Destaques do Ciberdúvidas – 4.9.26

Esta semana destacamos a rubrica «Abertura», a rubrica «Artigos», a rubrica «Consultório» e a rubrica «Montra de Livros». Na Abertura, analisamos uma nova trend que os jovens adotaram para se tornarem populares nas redes sociais. Nos Artigos, destacamos um texto: um artigo de Carla Marques sobre a pronúncia do galicismo «rentrée». No Consultório, examinamos o particípio passado usado adjetivalmente. Na Montra de Livros, destacamos um livro que reúne «entrevistas para a História da Cultura Portuguesa (e não só)».
Na rubrica Abertura, destacamos um texto:

i. Um artigo da equipa do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa sobre «Farmar aura», a nova trend.

Um excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra neste linque:
«Por todo o lado no mundo, os jovens estão a aderir ao que designam como uma nova trend («tendência»), que os leva a repetir gestos e atitudes, com o objetivo de se tornarem populares nas redes sociais. A nova moda passa por promover disputas para «farmar aura». Embora a expressão possa parecer um estrangeirismo, na verdade, trata-se de um neologismo já adaptado ao português e que significa «acumular carisma, estilo, presença ou boa imagem, sem realizar grande esforço».  O termo combina o verbo inglês to farm, muito usado no contexto dos jogos eletrónicos, como o Fortnite ou o World of Warcraft, em ambientes cujo objetivo é o de concluir tarefas que levam à acumulação de dinheiro (virtual), pontos ou vantagens diversas, permitindo a progressão num dado jogo, com a palavra aura, também importada do inglês, usada com o sentido de «ter carisma, causar forte impressão nos outros».»



Na rubrica Artigos, destacamos um texto:

i. Um artigo de Carla Marques sobre a pronúncia do galicismo «rentrée».

O artigo, que pode ser lido na íntegra aqui, discute a pronúncia que deve ter este empréstimo e começa por defender que:
«A palavra de origem francesa rentrée integra, há já muito tempo, o léxico português na qualidade de empréstimo. Durante um longo período, com destaque para os finais do século XX, surgiu no contexto escolar, num decalque da expressão francesa, para referir o início do ano escolar: «la rentrée (scolaire)».
No século XXI, a língua portuguesa foi descobrindo outras formas de designar a mesma realidade e, atualmente, o uso de rentrée neste contexto parece menos frequente, tendo a palavra sido substituída por expressões como «regresso às aulas» ou «arranque do ano letivo».
No entanto, quando a palavra parecia destinada a desaparecer dos anais da nossa memória lexical ativa, eis que se reergue para referir a «rentrée televisiva» e, em particular, em contexto político, na expressão «rentrée política». A partir de meados de agosto, é usada para designar os comícios / encontros inaugurais dos partidos políticos, nos quais se anunciam os novos caminhos a trilhar em setembro e se marca posição perante quaisquer acontecimentos da atualidade. O termo parece trazer algo de pomposo a comícios feitos entre sardinha assada e chinelos de praia, pelo que se estendeu às ações de todos os partidos políticos e foi selado pela comunicação social.»



Na rubrica Consultório, que permite que os consulentes façam perguntas aos especialistas do Ciberdúvidas – mas verificando primeiro se não existe já uma pergunta que tenha sido feita anteriormente e que responda a essa dúvida –, destacamos, esta semana, uma questão:

i. Sobre o particípio passado usado adjetivalmente.

A explicação, que pode ser consultada aqui, responde à seguinte dúvida de um professor:
«Por favor, considere a frase:
«Alberto é um homem marcado pela sorte.»
A palavra marcado é adjetivo ou particípio? Exerce a função de adjunto adnominal?
«Pela sorte» é agente da passiva? Ou complemento nominal?»



Na rubrica Montra de Livros, destacamos um texto:

i. Um artigo de Dora Gago sobre o livro Isto agora é em off, de Maria João Martins — reunindo «entrevistas para a História da Cultura Portuguesa (e não só)».

Um excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra neste linque:
«Publicado recentemente, em Maio de 2026, pela editora Âncora, Isto Agora é em Off. Entrevistas para a História da Cultura Portuguesa (e não só), da jornalista e escritora Maria João Martins, reúne entrevistas realizadas ao longo de trinta anos a figura públicas muito relevantes do panorama cultural português e internacional. São, no total, 25 entrevistas a um leque tão variado de entrevistados como Agustina Bessa-Luís, Álvaro Cunhal, Chico Buarque, Lídia Jorge, Jean Paul Gaultier, Júlio Isidro, Sarah Ferguson, Simone de Oliveira ou Vhils, apenas a título de exemplo. Trata-se de entrevistas publicadas em algumas das principais revistas e jornais portugueses, como é o caso da Máxima, Se7eDiário de Notícias e Jornal de Letras, Artes e Ideias, que, reunidas, nos proporcionam um multifacetado quadro histórico, social e cultural do país, do mundo, de um tempo que passa. E esse é um tempo que importa resgatar, conhecer, numa actualidade marcada pela voragem do efémero, pelo ritmo alucinante da superficialidade, dos "tik toks", dos extremismos, de manipulações de ordem diversa, quando as garras da idiotice, da tirania apertam cada vez mais.»



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