Na rubrica Montra de Livros, destacamos dois textos: i. Um artigo, de Sara Mourato, «Histórias do Mundo — A2» — uma obra de apoio à aprendizagem de Português Língua Estrangeira de nível A2. Excerto do artigo, que pode ser lido aqui: «Histórias do Mundo A2 e Histórias do Mundo A2 – As Viagens de Sindbad são duas obras que integram a coleção Histórias do Mundo, publicada pela editora Lidel. Editadas em 2024 e da autoria de Ana Sousa Martins e Ana Paula Gonçalves, estas obras foram concebidas para apoiar o desenvolvimento da competência leitora em diferentes níveis do Quadro Europeu Comum de Referência, preservando a essência cultural das narrativas tradicionais e assegurando, ao mesmo tempo, rigor linguístico e adequação pedagógica. O nível A2 é assim apresentado em dois volumes complementares, dirigidos a aprendentes que já dominam estruturas básicas e procuram consolidar vocabulário, fluência e compreensão global.» ii. Um artigo, de Carlos Rocha, sobre O Silêncio dos Poetas — um livro de Alberto Pimenta precedido de «Reflexões sobre a função da arte literária», «Liberdade e aceitabilidade da obra literária» e de «A dimensão poética das línguas». O artigo, que pode ser lido na íntegra neste linque, refere que «A produção poética de Alberto Pimenta, a que se associa forte intenção de crítica social, insere-se numa linha da vanguarda literária da segunda metade do século XX, tendo como expoentes poetas e artistas como Ana Hatherly (1929-2015) ou Haroldo de Campos (1929-2003), que exploraram os caminhos da poesia experimental em Portugal e no Brasil. São criadores que procuraram (e procuram) novos rumos, rejeitando, por um lado, a referencialidade da arte literária tradicional, concebida como imitação de algo que lhe é exterior, e, por outro, como repetição de modelos e convenções estéticas. Trata-se, portanto, de um tipo de exercício da linguagem poética que, na prática, se afirma frequentemente pela irreverência, pois que desafia convicções e expetativas tradicionais acerca dos objetos e ações estéticas e poéticas. Como se lê na base de conhecimento do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa (Universidade do Porto), «[f]alar de Alberto Pimenta é falar de política e de crítica aos poderes instituídos, como a Igreja, o Estado, o capitalismo».» Na rubrica Consultório, que permite que os consulentes façam perguntas aos especialistas do Ciberdúvidas – mas verificando primeiro se não existe já uma pergunta que tenha sido feita anteriormente e que responda a essa dúvida –, destacamos, esta semana, três questões: i. Sobre a estrutura clivada: «é a data da morte de um poeta que...». A explicação pode ser consultada aqui e responde à seguinte dúvida de uma professora: «Na frase «Em Portugal, é a data da morte de um poeta que protagoniza o nosso momento cívico de unidade mais relevante.» (in Discurso de Lídia Jorge no dia 10 de junho de 2025), qual será a função sintática desempenhada pelo segmento "que protagoniza o nosso momento cívico de unidade mais relevante"? Poder-se-á considerar: a) modificador restritivo do nome?; b) ou o "que" faz parte de uma expressão enfática (tendo em conta a forma verbal "é") e, nesse caso, seria o sujeito seria -"a data da morte de um poeta"-, e o predicado - "é (...) que protagoniza o nosso momento...".?» ii. Sobre o verbo arrepender numa oração relativa. A resposta ao pedido de parecer sobre a sintaxe do verbo arrepender pode ser consultada neste linque e começa por notar que, «Na frase «Fiz muitas traquinices em criança, mas esta foi a que mais me arrependi», o verbo arrepender(-se) ocorre numa oração relativa («que mais me arrependi»), cujo antecedente é esta. A questão está na regência verbal: em português, o uso regular e mais amplamente atestado é «arrepender-se de algo». Assim, quando esse complemento é retomado por um pronome relativo, a preposição deve manter-se, pelo que a construção mais conforme à norma é: «[…] mas esta foi a de que mais me arrependi»; ou, de forma mais desenvolvida: «[…] mas esta foi aquela de que mais me arrependi.» Neste caso, «de que» resulta da combinação da preposição de, exigida pelo verbo, com o pronome relativo que, cujo antecedente é esta. O relativo desempenha, portanto, a função de complemento oblíquo de arrepender-se.» iii. Sobre o «verbo servir com complemento indireto, a partir da seguinte dúvida de uma professora: «No segmento «...uns e outros tantas vezes esquecidos nesse mundo subterrâneo que serve à nossa vida», o constituinte «à nossa vida» é complemento oblíquo ou complemento indireto?» Excerto da explicação, que pode ser lida aqui: «Neste segmento, o constituinte «à nossa vida» desempenha a função de complemento indireto. De uma forma geral, o verbo servir pode ser usado como transitivo direto, como em (1): (1) «O rapaz vai servir o país.» Pode também ser usado como transitivo indireto com o sentido de «ter uma certa função», como em (2): (2) «Estes dados servem à equipa.» O verbo servir tem igualmente usos como transitivo direto e indireto, como em (3), ou intransitivo, como em (4): (3) «Serviu os convidados de bebidas.» (4) «Essa roupa não serve.» No caso em apreço, o constituinte «à nossa vida» pode ser substituído pelo pronome pessoal -lhe, o que indica que estamos perante um constituinte com a função de complemento indireto: (6) «[…] mundo subterrâneo que lhe serve […]» Julgamos que esta deverá ser a interpretação avançada em contexto escolar. No entanto, deixe-se registado que a identificação da função sintática de constituintes desta natureza associados ao verbo servir não é consensual entre os gramáticos.» No âmbito da intenção de alargamento da ação do Ciberdúvidas nas redes sociais, foi lançado, como os sócios da APP já sabem, O Ciberdúvidas Vai às Escolas. Este novo projeto leva o Ciberdúvidas às escolas onde se ensina a língua portuguesa, em Portugal e no mundo. Aí, de forma presencial ou à distância, um consultor do Ciberdúvidas esclarece, ao vivo e em direto, as dúvidas que os alunos têm relacionadas com questões gramaticais. Estas sessões são gravadas em formato vídeo e serão divulgadas, posteriormente, nas redes sociais do Ciberdúvidas, no formato de vários pequenos vídeos (ou reels), que dão a conhecer o esclarecimento dado a cada uma das dúvidas apresentadas, de modo a que outros alunos e professores possam ter acesso aos conhecimentos envolvidos, para esclarecer dúvidas ou sistematizar conhecimentos. As escolas interessadas em participar neste projeto, recebendo o Ciberdúvidas presencialmente ou à distância, poderão contactar os responsáveis pelo projeto por correio eletrónico: ciberduvidas@iscte-iul.pt Esta semana, destacamos o vídeo n.º 56 com a resposta à dúvida colocada por um estudante do Agrupamento de Escolas de Condeixa-a-nova: Qual a diferença entre qual a diferença entre as modalidades deôntica, epistémica e apreciativa? A resposta, dada pela consultora Carla Marques, que recorda que a modalidade é a forma de expressar a relação do locutor com o seu enunciado, com aquilo que diz, pode ser consultada no vídeo disponível aqui. A rubrica Ciberdúvidas Responde, no episódio 65, responde à seguinte dúvida: Qual a origem do termo Páscoa? Assista a este vídeo para saber a resposta, dada pela consultora Sara Mourato. Fonte da imagem aqui.