O CCB é neste dia uma casa feita de versos de poetas diversos e nela faremos uma celebração, não só da poesia que está nos poemas, e dos poetas que os escreveram, mas sobretudo da poesia que está do lado dos que leem os poemas ou dos textos que podem nem ser poemas, do lado dos leitores, e dos que a descobrem por acaso, se calhar, quando menos a procuram. «A poesia não tem hora e lugar marcado. Não é pública nem mundana, mas secreta e incerta. A poesia pode não estar no poema anunciado: “Silêncio, que vamos ler poesia”. Tal como o humor, que pode não estar na anedota que se conta para fazer rir, mas antes, se calhar, no falhanço da anedota, a poesia pode estar no falhanço do recital. A poesia pode estar no que não se lê, no verso esquecido, no verso mal lido, no não ouvido, no silêncio ou no que se vê: no olhar da rapariga da última fila, no chapéu do homem que acabou de entrar, no encontro que não se deu entre aquela mulher e aquele homem, na esquina onde eles não se encontraram. A poesia pode não estar no recital, mas sim no que no recital é ruído, distração ou acaso». Programa e fonte da imagem aqui.