Destaques do Ciberdúvidas – 5.6.26

Esta semana destacamos a rubrica «Artigos», a rubrica «Consultório», a rubrica «O Ciberdúvidas Vai às Escolas» e a rubrica «O Ciberdúvidas Responde». No Consultório, examinamos a pronúncia de «labareda», refletimos sobre artigo definido, artigo indefinido e relação de parentesco, e analisamos a oração subordinada relativa «(os) que reviram os olhos». Nos Artigos, destacamos dois textos: um, de Carla Marques, sobre a hiperconsciência dos falantes — e outro, de Sara Mourato, sobre as leituras (políticas e linguísticas) do verbo «fazer».
Na rubrica Artigos, destacamos dois textos:

i. Um artigo de Carla Marques sobre a hiperconsciência dos falantes: «Risco de vida» ou «risco de morte»?

Um excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra neste linque:
«Quando alguém teve um acidente muito grave, diz-se que essa pessoa se encontra em «risco de vida» ou em «risco de morte»?
A expressão com mais história e com mais atestações é, de facto, «risco de vida». Trata-se de uma expressão dicionarizada com o sentido de «perigo de morte». Assim, «risco de vida» deve ser entendido com o valor de que «alguém tem a vida em risco», ou seja, poderá vir a morrer. Esta expressão encontra-se com este sentido já em textos do século de XIX, em autores como, por exemplo, Camilo Castelo Branco.»


ii. Um artigo de Sara Mourato sobre as leituras do verbo fazer.

Excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra aqui: 
«O debate em torno da linguagem política traz frequentemente à tona questões de uso, significado e influência entre línguas, como aqui, por exemplo, já se viu. A propósito da recandidatura de Luís Montenegro à liderança do PSD, o slogan adotado, «Fazer Portugal Maior», suscitou observações que vão além do plano político, tocando em aspetos de natureza linguística, nomeadamente a forma como certas construções se aproximam de modelos discursivos internacionais.
Numa primeira leitura, «Fazer Portugal Maior» pode sugerir uma afinidade com fórmulas consagradas no discurso político de Donald Trump: Make America Great Again. Contudo, essa semelhança revela-se sobretudo superficial, já que o funcionamento do verbo fazer em português não coincide inteiramente com o do inglês make



Na rubrica Consultório, que permite que os consulentes façam perguntas aos especialistas do Ciberdúvidas – mas verificando primeiro se não existe já uma pergunta que tenha sido feita anteriormente e que responda a essa dúvida –, destacamos, esta semana, três questões: 

i. Sobre a pronúncia de labareda.

O artigo, que pode ser consultado aqui, responde à seguinte dúvida«Como se pronuncia a palavra labareda? Tem E aberto ou E fechado? "Labaréda" ou "labarêda"?» — e começa por explicar que «O que os registos da norma-padrão indicam é que em Portugal, a pronúncia da vogal tónica de labareda (oulavareda) oscila entre o é aberto e ê fechado, enquanto no Brasil a pronúncia será estável, com ê fechado. Na sílaba tónica, que é -re-, a vogal pode ser, portanto, aberta ou fechada, e o plural não regista mudança de timbre na vogal, que continua aberto ou fechado entre falantes de Portugal e fechado entre os do Brasil.»


ii. Sobre artigo definido, artigo indefinido e relação de parentesco.

A resposta, que pode ser lida aqui, responde a esta dúvida: 
«Numa acalorada e civilizada troca de argumentos, acabámos ambos convencidos [...] da nossa razão e, daí, recorrermos ao Ciberdúvidas para saber qual a forma correcta, se alguma.
«Um pai e um filho iam num carro» ou «O pai e o filho iam num carro»?
A mim parece-me que a primeira hipótese não indica, explicitamente, que existe uma relação de parentesco. Pode ser um qualquer pai e um qualquer filho. Creio que a segunda opção oferece menos interpretações.
Podem-me ajudar?» 


iii. Sobre a oração subordinada relativa: «(os) que reviram os olhos».

O artigo, que pode ser lido aqui, responde à seguinte dúvida de uma professora:
«Considere-se a seguinte frase:
«Toda a gente sabe que a leitura é crucial no desenvolvimento das crianças, mas a realidade do nosso país está longe de o refletir, e muitos são os que reviram os olhos quando...»
A oração «que reviram os olhos» é uma oração subordinada adjetiva relativa restritiva, cujo antecedente é «os», com valor de «aqueles»?»



No âmbito da intenção de alargamento da ação do Ciberdúvidas nas redes sociais, foi lançado, como os sócios da APP já sabem, O Ciberdúvidas Vai às Escolas.

Este novo projeto leva o Ciberdúvidas às escolas onde se ensina a língua portuguesa, em Portugal e no mundo. Aí, de forma presencial ou à distância, um consultor do Ciberdúvidas esclarece, ao vivo e em direto, as dúvidas que os alunos têm relacionadas com questões gramaticais.
Estas sessões são gravadas em formato vídeo e serão divulgadas, posteriormente, nas redes sociais do Ciberdúvidas, no formato de vários pequenos vídeos (ou reels), que dão a conhecer o esclarecimento dado a cada uma das dúvidas apresentadas, de modo a que outros alunos e professores possam ter acesso aos conhecimentos envolvidos, para esclarecer dúvidas ou sistematizar conhecimentos.
As escolas interessadas em participar neste projeto, recebendo o Ciberdúvidas presencialmente ou à distância, poderão contactar os responsáveis pelo projeto por correio eletrónico: ciberduvidas@iscte-iul.pt

Esta semana, destacamos o vídeo n.º 12 com a resposta à dúvida colocada por uma estudante da Escola Secundária Fernando Namora (Condeixa-a-Nova): 
Como identificar a função sintática do pronome relativo que?

A resposta, dada pela consultora Carla Marques, pode ser consultada no vídeo disponível aqui e começa por referir que a palavras que pode, por exemplo, ser uma conjunção completiva ou um pronome relativo — e que este pronome aponta para uma palavra ou um grupo de palavras que a está a substituir dentro da sua oração.



A rubrica Ciberdúvidas Responde, no episódio 74, explica-nos por que razão o mirandês não é um dialeto do português.

Assista a este vídeo para saber a resposta, dada pelo consultor Carlos Rocha.




Fonte da imagem aqui.