O debate vai contar com a presença de quatro oradores convidados: — Encarnação Silva, que foi professora adjunta na Escola Superior de Educação de Lisboa. Tem experiência na formação inicial e contínua de professores nas áreas da Didática da Leitura e da Escrita e da Literatura para a Infância e Juventude. Tem desenvolvido investigação nas mesmas áreas. Foi professora de 1.º ciclo do ensino básico, é formadora da APP e o filme A Leitora faz uma homenagem justíssima ao seu trabalho como leitora, professora e formadora. — Fernanda Leopoldina Viana, que foi professora associada no Instituto de Educação Universidade do Minho e é investigadora integrada externa no Centro de Investigação em Estudos da Criança, de que foi Diretora e Diretora-Adjunta. Integrou uma equipa de vários investigadores que procuram articular decifração, compreensão e motivação no projeto «Ensinar e Aprender Português», que tem um recurso em linha para ser utilizado pelos professores. — Joaquim Liberal, membro do Movimento da Escola Moderna, é professor do 1.º ciclo do ensino básico, formador na área da inovação pedagógica, no centro de formação do MEM, adjunto da direção do AE D. António Taipa para o 1.º CEB e educação pré escolar, e dinamiza oficinas de iniciação à escrita para o 1.º ciclo. — Paula Cristina Ferreira, que é professora adjunta na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Santarém e investigadora do CIEQV e no CELGA-ILTEC, da Universidade de Coimbra, participa regularmente em eventos científicos nacionais e internacionais, nomeadamente da APP, de que é formadora. Tem uma pós-graduação em Dificuldades Específicas de Aprendizagem (Dislexia). O Debate | APP «Boas práticas na aprendizagem da leitura e da escrita», que vai ter lugar no dia 23 e é também uma ACD, vai ser divulgado na próxima quarta-feira, dia 9 de setembro. Nesse dia, ficam abertas as inscrições para mais um importante Debate | APP, urgente e inadiável, em que vamos procurar analisar o estado da arte da aprendizagem inicial da leitura e da escrita nos dois primeiros anos do ensino básico, as suas dificuldades e causas, e refletir sobre propostas didáticas, formação de professores e outras propostas mais abrangentes, para o Ministério da Educação, escolas e jardins de infância. Excerto do artigo que vamos divulgar no dia 9 de setembro: «São muitas as crianças que têm o seu percurso escolar perturbado por deficiências ou falhas graves na aprendizagem inicial da leitura, para as quais têm sido apontadas várias causas, entre as quais importam muito o baixo conhecimento linguístico ao irem para a escola. Tanto para aprender a ler como para ler eficazmente, num sistema que se baseia na representação gráfica de fonemas, que são entidades abstratas que representam os sons da fala, é essencial a consciência fonológica (Morais, 2009; Freitas, Maria João et al. 2009). A aquisição de uma consciência gráfica também constitui em si mesma um problema na aprendizagem da leitura e da escrita (Batista et al., 2011). Estas duas aprendizagens estiveram no passado separadas (Chartier, Anne-Marie, 2016). Assim, a forma como se apresenta a tarefa de aprender a ler pode desencadear ou não, ou melhor ou pior, os processos de reconhecimento das correspondências entre fonemas e grafemas, que não são biunívocas. Por isso, tem havido muita discussão sobre os métodos de ensino da leitura, entre os que assentam o início da aprendizagem em unidades significativas como textos, frases e palavras e os que partem de unidades distintivas como fonemas e grafemas. Embora seja muito combativa, a velha de séculos “querela dos métodos”, é questionável a perceção de que a aprendizagem vai seguindo por um único caminho, pois a escrita não aparece só na sala de aula e muitas são as aquisições feitas em casa que contrariam eventualmente a opção metodológica do professor. Mesmo a um trabalho como o de Ferreiro e Teberosky (1969), que pretende mostrar como as crianças desenvolvem teorias sobre a escrita, põe-se o mesmo tipo de objeção, o de não ser possível controlar toda a experiência da criança para que possa ser assegurado que os fatores são apenas os que se consideram. Mesmo com a dificuldade em enumerar todas as circunstâncias que levam os alunos a conseguir aprender a ler, reconhece-se hoje a importância de conduzir a criança ao domínio dessa etapa essencial que se costuma designar por decifração. A maneira como se faz e, sobretudo, como se prossegue a partir daí, não se limita à oposição entre analítico e sintético, global e alfabético ou fonético, pois, para lá da decifração, há a compreensão, os géneros de texto e os hábitos de leitura a criar que aumentam a complexidade do que está em jogo. (...) Quanto à formação inicial e à preparação dos futuros professores para o ensino da leitura e da escrita, o relatório de 2022, coordenado por Isabel Leite e Carlinda Leite, reconhece a sua importância para elevar a qualidade do ensino, sendo o papel dos professores particularmente poderoso para fazer a diferença em relação ao desempenho dos alunos, 20% dos quais têm dificuldades na leitura, como se constata nos relatórios PIRLS e PISA. No entanto, e apesar de sabermos que as dificuldades na aprendizagem da leitura podem ser reduzidas para um intervalo entre 2 e 10%, se a instrução da leitura se basear na atual evidência científica, o relatório apresenta um panorama devastador em relação à formação inicial.» Mais informações em breve! Fonte da imagem aqui — reprodução de um quadro de Ana Hatherly, patente, em 2025, numa exposição na Galeria Diferença.