Destaques do Ciberdúvidas – 15.5.26

Esta semana destacamos a rubrica «Artigos», a rubrica «Consultório», a rubrica «O Ciberdúvidas Vai às Escolas» e a rubrica «O Ciberdúvidas Responde». No Consultório, examinamos o nome «permacrise» e a sua origem, analisamos complementos oblíquos e refletimos sobre pessoas vivas e falecidas numa mesma lista. Nos Artigos, destacamos dois textos: um artigo de Maria Antónia Coutinho sobre o livro Deixis, Tempo e Narração. Para uma teoria enunciativa da ficção, de Fernanda Irene Fonseca, e outro, de Carla Marques, sobre palavras parónimas com o valor de «desdém» ou «desprezo».
Na rubrica Artigos, destacamos dois textos:

i. Um artigo de Maria Antónia Coutinho sobre o livro Deixis, Tempo e Narração. Para uma teoria enunciativa da ficção, de Fernanda Irene Fonseca.

Um excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra neste linque:
«Dos muitos méritos já ampla e justamente salientados [para a reedição desta obra], reitero aqui apenas dois aspetos (de forma muito sintetizada): por um lado, a profundidade do trabalho sobre deixis e teoria da enunciação, através do qual a autora recupera a noção buhleriana de deixis «am Phantasma» e a relança como deixis narrativa ou fictiva, destacando o papel fundamental das «operações de transposição enunciativa» e evidenciando «que a viabilidade da narração e da ficção assentam nas mesmas infra-estruturas linguísticas (...)» (1992, pp. 155-156); por outro, o cruzamento entre linguística e literatura, visto pelo prisma, já apontado, da representação temporal fictiva no romance, mas também por aquele que encara a referência poética como «a forma mais directa» de compreender o «carácter produtivo» inerente a toda a referência linguística (1992, pp. 139-140). São muitos os nomes convocados a este último propósito (nomeadamente Ricœur, Jakobson, Meschonnic, Hamburger, e ainda Óscar Lopes, Vitor Manuel Aguiar e Silva e Herculano de Carvalho, do lado português); mas não posso deixar de destacar a linhagem coseriana em que se inscreve esta linguística aberta à «plenitude funcional da língua».
Se estes são contributos maiores da obra, há outros que se me afiguram hoje de uma enorme, inesperada e provocadora atualidade.»


ii. Um artigo de Carla Marques, intitulado «Despiciente e despiciendo», sobre essas palavras parónimas.

Excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra aqui: 
«Ambas as palavras têm origem no verbo latino despicĕre, que tem o sentido de «olhar de cima para baixo, desprezar».  Despiciente tem origem no particípio presente do verbo e é usado como adjetivo com o valor de «aquele que despreza, que deprecia».
despiciendo advém do gerúndio do verbo despicĕre, sendo usado como adjetivo com o significado de «que deve ser desprezado» ou «que é merecedor de desdém».»



Na rubrica Consultório, que permite que os consulentes façam perguntas aos especialistas do Ciberdúvidas – mas verificando primeiro se não existe já uma pergunta que tenha sido feita anteriormente e que responda a essa dúvida –, destacamos, esta semana, três questões: 

i. Sobre o nome «permacrise» e a sua origem.

Excerto da explicação, que pode ser consultada aqui:
«O nome permacrise é um neologismo relativamente recente, de origem inglesa (permacrisis), que ganhou ampla visibilidade a partir de 2022, ano em que foi eleito Palavra do Ano pelo Collins Dictionary. O termo designa uma situação de crise permanente ou sucessiva, marcada pela sensação de instabilidade contínua (económica, política, social ou geopolítica) sem períodos claros de recuperação.
Do ponto de vista morfológico, permacrisis resulta da combinação do elemento composicional perma- (uma truncação de permanent, relacionado com o latim permanēre, que significa «permanecer»), já produtivo no inglês contemporâneo com o valor de duradouro ou constante (cf. permafrost, perma-ban), com o nome crisis (crise). O sentido geral é, portanto, o de uma crise que não termina ou que se renova continuamente.»


ii. Sobre complementos oblíquos: «veio de Lisboa, partiu para Madrid».

A resposta, que pode ser lida aqui, responde a esta dúvida colocada por uma professora: 
«Na frase «O Pedro veio de Lisboa no dia em que Maria partiu para Madrid.», os segmentos «de Lisboa» e «para Madrid» constituem complementos oblíquos ou, antes, modificadores do grupo verbal, uma vez que «O Pedro veio no dia em que Maria partiu» é gramatical?»


iii. Sobre pessoas vivas e falecidas numa mesma lista.

O artigo, que pode ser lido aqui, responde à seguinte dúvida:
«Estamos mandando confeccionar uma placa para homenagear algumas pessoas, entre elas temos pessoas falecidas e vivas.
Pergunto:
Para as pessoas falecidas, podemos escrever in memoriam depois do seu nome?
Para as pessoas vivas, podemos escrever in vivo ou «em vida» depois do seu nome?»



No âmbito da intenção de alargamento da ação do Ciberdúvidas nas redes sociais, foi lançado, como os sócios da APP já sabem, O Ciberdúvidas Vai às Escolas.

Este novo projeto leva o Ciberdúvidas às escolas onde se ensina a língua portuguesa, em Portugal e no mundo. Aí, de forma presencial ou à distância, um consultor do Ciberdúvidas esclarece, ao vivo e em direto, as dúvidas que os alunos têm relacionadas com questões gramaticais.
Estas sessões são gravadas em formato vídeo e serão divulgadas, posteriormente, nas redes sociais do Ciberdúvidas, no formato de vários pequenos vídeos (ou reels), que dão a conhecer o esclarecimento dado a cada uma das dúvidas apresentadas, de modo a que outros alunos e professores possam ter acesso aos conhecimentos envolvidos, para esclarecer dúvidas ou sistematizar conhecimentos.
As escolas interessadas em participar neste projeto, recebendo o Ciberdúvidas presencialmente ou à distância, poderão contactar os responsáveis pelo projeto por correio eletrónico: ciberduvidas@iscte-iul.pt

Esta semana, destacamos o vídeo n.º 61 com a resposta à dúvida colocada por um estudante do Agrupamento de Escolas de Condeixa-a-Nova: 
Qual a diferença entre modificador do nome e complemento do nome?

A resposta, dada pela consultora Carla Marques, pode ser consultada no vídeo disponível aqui e que começa por referir que a diferença basilar entre modificadores e complementos do nome tem a ver com o facto de estes constituintes serem, ou não, selecionados pelo nome.



A rubrica Ciberdúvidas Responde, no episódio 71, fala sobre o nome do autor da Eneida — afinal grafa-se Virgílio ou Vergílio?

Assista a este vídeo para saber a resposta, dada pela consultora Sara Mourato, que refere que o nome original, em latim, era Vergílivs, com E. — e que o sabemos por inscrições antigas e pelos manuscritos mais antigos das suas obras, como as Bucólicas e as Geórgicas.



Fonte da imagem aqui.