Destaques do Ciberdúvidas – 8.5.26

Esta semana destacamos a rubrica «Artigos», a rubrica «Consultório», a rubrica «O Ciberdúvidas Vai às Escolas» e a rubrica «O Ciberdúvidas Responde». No Consultório, refletimos sobre o verbo «sentar-se» com complemento oblíquo, analisamos uma subordinada relativa explicativa introduzida por «o que» e examinamos a sintaxe de «inédito» e «pioneiro». Nos Artigos, destacamos dois textos: um artigo da equipa do Ciberdúvidas sobre o louvor da língua portuguesa por escritores e gramáticos e outro com algumas reflexões afetivas sobre o português no Dia Mundial da Língua Portuguesa.
Na rubrica Artigos, destacamos dois textos:

i. Um artigo da equipa do Ciberdúvidas, intitulado «Dia Mundial da Língua Portuguesa: o louvor da língua por escritores e gramáticos», no contexto da celebração, no dia 5 de maio, do Dia Mundial da Língua Portuguesa — que é falada por tantos povos, ouvida em tanto locais, numa partilha cheia de cores feitas de sonoridades e gramáticas múltiplas. É una e plural e por muitos escritores cantada, amada e louvada.
Ouçamos aqui o elogio da língua feito da matéria da língua.

Um excerto de Said Ali, na Grammatica histórica da língua portugueza, p. 4, que se pode consultar na Biblioteca do Ciberdúvidas, na sede da APP, e cujo catálogo está disponível em linha neste linque: 
«Camões não foi propriamente o creador do portuguez moderno porque essa nova linguagem escripta já vinha empregada por outros escriptores. Libertou-a, sim, de alguns archaismos e foi um artista consummado e sem rival em burilar a frase portugueza, descobrindo e aproveitando todos os recursos de que dispunha o idioma para representar as idéas de modo elegante, energico e expressivo.
Reconhecida a superioridade da linguagem camoneana, a sua influencia fez-se sentir na literatura de então em diante até os nossos dias.»


ii. Um artigo de Inês Gama, intitulado «No princípio estava a língua portuguesa», com algumas reflexões afetivas sobre o português no Dia Mundial da Língua Portuguesa.

Excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra aqui: 
«Sem a língua portuguesa, este site, Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, não teria razão de existir, pois é este idioma que possibilita que hoje leitores espalhados pelo mundo aqui cheguem e leiam, por exemplo, estas palavras. No entanto, este texto não é mais um com foco numa análise aos impressionantes números de falantes que usam, nos tempos atuais, o português por esse mundo fora, nem tão-pouco sobre o valor económico, diplomático ou estratégico que a língua poderia ter se os governantes dos países de língua oficial portuguesa assim o quisessem, na medida em que sobre isso já muito se escreveu nesta página e fora dela.
Quero, ao invés, aproveitar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebrado a 5 de maio, para fazer uma espécie de declaração de amor à língua que me deu o pensamento e me ajudou a organizar o mundo, permitindo que escreva agora estas linhas. Se no princípio era o verbo, certamente que, no meu caso, esse verbo era em português. Pois foi essa a língua que me permitiu nomear o medo, a alegria, a dúvida e o espanto. No fundo, confesso que, tal como Fernando Pessoa declarou um dia, “a minha pátria é a língua portuguesa”.»



Na rubrica Consultório, que permite que os consulentes façam perguntas aos especialistas do Ciberdúvidas – mas verificando primeiro se não existe já uma pergunta que tenha sido feita anteriormente e que responda a essa dúvida –, destacamos, esta semana, três questões: 

i. Sobre o verbo «sentar-se» com complemento oblíquo.

A explicação pode ser consultada aqui e responde à seguinte dúvida: 
«Na frase «O silêncio senta-se NOS MEUS OMBROS», qual a função sintática das palavras grafadas com letra maiúscula?»


ii. Sobre uma subordinada relativa explicativa introduzida por «o que».

A resposta, que pode ser lida aqui, responde a esta dúvida colocada por uma professora:
«Gostaria se saber se na frase «E estava a trabalhar muito mais, o que lhe permitia ter uma vida mais desafogada» a segunda oração é subordinada adjetiva relativa explicativa ou subordinada consecutiva?
«Ter uma vida mais desafogada» não é uma consequência?
Não me parece que esteja a explicar nada.»


iii. Sobre a sintaxe de «inédito» e «pioneiro».

O artigo, que pode ser lido aqui, responde à seguinte dúvida de uma professora:
«Nas frases:
«Este feito foi inédito em Portugal.»
«Elvira Fortunato foi pioneira na investigação europeia sobre eletrónica transparente.»
Um manual indica que «em Portugal» desempenha a função de modificador e «na investigação....», a função de complemento do adjetivo.
Apesar de ter validado a informação junto dos alunos, continuei no entanto a questionar-me sobre as razões desta classificação, uma vez que o argumento da mobilidade que justificaria ser modificador tanto pode ser aplicável a um como a outro.»



No âmbito da intenção de alargamento da ação do Ciberdúvidas nas redes sociais, foi lançado, como os sócios da APP já sabem, O Ciberdúvidas Vai às Escolas.

Este novo projeto leva o Ciberdúvidas às escolas onde se ensina a língua portuguesa, em Portugal e no mundo. Aí, de forma presencial ou à distância, um consultor do Ciberdúvidas esclarece, ao vivo e em direto, as dúvidas que os alunos têm relacionadas com questões gramaticais.
Estas sessões são gravadas em formato vídeo e serão divulgadas, posteriormente, nas redes sociais do Ciberdúvidas, no formato de vários pequenos vídeos (ou reels), que dão a conhecer o esclarecimento dado a cada uma das dúvidas apresentadas, de modo a que outros alunos e professores possam ter acesso aos conhecimentos envolvidos, para esclarecer dúvidas ou sistematizar conhecimentos.
As escolas interessadas em participar neste projeto, recebendo o Ciberdúvidas presencialmente ou à distância, poderão contactar os responsáveis pelo projeto por correio eletrónico: ciberduvidas@iscte-iul.pt

Esta semana, destacamos o vídeo n.º 60 com a resposta à dúvida colocada por um estudante do Agrupamento de Escolas de Condeixa-a-Nova:
Como se distingue o deítico temporal do pessoal?

A resposta, dada pela consultora Carla Marques, pode ser consultada no vídeo disponível aqui e que começa por referir que os deíticos são aquelas palavras que, só dentro da frase e isoladas, não têm sentido. São palavras que, por isso, precisam de apontar para a realidade que está fora da língua para construírem o seu sentido.



A rubrica Ciberdúvidas Responde, no episódio 70, dá conta da expressão «nunca mais é sábado».

Assista a este vídeo para saber a resposta, dada pela consultora Inês Gama, que refere que a expressão exprime impaciência, cansaço ou a sensação de que o tempo está a passar muito devagar — e que a palavra sábado entrou no português pelo latim, que a recebeu do hebraico, sendo esse tradicionalmente o dia de repouso no judaísmo.



Fonte da imagem aqui.