Destaques do Ciberdúvidas – 13.2.26

Esta semana destacamos dois «Artigos», a rubrica «Consultório», a rubrica «O Ciberdúvidas Vai às Escolas» e a rubrica «O Ciberdúvidas Responde». No Consultório, refletimos sobre o adjetivo «climático», analisamos a sintaxe do verbo «deixar» e examinamos os auxiliares «haver de» e «ir». Nos Artigos, destacamos uma reflexão sobre a atualidade de um pronome em eleições presidenciais e outra sobre um termo da área dos espetáculos.
Na rubrica Artigos, destacamos dois textos:

i. Um artigo, de Marcela Faria, sobre «Seguro, como Marcelo, um presidente que não se esquece de vós» — a atualidade de um pronome em eleições presidenciais.

Excerto do artigo, que pode ser lido aqui:
«Marcelo Rebelo de Sousa, em 2016, na receção, em Belém, à seleção portuguesa de futebol sénior masculino, após a conquista do campeonato da Europa, além de ocorrências de vocês e de formas verbais de terceira pessoa do plural em alocução, disse:
«[...] Campeões, campeões, que aqui estais…
[...] Essa condecoração, que é a ordem de mérito, não é a maior condecoração que ides receber ou que já recebestes. Essa condecoração que já recebestes foi a dada pelo povo português, uma condecoração feita de orgulho e de gratidão. Orgulho por aquilo que fizestes durante mais de um mês por Portugal.»

Há outros exemplos, noutras situações. O ponto é este: a segunda pessoa do plural gramatical (vós e as respetivas formas verbais e complementos, como, por exemplo, convosco ou vos) era uma opção linguística presente em produções do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa.»


ii. Um artigo, de Carlos Rocha, sobre «Frente de casa» — um termo da área dos espetáculos.

Pergunta o autor: o que significa ao certo «frente de casa», como vocábulo composto referente à gestão de uma sala de espetáculos, em especial, de teatro? E acrescenta: 
«Surpreendido por este uso em Portugal, no Guia para Gerir Incidentes e Promover Segurança na Cultura (janeiro de 2026, pp. 6 e 8), descubro que é, afinal, corrente nas atividades das salas de espetáculo, embora não pareça estar dicionarizado há muito tempo.»

O artigo, que pode ser lido na íntegra neste linque, conclui que 
«Para o português, «assistente(s) de sala» afigura-se como boa solução vernácula, mas a verdade é que «frente de casa», decalque bastante provável do inglês «front of house», terá maior curso, supondo, não obstante, que o conceito associado não seja assim tão antigo. Com efeito, a não ser em salas como as dos teatros nacionais, dada a escassez de pessoal auxiliar, as funções denotadas pela expressão em apreço eram desempenhadas frequentemente por uma pessoa apenas – um fiel, como também era chamado –, que as acumulava com outras tarefas (ver fiel no dicionário da Academia das Ciências de Lisboa).»



Na rubrica Consultório, que permite que os consulentes façam perguntas aos especialistas do Ciberdúvidas – mas verificando primeiro se não existe já uma pergunta que tenha sido feita anteriormente e que responda a essa dúvida –, destacamos, esta semana, três questões: 

i. Sobre «climático», a partir da seguinte questão:
«Quando falamos de factores ou condições de clima devemos usar o adjectivo «climáticos» ou «climatéricos»?
Não terá o último termo a ver com «climatério»?»

A explicação defende que climático ou climatológico são preferíveis e pode ser lida neste artigo.


ii. Sobre a sintaxe do verbo deixar.

A resposta, que pode ser consultada neste linque, defende que «os testes habitualmente utilizados para distinguir modificadores de complementos oblíquos apontam de forma consistente para a análise de «onde calhava» como complemento oblíquo» e esclarece a seguinte dúvida:
«Na frase «Deixava as chaves onde calhava.», a oração subordinada substantiva relativa «onde calhava» desempenha a função de modificador ou de complemento oblíquo?
Parece-me que tem uma função similar à que tem na frase «Colocava as chaves onde calhava», ou seja, complemento oblíquo.
Porém, já vi a expressão da primeira frase classificada como modificador. Entendo que o verbo deixar implica deixar algo em algum lugar, tal como o verbo colocar.»


iii. Sobre «Os auxiliares «haver de» e ir», em resposta à seguinte dúvida: 

«O Ciberdúvidas é uma pequena (grande) joia. É muito gratificante esclarecer algumas dúvidas nesta página. Parabéns pelo vosso trabalho.
Uma pequena dúvida com o verbo haver (presente do indicativo) + de + infinitivo e ir (presente do indicativo) + infinitivo.
«Eu hei de fazer as pazes com o Afonso» e «Eu vou fazer as pazes com o Afonso» transmitem a mesma informação?
A dúvida prende-se com o uso do presente do indicativo nas frases. Ao usá-lo estamos a transmitir (em ambas frases) uma certeza, um facto e/ou uma realidade num futuro próximo? Que vou realmente fazer as pazes com o Afonso. Existe alguma nuance?»

Excerto da explicação, que pode ser lida aqui:
«De uma forma genérica, o uso tanto do auxiliar haver (de) (no presente do indicativo) + infinitivo como do auxiliar ir (no presente do indicativo) + infinitivo expressam um valor de futuridade relativamente ao momento da enunciação.
Deste modo, as frases (1) e (2) são equivalentes relativamente à expressão da temporalidade:
(1) «Eu hei de fazer as pazes com o Afonso.»
(2) «Eu vou fazer as pazes com o Afonso.»
Não obstante, ao verbo auxiliar haver (de) associa-se, com frequência, a expressão de um valor modal deôntico de necessidade ou de obrigatoriedade...»



No âmbito da intenção de alargamento da ação do Ciberdúvidas nas redes sociais, foi lançado, como os sócios da APP já sabem, O Ciberdúvidas Vai às Escolas.

Este novo projeto leva o Ciberdúvidas às escolas onde se ensina a língua portuguesa, em Portugal e no mundo. Aí, de forma presencial ou à distância, um consultor do Ciberdúvidas esclarece, ao vivo e em direto, as dúvidas que os alunos têm relacionadas com questões gramaticais.
Estas sessões são gravadas em formato vídeo e serão divulgadas, posteriormente, nas redes sociais do Ciberdúvidas, no formato de vários pequenos vídeos (ou reels), que dão a conhecer o esclarecimento dado a cada uma das dúvidas apresentadas, de modo a que outros alunos e professores possam ter acesso aos conhecimentos envolvidos, para esclarecer dúvidas ou sistematizar conhecimentos.
As escolas interessadas em participar neste projeto, recebendo o Ciberdúvidas presencialmente ou à distância, poderão contactar os responsáveis pelo projeto por correio eletrónico: ciberduvidas@iscte-iul.pt


Esta semana, destacamos o vídeo 53 com a resposta à dúvida colocada por um estudante do AE Albufeira Poente, em Albufeira: 

Numa oração como «Os surfistas que integram a comitiva nacional encontraram-se antes do início da prova», como identifico a oração subordinada adjetiva relativa?

A resposta, dada pela consultora Carla Marques, pode ser consultada no vídeo disponível aqui.



Na rubrica Ciberdúvidas Responde, no episódio 59, o consultor Fernando Pestana aborda expressão «bom dia» — deve escrever-se com hífen, como em «bom-dia»?

Assista a este vídeo para saber a resposta, que começa por explicar que usamos hífen quando a expressão forma um nome (substantivo) composto, como na frase «Eu estava até agora esperando aquele bom-dia.» — e não usamos hífen quando se trata de locuções interjetivas.




Fonte da imagem aqui.