Na Montra de Livros, destacamos um texto: i. Um artigo, de Inês Gama, «Biblos» — sobre esta obra homónima de vários autores. Excerto do artigo, que pode ser lido aqui: «Desde a Revolução dos Cravos que abril quase se confunde com liberdade. É o mês em que a memória coletiva floresce e somos levados a interrogarmo-nos sobre o que significa ser livre. No entanto, a liberdade não é apenas aquilo que se conquistou há mais de cinquenta anos num processo revolucionário, mas também o que se constrói todos os dias nas palavras ditas sem medo, no pensamento crítico e na possibilidade de escolher e discordar. Todos estes aspetos e muitos outros cabem na palavra liberdade. É precisamente a reflexão sobre a liberdade e as suas dimensões política, histórica, estética e linguística que dá origem ao volume 11 da 3.ª série da Biblos – Revista da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Como assinalado na introdução, aqui reúnem-se artigos que “revelam não ser a Liberdade uma conquista estática, mas um processo em permanente construção, marcado por tensões roturas e reinvenções” (páginas 11-12).» Na rubrica Artigos, destacamos dois textos: i. Um artigo de Carlos Rocha, intitulado «O anglicismo tokenização», sobre um aportuguesamento imperfeito. Excerto do artigo, que pode ser lido aqui: «A tokenização, em sua essência, é o processo de converter um dado sensível ou um ativo real em um símbolo digital exclusivo, conhecido como token. Este token serve como uma representação do item original, mas sem expor suas informações subjacentes diretamente. É como uma ficha que representa algo de valor sem ser o próprio objeto de valor.» ("Tokenização: o que é e como funciona a economia dos tokens", Recharge.com, 12/02/2026).» ii. Um artigo de Inês Gama, intitulado «O uso impessoal do verbo haver», sobre o seu uso correto com sentido de existência. Excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra aqui: «O verbo haver, quando usado com o sentido de «existir» ou «acontecer», é um verbo impessoal. Isso significa que não tem sujeito, por essa razão, conjuga-se sempre na terceira pessoa do singular, independentemente do elemento que o acompanha. Neste tipo de construções, o grupo nominal que surge depois do verbo, como, por exemplo, «muitas oportunidades», não desempenha a função de sujeito, mas sim a de complemento direto. É precisamente essa ausência de sujeito que justifica o uso do verbo no singular.» Na rubrica Consultório, que permite que os consulentes façam perguntas aos especialistas do Ciberdúvidas – mas verificando primeiro se não existe já uma pergunta que tenha sido feita anteriormente e que responda a essa dúvida –, destacamos, esta semana, três questões: i. Sobre a origem do termo fascismo. A explicação pode ser consultada aqui e responde à seguinte dúvida: «Sei, grosso modo, que [a palavra fascismo] deriva da imagem pública associada a Mussolini, ou seja, um feixe de varas. Mas, assim sendo, a palavra derivada não deveria ser "feixismo"?» ii. Sobre «item e hífen» — e a acentuação das palavras paroxítonas. A resposta, que pode ser lida aqui, responde a esta dúvida colocada por um estudante: «Acerca da acentuação das paroxítonas, pergunto: por que item não recebe acento, mas hífen sim? De acordo com a regra geral, paroxítonas terminadas em n devem ser acentuadas. No entanto, nos casos de item e hífen, ocorre uma particularidade: ambas as palavras terminam em ditongo nasal, já que o m e o n finais assumem som de i, formando esse tipo de ditongo. Pela regra específica, paroxítonas terminadas em ditongo nasal não são acentuadas; o acento ocorre apenas quando há terminação em ditongo oral.» iii. Sobre a negação «não por acaso». Excerto da explicação, que pode ser lida aqui, e que responde à seguinte dúvida: «Num trabalho surgiu-me a frase «não por acaso a tua casa teve... etc.». Quiseram que emendasse porque faltava um foi... Tinha de ser «não foi por acaso que a tua casa teve... etc.». Bati o pé a dizer que estava correto, mas tive de emendar mesmo assim. Procurei na Internet e não encontrei nada sobre isto, e daí estar a perguntar aqui, para me esclarecer e para ficar registado.» No âmbito da intenção de alargamento da ação do Ciberdúvidas nas redes sociais, foi lançado, como os sócios da APP já sabem, O Ciberdúvidas Vai às Escolas. Este novo projeto leva o Ciberdúvidas às escolas onde se ensina a língua portuguesa, em Portugal e no mundo. Aí, de forma presencial ou à distância, um consultor do Ciberdúvidas esclarece, ao vivo e em direto, as dúvidas que os alunos têm relacionadas com questões gramaticais. Estas sessões são gravadas em formato vídeo e serão divulgadas, posteriormente, nas redes sociais do Ciberdúvidas, no formato de vários pequenos vídeos (ou reels), que dão a conhecer o esclarecimento dado a cada uma das dúvidas apresentadas, de modo a que outros alunos e professores possam ter acesso aos conhecimentos envolvidos, para esclarecer dúvidas ou sistematizar conhecimentos. As escolas interessadas em participar neste projeto, recebendo o Ciberdúvidas presencialmente ou à distância, poderão contactar os responsáveis pelo projeto por correio eletrónico: ciberduvidas@iscte-iul.pt Esta semana, destacamos o vídeo n.º 58 com a resposta à dúvida colocada por uma estudante do Agrupamento de Escolas de Condeixa-a-nova: Qual a diferença entre «devido a» e «por causa de»? A resposta, dada pela consultora Carla Marques, pode ser consultada no vídeo disponível aqui. A rubrica Ciberdúvidas Responde, no episódio 69, fala-nos sobre nomes de lugar de origem céltica em território português. Assista a este vídeo para saber a resposta, dada pelo consultor Carlos Rocha. Fonte da imagem aqui.