Na rubrica O Nosso Idioma, destacamos um texto: i. O artigo, de Carla Marques, «Férias e féria», sobre um caso de singular e plural com sentidos diferentes. Excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra aqui: «A palavra férias deriva do latim feriae, que era o termo usado para designar os dias em que os romanos não trabalhavam por razões religiosas. Atualmente, em português, este conceito é expresso em parte pela palavra feriado, que pertence à mesma família de férias. Curiosamente, a palavra latina feriae fica também associada, no latim vulgar, a mercado ou feira, o que se deverá ao facto de que os dias de festas religiosas eram também aproveitados para a realização de eventos comerciais, ou seja, de feiras, palavra que se formou a partir de feriae com a metátese do /i/que passou a ser colocado antes do som /r/.» Na rubrica Pelourinho, destacamos um texto: i. O artigo, de Sara Mourato, «O verbo haver não tira férias», sobre o mau uso da língua nos média. Excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra aqui: «Agosto é sinónimo de verão em Portugal, um mês de sol, férias e, por vezes, certo relaxamento que parece contagiar tudo à nossa volta – inclusive a escrita nos jornais. Foi o que aconteceu [há dois anos] na revista Vidas do dia 24 de agosto de 2024, do Correio da Manhã, onde, no meio de uma breve notícia sobre casamentos e reviravoltas amorosas, que tem como protagonistas figuras da política portuguesa, a ortografia, aliada à conjugação de um verbo, decidiu também tirar uns dias de descanso. Em vez de «à segunda [vez]», lia-se «há segunda [vez]», confundindo o leitor num jogo de palavras digno das armadilhas do calor. Parece que a emoção tomou conta de tudo e, no meio do romance, o erro decidiu dar o ar da sua graça.» Um chatbot (agente conversacional) é a nova funcionalidade de pesquisa que o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa acaba de lançar*. Trata-se da fase experimental de um agente conversacional (na imagem à direita) que permite pesquisar o seu acervo através de linguagem natural. Em vez de recorrer apenas à pesquisa por palavras-chave, os utilizadores podem colocar perguntas diretamente e obter respostas fundamentadas nas milhares de respostas publicadas pela equipa do projeto Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Esta ferramenta não gera conhecimento novo nem substitui a equipa de linguistas. O seu funcionamento baseia-se exclusivamente na recuperação e síntese de conteúdos já existentes no acervo do Ciberdúvidas (até janeiro de 2026), procurando facilitar o acesso a informação previamente validada. Esta fase experimental tem como principal objetivo avaliar a qualidade das respostas e a utilidade da ferramenta em contexto real. Para isso, convidamos os utilizadores a experimentar o sistema e a classificar cada resposta. Para aceder ao agente conversacional do Ciberdúvidas basta clicar na ligação Chatbot (experimental) existente no topo da página principal, logo por baixo da pesquisa do Consultório. O feedback recolhido será essencial para identificar oportunidades de melhoria e apoiar a evolução da solução. A participação contribuirá diretamente para avaliar o potencial desta nova forma de explorar o vasto património linguístico do Ciberdúvidas. A quantos colaborarem nesta fase experimental, desde já, o nosso obrigado. Linque de acesso ao chatbot aqui. Fonte da imagem aqui. *Este projeto resulta do trabalho de uma equipa de investigadores do ISCTE constituída pelo estudante de mestrado Pedro Moura, por António Luís Lopes e Fernando Batista, professores do Departamento de Ciências e Tecnologias da Informação (ISTA) do ISCTE, e por Inês Gama, membro da equipa do Ciberdúvidas. A todos se agradece o enorme apoio ao desenvolvimento do portal Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.