XIII Olimpíadas da Língua Portuguesa: um fim anunciado

Como  divulgámos nas últimas semanas, a decisão tomada em dezembro pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, determinando a cessação de uma das mobilidades da APP, iria comprometer irremediavelmente a realização das XIII Olimpíadas da Língua Portuguesa (OLP). Dada a ausência de resposta do Ministro da Educação, Ciência e Inovação e das suas Direções-Gerais às mensagens enviadas pela APP, vemo-nos obrigados a interromper, em 2025/26, este projeto, que já contava com a inscrição de centenas de escolas e de agrupamentos, em Portugal Continental, nas Regiões Autónomas e nas Escolas Portuguesas no Estrangeiro, e mais de dez mil alunos.
Adiámos, por isso, as datas previstas para a 1.ª e a 2.ª fases das OLP, para tentarmos garantir a continuidade do projeto e ganharmos algum tempo adicional na expectativa de uma resposta favorável, que infelizmente não chegou. 

Dada a ausência de resposta do Ministro da Educação, Ciência e Inovação e das suas Direções-Gerais às mensagens enviadas pela APP, vemo-nos obrigados a interromper, em 2025/26, este projeto, que já contava com a inscrição de centenas de escolas e de agrupamentos, em Portugal Continental, nas Regiões Autónomas e nas Escolas Portuguesas no Estrangeiro, e mais de dez mil alunos.

Lamentamos profundamente a situação e os transtornos que esta decisão possa causar às escolas, aos docentes e aos alunos envolvidos, e agradecemos desde já a compreensão de todos, mas não podíamos adiar mais tempo a tomada de uma decisão, dado que a primeira fase estava prevista para o dia 23 de janeiro, depois do adiamento que referimos anteriormente. 

Lamentamos, em particular, que não tenha sido possível conciliar a resposta do sistema educativo à urgente falta de professores com o apoio a um projeto que, como sublinhava, em 2025, na fase final das XII OLP, a Secretária de Estado da Administração e Inovação Educativa, Dr.ª Maria Luísa Oliveira, representa bem o esforço necessário, o empenho, o trabalho e a dedicação de todos, alunos e professores, para haver uma formação mais consolidada dos jovens leitores, com uma melhor fluência da leitura, um conhecimento mais profundo da consciência linguística, uma melhor compreensão dos discursos e dos textos literários, uma melhor expressão oral e uma melhor capacidade para elaborar e dizer textos de diferentes géneros, formando leitores e jovens escritores para a vida, e criando, nessa rede complexa, uma festa da língua que representa, como nenhuma outra, o nosso amor à língua portuguesa.

No final da sessão de encerramento da XII edição das OLP, em Leiria, no auditório da escola secundária Domingos Sequeira, referimos que «Na Antologia que os alunos receberam, podem ler que o poeta Herberto Helder (em «escrevi um curto poema trémulo e severo», 2014, p. 70) fala sobre a língua que alimenta a «densa delicadeza dessas linhas» de um poema, esse organismo mais complexo que tudo o que existe (em «Nada pode ser mais complexo que um poema», 2014, p. 71), e fazer isso «apenas com palavras» e com «movimentos milagrosos de míseras vogais e consoantes» (id., ibid.), nem que seja para dar a ver «Meu pai a erguer uma videira/ Como uma mãe que faz a trança à filha.», como diz Torga, em “Bucólica” (1937, p. 42) ou ser mesmo «alimento» e levar a poeta Maria Teresa Horta, recentemente desaparecida [4.2] a tornar-se «alumbramento» [dar luz a, iluminar, deslumbrar] (2017, p. 81).

É esta a beleza da língua portuguesa e o poder da palavra, em particular quando é escrita pelos nossos melhores poetas e escritores. E é também isso que celebramos nas XII OLP e nesta festa da língua portuguesa, porque é aí ‘onde afinal pode acolher-se um fraco humano’ quando ‘se arma e se indigna o Céu sereno/ Contra um bicho da terra tão pequeno’, para parafrasear livremente o comentário que Camões faz no final do Canto I da sua epopeia.»

Quando um projeto como as Olimpíadas da Língua Portuguesa fica em causa, é uma parte significativa desse trabalho que fica suspenso. Ainda pensámos que a tutela era sensível ao contributo deste projeto para uma mais robusta política de língua e, assim, poder a cessação da mobilidade ser revertida em nome de uma exceção para projetos cuja permanência se revele 'indispensável à prossecução de funções ou processos considerados essenciais', para parafrasearmos livremente o despacho do MECI. 

Mas percebemos agora, com este revés, que este projeto é «um bicho da terra tão pequeno» e que não o conseguimos acolher sem pôr em causa uma parte significativa do trabalho desenvolvido pela Associação — como a formação de professores ou o projeto-piloto de mentoria para professores, para citarmos apenas dois exemplos maiores. Mas fica em causa, certamente, uma dimensão importante de política de língua e de formação de jovens leitores e escritores. 

Esperemos, apenas, que seja uma interrupção temporária e que possamos retomar as Olimpíadas em 2027, no ano em que a APP celebra meio século de vida.