do ponto de vista denotativo, o mesmo que «espaço compreendido entre os degraus de um andar e o outro que lhe fica superior». No entanto, pode ser incluída em expressões referentes a empresas, escritórios ou mesmo a pessoas ou às suas atividades, como «empresa de vão de escada», «empregado de vão de escada» ou «conversas de vão de escada». Este usos ativam o valor conotativo da locução «vão de escada» com o significado de coisa irrelevante, de falta de condições ou de pessoa ou tema de natureza irrelevante ou maliciosa.»



Na rubrica Consultório, que permite que os consulentes façam perguntas aos especialistas do Ciberdúvidas – mas verificando primeiro se não existe já uma pergunta que tenha sido feita anteriormente e que responda a essa dúvida –, destacamos, esta semana, três questões: 

i. Sobre «oxalá» e a colocação dos pronomes átonos.

A explicação pode ser consultada aqui e responde à seguinte dúvida: 
«Qual é a forma correta?
«Oxalá ele se lembre» ou «oxalá ele lembre-se»?»


ii. Sobre o japonesismo «otaku».

A resposta, que pode ser lida aqui, responde a esta dúvida colocada por um ilustrador, quadrinista, escritor, pintor, letrista e poeta: 
«Qual a etimologia (origem) de otaku, que significa «viciado em mangás e animes»?
E qual será também o feminino de otaku mesmo?»


iii. Sobre o advérbio «já» e o contraste entre coordenadas.

Excerto da explicação, que pode ser lida aqui, e que responde à seguinte dúvida:
«Na frase «Ontem esteve sol, já hoje choveu todo o dia!», como classificamos o processo de ligação entre as duas orações? Coordenação? Subordinação?
E como classificamos a palavra  nesta frase? Conjunção?»



No âmbito da intenção de alargamento da ação do Ciberdúvidas nas redes sociais, foi lançado, como os sócios da APP já sabem, O Ciberdúvidas Vai às Escolas.

Este novo projeto leva o Ciberdúvidas às escolas onde se ensina a língua portuguesa, em Portugal e no mundo. Aí, de forma presencial ou à distância, um consultor do Ciberdúvidas esclarece, ao vivo e em direto, as dúvidas que os alunos têm relacionadas com questões gramaticais.
Estas sessões são gravadas em formato vídeo e serão divulgadas, posteriormente, nas redes sociais do Ciberdúvidas, no formato de vários pequenos vídeos (ou reels), que dão a conhecer o esclarecimento dado a cada uma das dúvidas apresentadas, de modo a que outros alunos e professores possam ter acesso aos conhecimentos envolvidos, para esclarecer dúvidas ou sistematizar conhecimentos.
As escolas interessadas em participar neste projeto, recebendo o Ciberdúvidas presencialmente ou à distância, poderão contactar os responsáveis pelo projeto por correio eletrónico: ciberduvidas@iscte-iul.pt

Esta semana, destacamos o vídeo n.º 59 com a resposta à dúvida colocada por uma estudante do Agrupamento de Escolas de Condeixa-a-nova: 
Como se distingue o valor aspetual habitual do iterativo?

A resposta, dada pela consultora Carla Marques, pode ser consultada no vídeo disponível aqui e que começa por referir que o aspeto iterativo e o aspeto habitual estão relacionados com a ideia de repetição de situações que são descritas numa frase.



A rubrica Ciberdúvidas Responde, no episódio 66, fala-nos sobre os usos do ponto e vírgula.

Assista a este vídeo para saber a resposta, dada pela consultora Carla Marques, que informa que o ponto e vírgula foi introduzido por Aldo Manúcio, um impressor e humanista italiano, no Renascimento.



Fonte da imagem aqui.