Na rubrica Artigos, destacamos dois textos: i. Um artigo, de Sara Mourato, sobre um caso de acentuação: «Ficamos sem nada» ou «ficámos sem nada»? Excerto do artigo, que pode ser lido aqui: «O arranque de 2026 ficou marcado em Portugal por dois acontecimentos de grande visibilidade: as eleições presidenciais e as cheias que, no início de fevereiro, atingiram vários pontos do país. Durante alguns dias, a força da água sobrepôs-se ao debate político e ocupou o espaço noticioso. Numa notícia publicada na SIC Notícias, canal noticioso português, lia-se o desabafo de moradores: «ficamos sem nada». E a língua, discretamente, colocava uma questão: ficamos… ou ficámos?» ii. Um artigo, de Carla Marques, sobre «O comparativo de inferioridade do adjetivo bom» — menos bom ou pior que? Pergunta a autora: qual é o comparativo de inferioridade do adjetivo bom? Será «menos bom do que» ou a forma «pior do que»? O artigo, que pode ser lido na íntegra neste linque, conclui que «...enquanto na frase «O trabalho do João é menos bom do que o da Ana» se faz uso do adjetivo bom, na frase «O trabalho do João é pior do que o da Ana.» recorre-se ao adjetivo mau.» Na rubrica Consultório, que permite que os consulentes façam perguntas aos especialistas do Ciberdúvidas – mas verificando primeiro se não existe já uma pergunta que tenha sido feita anteriormente e que responda a essa dúvida –, destacamos, esta semana, três questões: i. Sobre «o que explicativo», a partir da seguinte questão: «Numa ficha de trabalho de uma editora surge a frase «Arrumem os livros que a biblioteca vai encerrar». De acordo com as soluções de correção, a oração «que a biblioteca vai encerrar» aparece como coordenada explicativa. Numa saudável discussão com colegas, uns defendem que a sugestão da editora está correta, no entanto outros acham que a oração é subordinada adverbial causal. Se fizermos o teste da agramaticalidade sugerido por Maria Eugénia Alves (Ciberdúvidas, 2018), a oração iniciada por “que” é agramatical — “*que a biblioteca vai fechar.” —, uma vez que “na coordenação, a oração que é introduzida pela conjunção não pode dar início à frase”. Acresce o facto de que a situação descrita na suposta oração coordenada explicativa não é temporalmente anterior à que se descreve na oração anterior (Carla Marques, Ciberdúvidas, 2022) Porém, “No que respeita à pontuação, quando a oração é coordenada explicativa, deve levar uma vírgula a separá-la da oração anterior. Quando estamos perante uma oração subordinada causal, não devemos usar vírgula.” (Carla Marques, Ciberdúvidas, 2022). Aqui o "que" não é antecedido de vírgula. Posto isto, tenho dúvidas em relação à classificação desta frase complexa “Arrumem os livros que a biblioteca vai encerrar.”» A explicação, que pode ser consultada aqui, defende que «a oração «que a biblioteca vai encerrar» é uma coordenada explicativa.», recorrendo a um teste adicional com o advérbio de negação não. ii. Sobre um modificador restritivo do nome território. A resposta, que pode ser consultada neste linque, defende que «O constituinte portugueses desempenha a função de modificador do nome restritivo.» e esclarece a seguinte dúvida: «No excerto «os territórios portugueses da época», qual a função sintática de «portugueses»?» iii. Sobre «Ou… ou» — conjunções coordenativas correlativas disjuntivas, em resposta à seguinte dúvida: «Relativamente à frase «OU fazes uma pausa nos teus trabalhos OU ficas doente», a minha dúvida prende-se com o facto de se dizer que se trata de uma conjunção coordenativa correlativa. Não seria, antes, uma "locução conjuncional coordenativa correlativa"?» Excerto da explicação, que pode ser lida aqui: «De facto, o Dicionário Terminológico refere o seguinte: «Algumas conjunções coordenativas são correlativas, podendo ocorrer precedendo cada um dos elementos coordenados. São exemplo de conjunções correlativas: "ou…ou", #nem…nem", "quer…quer".» Celso Cunha e Lindley Cintra, na sua Nova Gramática do Português Contemporâneo, referem, sobre estas orações a que chamam «alternativas», que «ligam dois termos ou orações de sentido distinto, indicando que, ao cumprir-se um facto, o outro não se cumpre. São as conjunções ou (repetida ou não) e, quando repetidas, ora, quer, seja, nem, etc.» (p. 576), sugerindo o seguinte exemplo: «O Antunes das duas uma: ou não compreendia bem ou não ouvia nada do que lhe dizia o seu companheiro.» (Almada Negreiros, NG, 91.)» No âmbito da intenção de alargamento da ação do Ciberdúvidas nas redes sociais, foi lançado, como os sócios da APP já sabem, O Ciberdúvidas Vai às Escolas. Este novo projeto leva o Ciberdúvidas às escolas onde se ensina a língua portuguesa, em Portugal e no mundo. Aí, de forma presencial ou à distância, um consultor do Ciberdúvidas esclarece, ao vivo e em direto, as dúvidas que os alunos têm relacionadas com questões gramaticais. Estas sessões são gravadas em formato vídeo e serão divulgadas, posteriormente, nas redes sociais do Ciberdúvidas, no formato de vários pequenos vídeos (ou reels), que dão a conhecer o esclarecimento dado a cada uma das dúvidas apresentadas, de modo a que outros alunos e professores possam ter acesso aos conhecimentos envolvidos, para esclarecer dúvidas ou sistematizar conhecimentos. As escolas interessadas em participar neste projeto, recebendo o Ciberdúvidas presencialmente ou à distância, poderão contactar os responsáveis pelo projeto por correio eletrónico: ciberduvidas@iscte-iul.pt Esta semana, destacamos o vídeo n.º 1 com a resposta à dúvida colocada por uma estudante da Escola Secundária de Nelas: Quando é que se usa há com h? A resposta, dada pela consultora Carla Marques, pode ser consultada no vídeo disponível aqui. A rubrica Ciberdúvidas Responde, no episódio 60, aborda o uso dos pronomes «o» e «lhe» — e analisa a confusão que muitas vezes se cria entre eles. Assista a este vídeo para saber a resposta, dada pelo consultor Carlos Rocha. Fonte da imagem aqui.